Repensando as Bandas de Rua

Não sou contra as bandas de rua. Sou contra, apenas, a parte rua das bandas de rua. Me aflige o fato de elas obstruírem vias públicas importantes, como a Av. “Boulevard” Álvaro Maia, uma das principais opções de tráfego leste-oeste da cidade.

Avenida esta, que conta com 2 hospitais, ainda que ambos tenham acesso pela Av. Ayrão e o HUGV esteja em reforma. Imagine uma ambulância vindo pela Kako Caminha e precisando descer pela Av. Constantino Nery até próximo da Av. Leonardo Malcher para conseguir fazer um retorno, pegar a Av. Japurá, e Rua Silva Ramos, para enfim alcançar a Ayrão. Ah, é só no fim de semana, ou é só na época do carnaval, diriam alguns, porém não diriam o mesmo se a pessoa dentro da ambulância fosse a própria mãe.

Banda Obstrutora de Rua

Ah, mas são 27 anos de tradição, são 45~50mil pessoas. Ainda que tivessem 500mil pessoas, ainda teríamos outros 3/4 da população manauara eventualmente tendo seu direito de ir e vir prejudicado (mais de 30 linhas de ônibus trafegam diariamente pela via segundo o Ônibus Manaus) e bem, enfiar a mão numa luva de palha trançada cheia de tucandeiras também é um tipo de tradição.

Vamos inverter os valores já invertidos aqui rapidinho: proponho a criação das bandas de quadras, salões, quintais e terrenos baldios, de preferência distantes da minha casa. Com essa mão de obra toda, muitos terrenos baldios seriam capinados, olha que legal.

Podem fazer suas festas, micaretas pra Jesus ou pro Diabo. Só não atrapalhem o caminho de quem não estiver interessado em participar.

Caos na Ponta Negra

Esse post não é sobre ataques de enxames de jacarés, alcateias de galerosos ou afogamentos coletivos.

Ouvi rumores de que o Shopping Ponta Negra seria inaugurado dia 10 de Junho, estratégica e tempestivamente pensado com vistas ao Dia dos Namorados. A notícia é boa, são mais alternativas de compras, gastronomia, entretenimento e lazer pra cidade, mais salas de cinema, novos restaurantes, uma outra grande rede de livrarias nacional para concorrer com a Saraiva, e talvez fazer a Concorde despertar da letargia em que se encontra, concorda?

O que me deixa apreensivo quanto ao novo lançamento, não só comercial, como grande condomínio residencial e complexo de negócios ao redor, é a inevitável sobrecarga de veículos sobre a malha viária na região. É sabido que a Ponta Negra sofre um forte estrangulamento na Av. Cel. Teixeira, já que é praticamente a única opção para quem mora na região.

Shopping Ponta Negra, projeção para 2013

Não vejo, além de dois retornos tortos e super-faturados, construídos pela administração anterior, e atualmente em reforma pela nova administração municipal, nenhuma grande obra que vise amenizar o impacto, não só do shopping, como também dos empreendimentos imobiliários que o orbitam.

É importante observar casos positivos e negativos decorrentes da criação de grandes empreendimentos, como quando o Amazonas Shopping foi construído, o então prefeito Arthur Neto exigiu como medida de compensação ambiental que o estabelecimento arborizasse as Avenidas Darcy Vargas e Efigênio Sales.

Amazonas Shopping, após a inauguração em 1991

Com a construção do Studio 5 Mall, a prefeitura adiantou-se a preparar um grande recuo na frente do shopping, evitando que os carros que trafegam em baixa velocidade para entrar ou sair do centro comercial estrangulassem o tráfego da Av. Rodrigo Otávio.

Studio 5 Mall, após a ampliação do centro de convenções

O TvLândia Mall, ao se metamorfosear em Manaus Plaza Shopping e executar uma obra que chegou praticamente à beira da Av. Djalma Batista, não deixou um recuo devido para a parada de ônibus que figura em sua entrada. Parada esta que antes do empreendimento, estava 300 metros antes, próxima a uma passarela, e possuía com um espaçoso recuo para 5 ônibus. Desde então o ManausTrans precisa dedicar um agente para ordenar a área todos os dias.

Manaus Plaza Shopping, após a última reforma

O Shopping Manauara, o maior shopping do planeta, pois vai de Recife até a Paraíba, trouxe duas circunstâncias dicotômicas (beijo, Marília Gabriela): a primeira, positiva, é que trouxe duas vias a mais para o trânsito entre as Avenidas Mário Ypiranga Monteiro e Jor. Umberto Calderaro Filho. Entretanto, a segunda foi ter demorado ANOS para providenciar as devidas passarelas. A passarela da Mário Ypiranga de forma prática, mas a da Umberto Calderaro, de forma conflituosa, sendo resolvida apenas na Justiça.

Shopping Manauara, antes da instalação da grade adestradora

Nesse caso específico, por meses me perguntei o que custaria uma negociação com o vizinho Carrefour e o conjunto à sua frente, que oferecia um espaço bem mais adequado para a necessária obra. Duvido que haveria oposição das partes. E pra fechar com chave de golden shower, ainda adveio profunda tristeza ao ver seres bárbaros que se recusam a usar passarela, feita com tanto carinho, provavelmente achando que é uma mera cobertura para o sol. Darwin os manda abraços fraternos.

