Velho Continente – dias 10 a 21

Quando chegamos a Heidelberg, logo começaram as aulas, que tomavam a manhã inteira e uma boa parte da tarde para estudos, o que ocupou todo o meu tempo e acabei reduzindo as minhas notícias ao Brasil a emails semanais para mãe e namorada com 5 fotos, alguns tweets e checkins no Foursquare e a atual foto de capa do meu Facebook. Mas para não deixar o relato da viagem inacabado vou tentar resumir os dias que faltaram em dois ou três posts.

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Todos os dias acordávamos às 6:30am, pra tomar banho, se arrumar e pegar o bonde das 7:06am. A aula começava às 8:50am, mas além da meia hora de trajeto, sempre fazíamos uma parada no meio do caminho para um Französisches Frühstück. No meio do caminho tinha uma padaria Grimminger próxima ao Bethanien Krankenhaus que virou a minha preferida. Mas durante as duas semanas de aula, experimentamos umas 4 padarias próximas à escola, uma Grimminger, três Riglers.

Na primeira turma que tivemos aula no Heidelberger Pädagogium, do nível A1.2, tínhamos colegas do Japão, Irlanda, Itália, Turquia, Quênia, Índia, Canadá, dentre outras nacionalidades que não consigo mais lembrar. A professora chamava Iveline e dava uma aula “jovem” e descontraída. A língua franca da aula e da escola em geral era o Inglês, pelo menos com o pessoal do nível iniciante. Notamos que a aula estava um pouco repetitiva em relação ao conteúdo que já tínhamos estudado no Brasil e pedimos na coordenação para avançar para o A2.1, o que aconteceu no terceiro dia. Na nova turma, agora com o professor Lou, que tinha fama de durão, nossos colegas eram da Argentina, Inglaterra, Espanha, Colômbia, Coreia do Sul, Estados Unidos, Canadá e… Brasil.

Os capítulos que estudamos durante as duas semanas foram o 5º e o 6º do livro Begenungen – Deutsch als Fremdsprache, cujos títulos eram, respectivamente, “Urlaub und Reisen” (trabalho e viagens) e “Tiere und Menschen” (animais e pessoas). O primeiro ensinava sobre getílicos, declinações, preposições, pronúncia de palavras terminadas em ER, uso de “weil” e “obwohl” e vocabulário relacionado ao título. E o segundo tratava de superlativos, comparações, um pouco de Genitiv, começou a revisar as conjugações em presente, pretérito perfeito e imperfeito, e bastante vocabulário relacionado ao título. Fizemos também algumas aulas complementares de conversação durante a tarde com uma professora Argentina que já havia morado no Brasil.

Todos os dias ao voltar da aula, almoçávamos no Dinea, um restaurante panorâmico no 5º andar da Galeria Kaufhof. Também experimentamos um restaurante chinês genérico, que tinha a comida muito boa, mas bem pimentosa, e umas lanchonetes turcas, uma no sub-solo da Galeria e outra na rua ao lado. O bom de almoçar no Dinea era poder ver a parte antiga da cidade de cima. Eu gastava em média 6 a 8 Euros por uma refeição no Dinea, com sopa, prato principal e um mousse de chocolate, ou 4 Euros nos turcos.

Talvez o hábito de comer sem beber refrigerante junto e andar bastante pra fazer as coisas (o clima e a infra-estrutura de transporte público eram ótimos), me ajudou a perder um quilo mesmo experimentando todas as comidas e doces que encontrava pela frente.

Quando voltava para o alojamento, passava a tarde lendo e fazendo tarefas e no fim do dia jantava uma barra de chocolate com água comprados na hora do almoço, ou ainda um sanduíche de Käse mit Putenwurst (queijo e peito de peru) que eu providencialmente havia comprado os ingredientes quando cheguei na cidade.

Na primeira sexta-feira em Heidelberg, saímos para conhecer a Hauptstraße, a maior rua fechada para pedestres da Alemanha, suas lojas, igrejas, lanchonetes e atrações e terminamos o passeio na Kulturbrauerai Heidelberg, onde comi o melhor Apfelstrudel da minha vida com Kakao, enquanto a Luciana comeu uma Münchner Weißwürste e tomou Weizenbier. Na volta ainda passamos pela ponte antiga, e depois paramos para comer um Dönner (geralmente uma comida turca, mas vendida) num restaurante Mexicano.

No final de semana saímos de trem para conhecer a cidade vizinha de Mannheim. A viagem dura meia hora. A cidade possui um centro comercial bem mais movimentado que o de Heidelberg que é uma cidade essencialmente estudantil. Lá, seguimos a pé até o Barockschloss Mannheim, um palácio que serviu de moradia de inverno para a família da realeza da região, cujo órgão da igreja que faz parte da construção já foi tocado por Mozart.

Durante a segunda guerra ele foi praticamente todo destruído, e desde então passou por sucessivas reformas que restauraram a aparência exterior anterior à guerra. Não pude tirar fotos da parte interna, mas do que foi preservado possuía um estilo muito bonito. O salão nobre me lembrou o do nosso querido Teatro Amazonas, só que mais claro, amplo e usando mais detalhes feitos de pedra, em vez de madeira. As demais dependências que não serviram ao museu do palácio foram transformadas em salas de aula da universidade da cidade e escritórios dos professores, para não manter uma obra imensa e inútil.

Saindo de lá almoçamos num Subway (sim), passamos pelo antigo reservatório d’água e seguimos por um caminho alternativo até o planetário, onde eu e Tatiana vimos um filme sobre a exploração espacial. Por fim, fomos ao Teknoseum, mas este já estava fechando. Na volta jantamos em um restaurante grego, onde pedi pedaços de carneiro assado, e depois pegamos o trem de volta para Heidelberg, cheio de outros estudantes que também aproveitaram para passar o fim de semana na cidade vizinha mais badalada.

No dia seguinte saí sozinho para ver o por do sol, quando tirei a atual foto de capa do Facebook. Durante a semana seguinte a rotina foi praticamente a mesma até que o professor que nos guiava voltasse da Áustria para que fossemos fazer os últimos passeios da nossa viagem.

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