Velho Continente – dia 6

Geschichte

Voltamos ao Brandenburger Tor, para tirar fotos também durante o dia. Darth Vader, Berliner Bär, Soldados Americanos, Soviéticos e Franceses de mentirinha e mulheres pedintes vindas da Bósnia dividem as atenções dos turistas.

Caminhamos pela Praça 18 de Março e fomos visitar o Reichestag, o Palácio do Parlamento Alemão. A entrada é franca, mas descobrimos tardiamente que agora é necessário agendar previamente a visita pela internet e também passou a ser necessária a revista dos visitantes com o mesmo rigor de um aeroporto. Assim, apenas tiramos as fotos da entrada e voltamos para a Unter den Lindens para dar continuidade ao nosso itinerário histórico.

Visitamos o Berliner Museum (Museu de Berlim), que mostra a história da cidade desde o surgimento da vila no século XIII até a queda do Muro, com um foco interessante no papel dos primeiros Kaisers, em especial Frederico II, o grande, que transformou Berlim na capital da Prússia. Além, é claro, de tratar da história mais recente, mostrando as diferenças entre a República Democrática Alemã (DDR) e a República Federal da Alemanha (BRD).

O ingresso custa € 5, mas quem tem carteirinha de estudante internacional paga € 4. Curiosamente dois dias antes, no Deutsches Historisches Museum não houve nenhum desconto para carteirinha. Apesar de ser um museu pequeno as detalhadas explicações por áudio tornam o passeio bem maior e cheio de informações. Na saída tem uma lojinha, onde comprei um Reichestagzinho de gesso pra colocar na minha mesa. E alguns cartões postais.

Findo o museu, seguimos à pé até o final da Unter den Linden, e visitamos a Berliner Dom (Catedral de Berlim), uma igreja protestante construída no final do século XIX. A entrada, fora dos horários de culto, é € 7, custando € 4 para carteirinha de estudante. Achamos que a visita deveria ser de graça sempre, não por não valer a pena a vista, as informações e a história, com um bônus para a sepultura do Frederico II e outros kaiseres, mas pelo fato das igrejas na Alemanha já receberem uma fração dos impostos recolhidos e repassados pelo governo o que faz com estas não precisem pedir ofertas de seus fieis. Eu disse que não precisam, não que não o façam. A vela pra acender pro santo é € 1 (opcional, claro. Ainda, provavelmente). Comprei cartões postais e um broche de águia na lojinha da saída.

Tentamos então ir ao Berliner Fernsehturm (Torre de Televisão de Berlim), mas a fila para comprar o ingresso era grande e pra entrar, maior ainda. O ingresso custa € 11 e como eu não fui, eu não sei se tem desconto pra carteira de estudante.

Descemos mais uma vez a Unter den Lindens, pegando o ônibus errado, que nos levou até a frente da antiga e abandonada sede do governo da Alemanha Oriental. Andamos até a Französische Straße, compramos ingresso para uma peça no Komische Oper (€ 35 Inteira, € 27 Student). Pegamos o ônibus até a Alexanderplaz, engolimos um jantar no Alexa, pegamos o ônibus de volta pro Komische Oper. Em cartaz, uma leitura recente de “Carmen“. No corredor caras de terno e gravata comendo Brezel e tomando Champagne. A gente comendo bolacha e tomando Coca-Cola. Cada um se vira como pode.

Depois da peça, voltando para o hotel, no meio do caminho, a U7 estava em reforma, um aviso automático informou que haveria um ônibus na superfície esperando os passageiros para levar até a próxima estação, a partir de onde o metrô seguiu normalmente. Já no hotel precisei passar as fotos da câmera do celular para o iPad. As 614 fotos tiradas nos últimos 6 dias ocuparam toda a memória do bichinho.

Velho Continente – dia 2

Eu dormi tanto que pareceu que tinha viajado no espaço-tempo-contínuo. Dormi na costa cearense e acordei na Baía de Biscaia. As nuvens parecem mais densas e enquanto a temperatura externa média no Brasil era -40º C, aqui está em -61º C.

Meu teclado está dando problema nas teclas 4, 5, 6, 7 e 8 e comandos superiores (F3-F8). Não sei o que pode ter causado isso. Estou sem sorte com teclados (e relógios) nos últimos tempos. E nem adianta comprar outro na Alemanha, pois o Y e o Z são invertidos.