Voltando ao Shopping Ponta Negra, acho que vocês já sacaram né? Não há paradas de ônibus na região com capacidade para muitos veículos e passageiros, pelo menos até agora. Não há passarelas em construção, já que devem estar crentes que 100% dos usuários de transporte coletivo que chegarem até o shopping virão do Centro e moram na Alameda Alaska.

Parada de ônibus, com um belo adesivo

Antes que venham me dizer que este será um shopping elitizado e que não necessita desse tipo de cuidados, basta passar em frente ao Condomínio Ephigênio Salles às 6 da tarde para ver o batalhão de funcionários que se espreme em duas ínfimas paradas sem recuo. Aliás, tá na hora do condomínio e a prefeitura cuidarem dessa questão. Motoristas e usuários do transporte coletivo agradecem.

O encerramento deste texto é, na verdade, apenas para falar mais do mesmo: vão esperar o caos para pensar no que fazer. Vão esperar o engarrafamento para fazer um recuo para ônibus. Vão esperar o atropelamento para fazer a passarela. Vão esperar outro atropelamento para fazer uma cerca elétrica adestrando bárbaros a usar uma passarela como algo mais que uma cobertura para o sol. Essa tem sido a regra e não a exceção. E desafio a me provarem que estou errado.

Estive Dirigindo #00

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O Estive Dirigindo é um projeto de vlog que venho pensando desde o ano passado, onde eu dirijo e filmo o caminho pra compartilhar com vocês. Adoro dirigir, mas é difícil fazer isso em Manaus com tranquilidade.


Exibir o trajeto do episódio Estive Dirigindo #00 em um mapa maior

Aceito críticas e sugestões nos comentários abaixo ou no vídeo e… apertem os cintos! Obrigado.

Usando Apple Mapas em Manaus

Originalmente publicado no blog do Trânsito Manaus no Portal D24AM.

Como parte da estratégia de depender cada vez menos de soluções do Google na área de mapas a Apple lançou, junto com a sexta versão de seu sistema operacional móvel, em Setembro de 2012, um aplicativo próprio para este fim.

Mapas no iOS – o Bing é webapp

Usando informações de GPS de parceiras como a Tom Tom, de soluções de código aberto como o Open Street Maps, além do know-how de empresas de mapeamento de relevo em 3D como a C3 Technologies (adquirida por US$ 240 milhões) dentre outras, a empresa da Maçã montou um banco de dados próprio, com mapas vetorizados, imagens de satélite por vezes mais recentes que a concorrência e construções tridimensionais de partes de algumas das maiores cidades do mundo (Flyover), tais como Nova York e São Francisco, nos EUA.

São Francisco e Nova York em modo Flyover no Apple Mapas

O curto tempo de desenvolvimento dessa ferramenta, entretanto, causou diversas críticas por parte de especialistas e usuários, que viram-se frustrados com resultados imprecisos em diversas situações. Recentemente algumas pessoas correram risco de vida ao utilizar o aplicativo para buscar o caminho para uma cidade na Austrália.

Neste último caso, a Apple se justificou informando que utilizou as coordenadas cedidas pela própria administração da região e, após a notificação da polícia local, corrigiu o problema. As notícias sobre o incidente causado pela empresa de Cupertino foram tantas que soterraram outras como a de que mais um departamento de polícia australiano notificou o Google na mesma semana por problemas semelhantes.

O mapa da Apple de fato possui muitas falhas, o que é de se esperar de uma solução em desenvolvimento há apenas um ano comparada às opções do Google ou da Microsoft (Bing Mapas), que possuem pelo menos 5 anos de constantes aperfeiçoamentos. Exemplos dessas falhas são diversas praças em Manaus identificadas pelo mapa nativo do iOS como parques.

Parque São Sebastião?

Dezenas de estabelecimentos comerciais estão posicionados em locais incorretos ou sequer existem. A última vez que a Praça da Matriz teve um posto de gasolina foi há mais de 50 anos.

TM História: Bomba de combustível ao lado da Praça da Matriz reaparece 60 anos no futuro em mapa da Apple.

E o bairro do Japiim, coitado, perdeu um i.

Japim: pressa?

Mas apesar de todos esses erros que afetam negativamente a experiência de usuário, o mapa da Apple também acerta em pontos que a concorrência ainda está deixando a desejar. Vamos apresentar 3 destes lugares em um comparativo realizado com 5 dos principais mapas para iOS. Lembrando que esta não é uma análise técnica, sujeita a ser totalmente diferente da sua experiência pessoal, estando sujeita também a ser comprometida por eventuais atualizações dos serviços. E que o Waze não possui imagens de satélite, em compensação é rapidamente atualizado pela comunidade.

Ponte Rio Negro

A ponte sobre o Rio Negro foi inaugurada em 24 de Outubro de 2011, ligando Manaus a Iranduba, Manacapuru e Novo Airão sem a necessidade de balsas. A exibição em cada um dos mapas ficou assim:

  • Apple Mapascom imagem e vetor.
  • Google Mapscom imagem parcial e sem vetor.
  • Here Mapssem imagem nem vetor.
  • Bing Mapscom imagem e vetor.
  • Wazecom vetor.

Ponte Rio Negro

Avenida José Lindoso (Avenida das Torres)

Inaugurada em 29 de Junho de 2010, a Avenida José Lindoso, conhecida popularmente como Avenida das Torres, interliga o Complexo Viário Gilberto Mestrinho à Cidade Nova de forma rápida e com poucos cruzamentos. É uma ótima alternativa de acesso à Zona Norte da cidade, desde que apareça no GPS daqueles que nunca trafegaram naquela região. A exibição em cada um dos mapas ficou assim:

  • Apple Mapascom imagem e vetor.
  • Google Mapscom imagem e sem vetor.
  • Here Mapssem imagem e com vetor.
  • Bing Mapscom imagem e vetor.
  • Wazecom vetor.

Avenida José Lindoso

Manauara Shopping

O maior shopping do norte do Brasil foi inaugurado em 7 de Abril de 2009 e a razão pela qual foi escolhido para compor esta lista é unicamente para mostrar que quem prefere usar os mapas da Apple pode até estar bem orientado, comparado a quem usar o Here Maps, já que as imagens deste mapa não mostram sequer um, das dezenas de buritizeiros destruídos pela obra do estabelecimento, derrubado (já estava desmatado, na verdade, mas, mesmo assim, a obra ainda não havia começado quando foi feita a última foto). O banco de imagens de satélite parece ser o mesmo que o Bing utilizava até pouco tempo atrás, mas que este agora já tratou de atualizar. A exibição em cada um dos mapas ficou assim:

  • Apple Mapas – com imagem e vetor das ruas ao redor.
  • Google Maps – com imagem e sem vetor das ruas ao redor.
  • Here Maps – sem imagem nem vetor das ruas ao redor.
  • Bing Maps – com imagem e sem vetor das ruas ao redor.
  • Waze – com vetor das ruas ao redor, inclusive com a nova nomenclatura.

Manauara

Especuladas para 2013 a função de instruções por voz (Siri) no Apple Mapas e as imagens de Manaus no Google Street View do recém lançado Google Maps para iOS prometem acirrar ainda mais a concorrência entre aplicativos de mapas na plataforma da Maçã. O mapa social Waze, apesar de não contar com imagens de satélite, possui função de instruções por voz e informações geralmente mais atualizadas que os demais, graças às contribuições dos próprios usuários.

O que você tem achado das soluções de mapas para plataformas móveis em Manaus? Como é a sua experiência com mapas em outras plataformas? Já faz parte do grupo do Trânsito Manaus no Waze? Deixe seu comentário abaixo e compartilhe mais dicas com a gente.

Iniciativas Populares

Em decorrência do lançamento do Manual Ônibus Manaus, o jornalista Nelson Brilhante, do A Crítica, entrou em contato comigo para uma entrevista que faria parte de uma matéria sobre iniciativas populares. A matéria foi publicada no Domingo (09/12/2012) e a parte aberta ao público não-assinante do site não contém a entrevista comigo, que ainda não tive a oportunidade de ler, mas pelo menos estou na foto escolhida para ilustrar o post. Se alguém comprou o jornal do último Domingo, favor guardar e, quem já leu, favor comentar o que achou. Obrigado.

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Iniciativas fazem a diferença em Manaus

Sem estardalhaço nem interesses que não o de contaminar mais pessoas a fim de realizar o sonho de uma cidade melhor para todos, esses “funcionários públicos não remunerados” passaram a assumir responsabilidades que seriam de quem foi eleito para isso. 

Por Nelson Brilhante.

Steven Conte, um dos criadores do site Ônibus Manaus, sobre rotas dos coletivos.

Steven Conte, um dos criadores do site Ônibus Manaus, sobre rotas dos coletivos.
Foto: Euzivaldo Queiroz

Para um grupo de manauaras não basta reclamar, espernear e empunhar cartazes de protesto para garantir melhorias na cidade em que vivem. Alguns até fazem ou já fizeram tudo isso, mas foram além do protesto e, literalmente, adotaram Manaus com carinho de cidadão.

Sem estardalhaço nem interesses que não o de contaminar mais pessoas a fim de realizar o sonho de uma cidade melhor para todos, esses “funcionários públicos não remunerados” passaram a assumir responsabilidades que seriam de quem foi eleito para isso.

No conjunto Santos Dumont, bairro da Paz, Zona Centro-Oeste, o presidente da Associação dos Moradores, Denis Thaumaturgo, de tanto pedir um novo parquinho infantil para a praça do conjunto, tomou uma decisão inédita: iniciou uma campanha no Facebook para conseguir os R$6 mil que precisava para comprar um playground. Quando arrecadou R$1,5 mil, comprou o playground parcelado em quatro vezes e, no último domingo, para a alegria da garotada, inaugurou o brinquedo gigante com um show (sem cachê) do cantor Cileno e o bingo de um aparelho de TV doado pelo deputado Josué Neto.

Quem também resolveu colocar a mão na massa foi um grupo de seis amigos, liderados pelo jornalista e professor de Educação Física Luiz Eduardo Leal, criou o site de busca www.onibusmanaus.com.br, único pelo qual o internauta conhece a rotas e itinerários de ônibus da capital amazonense. A iniciativa nasceu com a criação de uma conta no Twitter, em novembro de 2011.