Finalmente ouvi alguém falando Holandês (co-piloto do avião) e fiquei com a impressão de ser Alemão falado por um Francês ou coisa parecida. Não entendi nada, na verdade. Quando ele repetiu em Inglês, deu pra saber que vai estar 7º C no destino.

Terceira etapa, AMS – Aeroporto de Amsterdã-Schiphol: o aeroporto também é bem grande, atravessamos quase todo até chegar na porta onde pegaremos o próximo vôo. Interessante que a língua principal é o Inglês e o Holandês é meio que secundário. Também é assim no Panamá (com o Espanhol).

No caminho, fiz minha primeira compra em Euro: um adaptador de tomada. Trouxe dois, mas nenhum funcionava na tomada que eu tinha a disposição. Em compensação o que comprei agora tem mais chances de ser compatível em todos os lugares que eu passar, Padrão União Europeia, é mais ou menos compatível com aquelas tomadas redondas que temos no Brasil.

Tinhas várias lojas com tamanquinhos de cerâmica holandesa, floriculturas, uma loja de doces com um globo de chocolate e outra com um Kinder ovo gigante. Devia mudar o nome para Erwachsen ovo.

A fiscalização aqui é chata como nos EUA. E um cara se atrasou para entrar num avião e mandaram um aviso no autofalante do aeroporto: “Senhor fulano de tal, o senhor está atrasando a partida do vôo tal. Apresente-se agora ou iremos jogar suas malas fora.”

A internet do aeroporto é limitada a 2 seções de 30 minutos. Gastei as duas antes de perceber que havia esta limitação. Aprendi que laranja em Holandês é sinaasappelsap. Exatamente.

Os problemas do meu teclado se agravaram. Descobri o motivo: descarregou. E eu não trouxe o carregador. Eu bem tinha lembrado de por o carregador na mala alguns dias antes da viagem, mas quando chegava em casa esquecia. Keine Probleme, vou continuar escrevendo usando o teclado touchscreen da forma como Steve Jobs desejava.

Quarta e última etapa, TXL – Aeroporto Berlim-Tegel: aeroporto pequeno! Descemos na pista. Pareceu o aeroporto da Ponta Pelada! De taxi fomos por uma Autobahn que corta a cidade em diagonal e vai direto do aeroporto até o distrito de Britz, onde nos hospedamos. Andar por uma Autobahn é conhecer o modelo que inspirou as interestaduais americanas.

O dia anoiteceu às 4pm e o povo lá fora já se empolgava em soltar fogos de artifício. Acontece que alguns faziam um barulho realmente alto e me faziam lembrar dos ataques Russos contra o 3º Reich em Berlim no filme A Queda (Der Untergang).

De noite saímos para conhecer a feira de Natal de Berlim e ver os fogos do ano novo. Comi um Brezel e tomei um Kakao. Depois uma coisa que parecia uma bruschetta. Caminhamos pela Postdam Platz rumo ao Brandenburger Tur (Portão de Brandenburgo) em meio a uma multidão de mistura étnica semelhante à Torre de Babel. Alemão, Francês, Italiano, Espanhol, Inglês, Russo, Polonês, Português, Húngaro, Holandês e Japonês, para citar alguns exemplos.

Descobri que os italianos são o povo mais bagunceiro da Europa, pelo menos quando estão na Alemanha, seguidos pelos ingleses. Não contive a gargalhada ao ouvir um inglês, bêbado, “reclamando” do metrô: “Damn, Germans, why are you so fucking efficient?

À meia noite, em meio a uma multidão multiétnica reunida à esquerda do Portão de Bandemburgo, choveu champanhe e alegria. Frohes neues Jahr!

Ao voltar para a estação da Postdam Plaz, pude ver (com a empolgação pelos fogos na ida não percebi) partes do Muro de Berlim, pichados, porém preservados em parte. 22 anos depois da minha mãe assistir à queda do muro comigo no colo, estava diante do que restou daquele pedaço da história. E tirei uma foto onde aparece o muro e os fogos ao fundo.

Havia muita sujeira pelo chão. Restos de fogos de artifício, garrafas e cacos de vidro, vômito, e até cascas de bala. Minha bota mostrou-se uma boa escolha. Perceberíamos no dia seguinte que menos de 6 horas depois não havia mais vestígios da bagunça pelas ruas do centro da cidade.

Categorias

Passado

  • 2016
  • 2015
  • 2014
  • 2013
  • 2012
  • 2011
  • 2010
  • 2009
  • 2008
  • 2007
Seguir

Receba atualizações do blog na sua caixa de entrada.

Basta inserir seu email