A ideia deu tão certo que a Comissão de Transportes da Assembleia Legislativa do Amazonas (ALE-AM) estimulou o grupo a produzir um guia impresso, lançado no dia 27 de novembro, e que está sendo distribuído gratuitamente aos usuários de transporte público.

Ameaça

Antes de publicar o guia de rotas de ônibus, o grupo “Trânsito Manaus” tentou prestar ajuda aos usuários de transportes urbanos, mas teve que abortar o projeto. Eles fixavam nas paradas de ônibus cartazes com a frase “Que ônibus passa aqui?”. Abaixo, linhas pontilhadas davam espaço à resposta de populares. Ligações anônimas, vindas de setores que comandam o trânsito de Manaus, forçaram o grupo a desistir da iniciativa.

Saiba Mais

Guia Impresso

A princípio, o guia impresso com a rota e os itinerários dos ônibus deverão ser distribuídos em hotéis, centros comunitários e postos de atendimento ao turista para o lançamento, foram impressos cinco mil exemplares.

Histórico

A ONG começou com uma conta no Twitter e foi evoluindo para uma página no Facebook e chegando a um site, o que resultou também no Ônibus Manaus.

[…]

A íntegra deste conteúdo está disponível para assinantes digitais ou na versão impressa.

Manual Ônibus Manaus

Esta semana estamos lançando, depois de quase um ano de trabalho, o Manual de Itinerários Ônibus Manaus do Trânsito Manaus. Foram muitas noites mal dormidas, muitas correções feitas, prováveis erros que só serão encontrados com o uso cotidiano, mas finalmente conseguimos, graças ao trabalho do Luiz Eduardo Leal, Rebecah Keyce, Steven Conte, Glauber Gomes, Claudivan Jr., William Maciel e do Marcelo Menezes, responsável pelo projeto gráfico designado pela Comissão de Trânsito e Transportes da ALEAM. A seguir, o breve editorial que será publicado na contracapa do manual.

Na Internet encontramos ideias interessantes e que facilitam a vida de muitas pessoas. Com intenção de tornar o trânsito de Manaus melhor surgiu em 2009 o Trânsito Manaus, um canal de informações sobre os engarrafamentos, acidentes e demais ocorrências nas vias da cidade através do Twitter. A ideia cresceu e alcançou outras redes sociais, virou um site, apareceu na televisão, rádios e jornais. Mas levar informação apenas aos usuários de Internet não é tudo. Muitas pessoas não têm carro e fazem uso do transporte público. E outras também não têm condições de acessar a rede, seja por falta de tempo, dinheiro ou domínio da tecnologia.

Para ajudar os que se encontram apenas no primeiro grupo nós criamos o site Ônibus Manaus, com um sistema de busca de itinerários que contém os roteiros e mapas de cada trajeto, que estamos aperfeiçoando com novas formas de busca. Para os que estão nos dois grupos nós conseguimos, com a ajuda da ALEAM, sua Comissão de Transportes, CMM e SMTU, lançar este manual que será distribuído gratuitamente aos usuários de transporte público. Assim, esperamos ajudar ainda mais pessoas e continuar levando boas ideias da Internet para a vida de cada um. Podemos contar com você?

Por que eu voto Rodrigo Araújo?

Porque ele vai buscar a redução do número de vereadores, assessores e regalias dos parlamentares. Isso significa menos gastos de dinheiro público, que poderá ser revertido em melhorias efetivas em outras áreas, como por exemplo, na infraestrutura da cidade.

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Porque ele vai lutar pela redução do crescimento lateral de Manaus, possibilitando assim uma organização mais efetiva da cidade, ao contrário do que aconteceu nas últimas décadas em que sempre se correu atrás de consertar os lugares já invadidos e mal planejados.

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Porque ele tem boas ideias para melhorar a mobilidade urbana para carros, bicicletas, pedestres, tanto para os moradores da cidade, quanto para os turistas.

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Porque enquanto uns sentam com o governador e com a presidenta, outros não tem onde sentar para esperar o ônibus, e ele quer trabalhar para mudar isso.

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Ah! Você não anda de ônibus? Eu também não! Mas se o sistema de transporte público funcionar bem, menos gente vai precisar usar carros particulares e o trânsito vai fluir melhor. Se existirem leis definindo padrões de asfalto e calçamento, com penalidades a quem agir em desconformidade com isso, a prefeitura vai gastar menos “tapando buraco” no futuro (aliás, “tapar buraco” deveria ser proibido por lei). Se existirem leis efetivas definindo a forma como a cidade vai se desenvolver e coibindo as invasões com punições mais severas e efetivas, Manaus terá a chance de ser uma cidade mais organizada. Vai me dizer que você já participou de algum debate sobre o Plano Diretor?

Entretanto, se existirem mais leis como a que cria o Dia Municipal do Profissional de Moto-Táxi em vez de uma lei que de fato regulamente e delimite as áreas de atuação dessa profissão, a cidade vai continuar tendo os mesmos problemas que tem hoje e provavelmente outros que ainda estão por vir. E continuar votando nos idealizadores da Taxa do Lixo e outras coisas geniais como a da lei que citei há pouco é como escolher o Fernandinho Beira Mar para Ministro da Justiça.

Aí estão as propostas, aí está a oportunidade de alçar ao Poder Legislativo Municipal uma pessoa jovem, íntegra, com boas ideias, com compromisso público de agir e cobrar mudanças em benefício de todos e a capacidade de contribuir para que tenhamos uma cidade melhor. Aí está o Rodrigo Araújo, 40.789 sim senhor!

Ciclos

A Holanda é referência mundial no uso de bicicletas como meio de transporte. Mas os neerlandeses não chegaram a esse patamar da noite para o dia. Foram anos de transformações e mudanças, positivas e negativas, impulsionadas tanto pela economia e política, quanto pelo clamor popular. Abaixo compartilho um pequeno documentário sobre como se deu este processo.

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Agora vejam as propostas dos candidatos à prefeitura de Manaus para o trânsito e transporte público e imaginem quanto tempo ainda levaremos até a cidade passar por mudanças semelhantes.

Dica de leitura: A psicóloga Luciana Jacob passou alguns meses morando Utrecht, na Holanda, e contou em seu blog sobre as experiências que teve por lá.

Saudade

Originalmente publicado no blog do Trânsito Manaus no Portal D24AM. Leia também o texto anterior, sobre o Chafariz das Quimeras.

Poucos lugares de Manaus guardam em seu nome um significado tão profundo e condizente com os diversos contextos pelos quais passou através dos tempos quanto a Praça da Saudade. Cada geração que visitou aquele passeio público, ao longo de seu quase um século e meio de existência, presenciou um lugar totalmente diferente, levando qualquer um a pensamentos nostálgicos de histórias outrora vividas ali.

O largo estendia-se desde o quadrante das atuais rua Simón Bolivar, avenidas Epaminondas e Ramos Ferreira, até o extremo norte da Av. Eduardo Ribeiro (antiga Av. do Palácio), onde hoje se encontra o Instituto de Educação do Amazonas – IEA, unindo-se ao espaço da atual Praça Antônio Bittencourt – também conhecida como Praça do Congresso – com a forma semelhante a um L invertido.

Imagem aérea do Largo de São Sebastião até a Praça da Saudade, no fim da década de 1890

Com o início da construção de casas e palacetes em seu entorno, transformando o espaço em um quadrilátero, ainda sem arborização, passou a ser encerrado pela atual Av. Ferreira Pena. O responsável pela delimitação da área, que já era frequentada pela população desde 1858, foi o governador Francisco José Furtado (mandato 1857-1860), que também ordenou a construção de uma cerca no entorno do cemitério em 1859. Em 1865 foi aprovada na Câmara Municipal a proposta de urbanização e arborização do largo, com o objetivo de transformá-lo em um horto, o que não logrou êxito.

O espaço constava nos registros oficiais como Largo 5 de Setembro, em referência à data de elevação do Amazonas à categoria de província. Entretanto, em Julho de 1867, por sugestão do vereador Antônio Davi Vasconcelos Canavarro foi oficializado o nome, com base no costume já consolidado pela população que referia-se ao lugar há vários anos como Largo da Saudade, por estar situado defronte ao antigo Cemitério de São José, que jazia situado no bairro de mesmo nome, hoje em dia integrado ao Centro. Mais tarde, em 1897, passou a receber a denominação oficial de praça.

Praça da Saudade nos anos 1900

Em 1º de Agosto de 1899, com o início das operações da Manaus Railway Company na cidade – que fora a segunda do Brasil a iniciar a instalação de bondes elétricos e a terceira a pô-los em operação –, a Praça da Saudade recebeu um itinerário dedicado com seu nome, que realizava 53 viagens diárias. Nos dias atuais, um dos veículos desta linha foi restaurado e passou a ser exibido no estacionamento do Teatro da Chaminé, sendo posteriormente transferido para o Largo de São Sebastião.

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Às 4 da tarde de 13 de Fevereiro de 1915, uma sexta-feira, Ária Ramos, uma jovem de 18 anos da sociedade manauara, pegou a linha da Saudade descendo a Rua Municipal, sentido Catedral. Não parou na Praça Heliodoro Balbi, pois a ronda dos soldados lhe atrapalharia a concentração, pensou.

Subiu a Avenida do Palácio e seguiu até a praça que emprestava o nome à linha, a fim de praticar as lições de suas aulas de violino, sentada sob a sombra das árvores. Na semana seguinte dar-se-iam os festejos de carnaval e, por conta dos preparativos, sua vizinhança do Canto do Quintela andava muito barulhenta, com as mães e filhas confeccionando as fantasias que seriam usadas nos bailes.

Ária Ramos

Ária queria praticar os acordes da música “Subindo aos Céus”, que lhe fora ensinada pela professora de violino em Janeiro. A mestra havia conseguido uma oportunidade para que ela realizasse uma apresentação pública na semana seguinte e, apenas ao estar sozinha na praça, a jovem conseguia afastar a ansiedade e o nervosismo que a dominavam sempre que pensava na opinião da audiência que lhe assistiria.

De repente, Ária foi surpreendida por Othon, seu amigo de tantas brincadeiras, desde os 5 anos de idade, quando a família dele mudou para o “Quintela”. Ele era 2 anos mais velho, já havia terminado o ginásio, mas nunca ingressou em escola superior. Ganhava a vida como engraxate na Av. do Palácio, e gostava de fazer às vezes de boêmio no Café dos Terríveis nas noites de Sexta. Ele viu quando Ária subiu de bonde pela principal avenida da cidade e seguiu o veículo a pé, para ver até onde ela iria.

Ária e Othon, de tão próximos desde a infância, já haviam trocado algumas juras de amor e sonhavam em casar na Igreja de Nossa Senhora dos Remédios, a quem Ária era devota. Infelizmente a família da moça tinha outros planos. Décio, um homem de 26 anos, bacharel da 5ª turma de Direito na Escola Superior Livre de Manaós, havia pedido a seo Aristharco Ramos, pai de Ária, a mão da jovem em casamento, que aceitou com um semblante de satisfação. Aristharco tinha certeza de que Décio certamente daria um futuro de felicidade e segurança a sua filha.

Othon perguntou o que sua amiga estava tocando, que respondeu com um sorriso o nome da música e que apresentaria em um baile na semana seguinte. O rapaz prometeu que iria assistir a apresentação, deu-lhe um beijo na testa, despediu-se e saiu andando em passos rápidos ao, astutamente, perceber a aproximação da carruagem de Décio, que cada dia mais considerava um rival. Othon já virava a esquina na Avenida João Coelho quando Décio estacionou ao lado da Praça da Saudade e se aproximou da jovem.

Um pouco decepcionada por não conseguir praticar sua música, Ária saudou seu prometido futuro esposo com pouco ânimo. Este irritou-se pelo desprezo com que fora tratado e falou alguns impropérios, emendando com a acusação de que imaginava que ela estava encontrando o amigo de infância, a quem chamou de rufião. Despediu-se sem sequer tocá-la e prometeu que em pouco tempo daria cabo da vida do rapaz, apontando para o Cemitério de São José, e subiu em sua carruagem, açoitando o cavalo com força e se afastando rapidamente dali.

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Praça da Saudade nos anos 1910

No decênio entre 1928 e 1938 o logradouro sofreu constantes mudanças de nome – o que gerou críticas por parte da população –, porém passou também por duas importantes reformas. A Lei nº 1.477, de abril de 1928, transformou a Praça da Saudade em Praça Washington Luís, com a assinatura do prefeito José Francisco de Araújo Lima (mandato 1926-1929). Em 1930, o Decreto nº 01 retirou o nome do 13º presidente para dar lugar a Praça Getúlio Vargas, homenageando o presidente de então. No ano seguinte, por força do Decreto nº 49/1931, retornou à denominação de Praça da Saudade.

O prefeito Emmanuel Morais (mandato 1931-1932) ordenou, em 1932, a construção de jardins e passeios, bem como o fechamento do Cemitério de São José. Anos mais tarde, durante reunião realizada em 3 de Setembro de 1937 na Câmara Municipal, o vereador Sérgio Rodrigues Pessoa, lamentando que a “[…] data de maior júbilo para o Amazonas […]” fora relegada ao nome de um beco ao lado da Igreja dos Remédios, apresentou Projeto de Lei que alterava novamente a denominação da Praça da Saudade para Praça 5 de Setembro. Ato contínuo, o projeto foi aprovado, tornando-se a Lei 225, de 6 de Setembro de 1937, cujo artigo único dizia:

“A atual Praça da Saudade passa a chamar-se de hoje em diante e para sempre, Praça 5 de Setembro, revogando-se as disposições em contrário.”

A modificação do traçado original e a plantação de espécies exóticas consolidando a aparência pela qual a praça ficou mais conhecida, foram conduzidas pelo prefeito Antônio Botelho Maia (mandato 1936-1941), em 1938.

Praça da Saudade nos anos 1950

A partir de 1962 deu-se início a uma reforma que alterou profundamente a aparência da praça. Primeiramente, o prefeito Josué Cláudio de Souza (mandato 1962-1964) ordenou a instalação, na lateral direita da praça, de uma larga piscina com duas curiosas estátuas de bronze. Eram as representações do Homem Primitivo – com traços de Neanderthal – e do Homem Moderno. Grande parte da vegetação foi retirada, além das pérgolas de madeira, dando lugar ao concreto.

Homem Moderno e Homem Primitivo

Em 1963 o governador Plínio Ramos Coêlho (mandato 1963-1964), nacionalino inveterado – tendo inclusive sido presidente do Leão da Vila Municipal –, resolveu “esconder” o campo do rival Atlético Rio Negro Clube da vista dos transeúntes da praça construindo, por toda a sua extensão oeste, um largo edifício onde funcionaram, em diferentes momentos, a Secretaria de Estado de Justiça – SEJUS e a Superintendência Estadual de Habitação – SUHAB.

Avião DC-3 da Cruzeiro

Entre 1977 e 1984 (quando foi vendido para uma oficina de desmonte), havia um avião DC-3 pertencente à Companhia Cruzeiro em exposição na área sul da praça, chamando a atenção de adultos e crianças que iam nas tardes de domingo tirar fotos diante daquela atração. Durante os anos 1990 por diversas vezes havia brinquedos para as crianças além de algumas feiras itinerantes.

Vista aérea da Praça da Saudade no começo dos anos 1980

A Lei Municipal nº 343/1996, assinada pelo prefeito Eduardo Braga (mandato 1994-1997), alterou pela última vez o nome da Praça 5 de Setembro, para chamá-la novamente de Praça da Saudade. Porém o espaço chegou aos anos 2000 cheio de ambulantes e com pouca manutenção. Em 2007, o prefeito Serafim Corrêa (mandato 2005-2008) deu início à reforma que objetivou revitalizar os contornos que a praça possuía na primeira metade do século XX. O início dos trabalhos contou com a participação do senador Jefferson Peres, que há muitos anos já declarava seu anseio pela retirada da secretaria daquele lugar e o retorno da antiga aparência da praça. Na ocasião do início das obras, o senador, em um gesto simbólico, deu a primeira marretada do processo de demolição do edifício construído pelo governador Plínio.

As obras foram concluídas pelo prefeito Amazonino Mendes (mandato 2009-2012), culminando na re-inauguração em 30 de Abril de 2010. A reforma marcou o retorno do caminho circular, margeado pelo gramado, pelas flores e por mudas de árvores, entrecortado por calçadas radiais que levam das extremidades até o centro, onde está erguida desde 11 de Maio de 1883, por sugestão do vereador Silvério Nery e ordem do governador José Paranaguá (mandato 1882-1884), a estátua de Tenreiro Aranha, precursor da luta pela emancipação do Amazonas da província do Grão-Pará, figurando ainda na história deste Estado como o primeiro governador (mandato 1852-1853).

Praça da Saudade após restauração de 2007

Retornaram também as pérgolas (ou caramanchões) de madeira fazendo sombra aos bancos onde casais, jovens e idosos, se sentam ao fim da tarde e dão um aspecto aconchegante de jardim à Praça da Saudade. As estátuas do Homem Primitivo e do Homem Moderno foram retiradas e não se sabe ao certo o seu paradeiro. É provável que estejam no almoxarifado da prefeitura, onde por alguns anos também foi o morada do Chafariz das Quimeras. Infelizmente o senador Peres falecera um ano antes da re-inauguração, não chegando a ver seu sonho da praça restaurada realizado.

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Notícias recentes envolvendo a Praça da Saudade

– Jardinagem na Praça da Saudade precisará ser recuperada após Virada Cultural
– Lixo na Praça da Saudade se acumula e mostra falta de educação dos manauaras
– Cheia no Centro de Manaus muda itinerários dos ônibus

Referências

Entrevistas
– Serafim Corrêa, ex-prefeito de Manaus, sobre a ordem de colocação das estátuas do Homem Primitivo e Homem Moderno e o seu paradeiro.

Livros
– GARCIA, Etelvina. O Amazonas em Três Momentos: Colônia Império e República. 2ª ed. Manaus: Editora Norma, 2010. 144 p.
– LIBÓRIO, Nicolau. Memórias do Esporte no Amazonas. Manaus: Editora Uirapuru, 2009. 202 p.

Sites
Baú Velho
– EvangeBlog
Manaus Ontem
– MyAviation.net
– Urutu
Wikipedia

Quimeras

Originalmente publicado no blog do Trânsito Manaus no Portal D24AM.

O ano era 1911 e Manaus despontava como uma das metrópoles mais prósperas do Brasil e do Mundo. Uma das primeiras cidades do Brasil a ter telefone, água encanada e sistema de esgoto, além de ser a segunda a ter energia elétrica, que alimentava um transporte público eficiente e que cobria todas as regiões da cidade, inclusive a periférica região de Flores que deu nome ao bairro situado no mesmo local hoje em dia.

O prefeito de então, Dr. Jorge de Moraes (mandato 1911-1913), o primeiro de nossa história a ser eleito pelo voto popular, surgiu com a ideia de celebrar a glória da cidade ordenando a construção de uma fonte, para servir de adorno à Praça do Comércio e refrescar os transeuntes da Paris dos Trópicos, numa época em que condicionadores de ar eram apenas uma ficção distante e esta era a principal forma de reduzir a temperatura no perímetro urbano. Naquele mesmo ano foi erguido o Chafariz das Quimeras, situado no cruzamento das ruas Epaminondas e Visconde de Mauá (antiga Demétrio Ribeiro), defronte ao tradicionalíssimo Café dos Terríveis.

Inauguração do chafariz, em frente ao Café dos Terríveis

O chafariz era composto por uma grande cuba de concreto, que ressurgia no centro em forma de cruz, servindo de alicerce para um cilindro metálico curto que se encerrava em uma grande bandeja de ferro. A seguir um novo cilindro, com o dobro do tamanho, dividido ao meio por um adorno circular. Os cilindros eram bem adornados e acima deles jazia uma última bandeja, menor, de onde brotava água sob os pés da musa grega que portava uma tocha brilhante encerrada em ferro e vidro.

Nos pontos cardeais da fonte, quatro quimeras, animais fantásticos com cabeça de leão, asas de águia e cauda de dragão, vigilantes, fazem a guarda de sua majestade. Em um dos lados, uma torneira de ferro servia de água fresca qualquer um que por ali passasse. Ao redor, um jardim baixinho, com uma pequena cerca de metal, quase imperceptível.

Vista Aérea parcial de Manaus, com as praças do Comércio, XV de Novembro e Oswaldo Cruz na metade inferior direita

Alguns anos após a sua inauguração, com a capital vivendo os últimos instantes de intensa glória e efervescente emigração de brasileiros e estrangeiros pelo movimentadíssimo Roadway, o prefeito decide mover a fonte para a Praça XV de Novembro, entre as Praças do Comércio e Oswaldo Cruz, de costas para a Catedral de Nossa Senhora da Conceição e de frente para o porto, para recepcionar aqueles dos quais muitos de nós descendemos hoje em dia.

Já na segunda instalação, o sistema de fonte foi removido, sendo instalado apenas o pilar central com a musa e as quimeras, tendo os pés destas sido adornados por plantas. E ali a musa e suas quimeras acompanharam melancolicamente o súbito declínio da borracha e consequente cessação da chegada de grandes navios de passageiros e de barões da borracha que outrora por ali andavam acendendo seus charutos com notas de mil contos de réis. As mansões ao redor foram dando lugar a comércios e no espaço entre a fonte e a catedral foi construído um aquaviário e um pequeno zoológico.

Praça XV de Novembro: o chafariz virou uma simples estátua

Décadas se passaram, e no começo dos anos 1970 a cidade já contava com aproximadamente 620 mil habitantes (quase o dobro da década anterior). Com a concentração cada vez maior de comércio no centro da cidade, as pessoas foram migrando para os novos bairros que iam surgindo na periferia e, conjuntamente com o evento do desmonte da Cidade Flutuante, na segunda metade dos anos 1960, muitas daquelas pessoas que antes se deslocavam para o centro a pé passaram a usar transporte coletivo e o sistema precisou de um terminal central maior, que suportasse aquela demanda crescente de ônibus, solução de transporte público que substituiu os bondes cuja lembrança restou apenas nos velhos trilhos de metal.

Criou-se o Terminal da Matriz e, para que houvesse mais espaço, a fonte foi retirada por ordem do prefeito Paulo Pinto Nery (mandato 1965-1972), e instalada na Rotatória da João Coelho (Rotatória do Olímpico), construída para organizar o trânsito no cruzamento entre as avenidas Constantino Nery (anteriormente conhecida como Av. João Coelho) e (Boulevard) Álvaro Maia / Kako Caminha. E dali a musa pôde observar a expansão da cidade que crescia em todas as direções, até – mais uma vez – se tornar vítima do mesmo progresso que acompanhara impassível até ali.

Paulo Pinto Nery: transferiu a musa para a Rotatória da João Coelho

Na administração de Alfredo Nascimento (mandato 1997-2004) como prefeito de Manaus, fez-se necessária a construção do Viaduto D. Jackson Damasceno Rodrigues, entre 1998 e 1999, para desafogar o cruzamento das duas avenidas, que recebiam cada vez mais tráfego após a ascensão da Av. Brasil, no bairro da Compensa, como uma área comercial de preços acessíveis. E a fonte foi então desmontada, para passar vários anos abandonada em um depósito da prefeitura.

Em 2003, ainda na administração de Alfredo Nascimento, integrando a ornamentação paisagística da reforma realizada na Av. Mário Ypiranga Monteiro (antiga Recife) foi construída, no cruzamento desta com as ruas Carlota Joaquina e Rio Negro, a Rotatória do Eldorado e no seu centro foi instalado novamente o chafariz.

Rotatória do Eldorado: bonita instalação, porém disposição incorreta

Infelizmente, por um erro na instalação, as quimeras foram postas de costas para os observadores, deixando de proteger sua musa para tornarem-se apenas suas observadoras e uma seção do cilindro central foi retirada, fazendo com que o resultado final ficasse mais baixo que a versão original. Além disso, com o tempo, a fonte foi permanentemente desligada, sendo então retirada em 2009.

Por fim, com a construção do Parque Estadual Jefferson Peres, como parte dos trabalhos de reurbanização de igarapés do PROSAMIN, durante a administração do governador Eduardo Braga (mandato 2003-2007), por sugestão do secretário de cultura Robério Braga, o Chafariz das Quimeras ganhou um lugar de honra de frente para a lagoa artificial das Vitórias-Régias, na confluência dos dois braços do Igarapé de Manaus, onde até hoje pode ser encontrada e admirada.

Parque Jefferson Peres: um lar para receber as visitas das próximas gerações

Abaixo você confere os cinco lugares descritos no texto.


Visualizar Roteiro do Chafariz das Quimeras em um mapa maior

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Atualização em 15/07/2012.

Observando as atualizações do Facebook encontro um álbum do prof. Sérgio Freire, com fotos de Barbara Heyd, e no meio delas, a imagem da Rotatória da João Coelho, conhecida como Bola do Olympico, com a aparência que teve entre os anos 1970 e a segunda metade dos anos 1990, quando foi desmontada, dando lugar ao viaduto.

Rotatória da João Coelho com o Chafariz das Quimeras, em 1972.

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Referências

Entrevistas
– Serafim Corrêa, ex-prefeito de Manaus, sobre datas de construção das obras recentes.

Livros
– MONTEIRO, Mário Ypiranga. Negritude e Modernidade: a trajetória de Eduardo Gonçalves Ribeiro. Manaus: Editora Umberto Calderaro, 1990. 161 p.

Sites
Descobrindo o Amazonas
– J. Martins Rocha – link 1link 2link 3
O Eldorado é Aqui
Manaus Ontem

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