Poder e Alternância

Após os resultados das últimas eleições podemos ver que no Amazonas, onde um mesmo grupo se mantém no poder há 31 anos, independentemente de quem vença no segundo turno, este chegará a 35 anos. Em São Paulo, um mesmo partido chegou ao poder há 19 anos e recebeu a procuração popular para governar por 23 anos. Enquanto isso, parece que o Maranhão finalmente vai se livrar de um domínio familiar de 48 (!) anos.

A nossa ~jovem democracia~ é um ganho valioso e inquestionável, que deve ser defendido a todo custo. Ao mesmo tempo que também não pode ser corroído pela permanência de um mesmo partido ou grupo no poder por décadas a fio.

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Quando o mesmo coletivo se estabelece no poder por muito tempo, suas decisões começam a se afastar da busca pelo desenvolvimento da esfera em que governam e passam a visar apenas a sua própria manutenção e permanência indefinida no poder.

Poder este travestido por um quê de paternalismo apoiado na frágil ameaça de que a mera e saudável alternância de poder implodiria todo o Estado. Quando na verdade desestabilizaria apenas e nem tanto assim, o partido. E é só com essa parte que estão preocupados. Oh horror! Oh horror!

Gilberto Mestrinho (esquerda) e Plínio Coelho (direita), caminham pela Rua Barroso, em frente à Biblioteca Pública, para depois seguir em direção ao Palácio Rio Negro onde seria feita a transmissão do cargo de governador do Amazonas, em 1959. Foto: Acervo Coelho Raposo.

Não se engane: defender a manutenção de tudo como está, sem espaço pra mudanças, não é ser progressista – é ser reacionário e conservador. Nenhum partido é detentor perene da capacidade de liderar o progresso.

E os partidos hoje parecem ser ainda mais megalomaníacos que o Partido de 1984, pois não lhes é suficiente apenas o poder pelo poder. Fazem questão da riqueza, do luxo, da vida longa e da felicidade só para si, também.

Micareta para Jesus

Ocorreu por volta de 27-29 E.C., de Jesus e seus 12 followers virem a Jerusalém para a Pessach, evento que é, basicamente, a Páscoa quando você nasce em um lar Judeu, e em vez do coelhinho, se comemora a fuga dos Hebreus dos domínios do Egito. Ao chegarem ao Templo de Jerusalém, já conhecido como Templo de Herodes na época porque, bem, o Rei Herodes, querendo fazer uma média com o povo Judeu que andava meio sem templo para orar, deu uma forcinha e o construiu (só para ser destruído pelos cazzi dos Romanos comedores de pizza, 5 anos depois de pronto), qual não foi a decepção de Emmanuel ao perceber a baderna que estavam fazendo na casa de seu Pai inefável.

Comerciantes vendiam e compravam animais para sacrifício, ovelhas, bois e pombas, além de cambistas que trocavam o dinheiro dos estrangeiros pela moeda local. Eis que baixou o Indiana Jones no filho de Maria e ele, de posse de um chicote, botou todo aquele covil de salteadores pra correr pra longe dali, lembrando a todos que aquela era uma casa de oração. (Mateus 21:11-13)

Jesus Jones mordido com a bagunça que fizeram na casa de seu Pai

O tempo passou, as manifestações foram se modificando ao longo do tempo e, se o próprio Elohim, que era meio sensível nos tempos do Velho Testamento, não fulminou Miriã que, em gratidão por seu Senhor ter matado centenas de soldados Egípcios afogados no Mar Vermelho, tocou um solo virtuoso de pandeiro com suas BFFs sob o sol causticante do Deserto de Sur (Êxodo 15:19-21), longe de mim condenar manifestação tão singela quanto a Marcha para Jesus.

Todos tem o direito de manifestar sua falta de religiosidade da forma como lhe convir, desde que não prejudiquem a paciência os direitos de outrem. Está na constituição que “é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida (…) a proteção aos locais de culto e a suas liturgias” e que “ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política salvo para eximir-se de obrigação legal a todos imposta“, conforme os incisos VI e VIII do artigo 5º de nossa imaculada Constituição Cidadã, promulgada sob a proteção de Deus e com assinatura de José Sarney.

Constituição de 1988 – Sob a proteção de Deus e com a assinatura de Sarney

O que eu gostaria de trazer à tona é o que o Briglia, sintetizou de forma brilhante em seu mural do Facebook:

Vendo a timeline dos meus amigos de Manaus vejo várias reclamações por causa de um evento religioso chamado Marcha para Jesus. Aqui nos EUA eu nunca vi eventos de grandes proporções que atrapalhassem a vida dos que não estão participando. Aqui vejo planejamento e principalmente respeito pelo outro. Falando sobre religião, aqui ninguém tenta te enfiar Jesus, Alá, Budha, Santo-não-sei-o-quê, goela abaixo. As pessoas praticam suas diferentes religiões (e acredite, aqui existe muito mais opção do que no Brasil), mas elas fazem isso respeitando os outros. Ninguém tenta te converter te fazendo ficar parado em um congestionamento, soltando rojões ou gritando na rua. Não que o pessoal aqui seja menos fiel do que os brasileiros, a diferença está na educação. Educação é a base de tudo.

Deus criou Adão e Eva: isso mesmo, Eva e Adão.

Na circunstância trazida pelo Briglia está a situação dos EUA, mas poderia ser qualquer outro país ou cidade do Brasil, onde haja uma situação de educação um pouco melhor que a que se percebe por aqui. E antes que me digam que ninguém é contra os carnavais e bandas de rua, eu juro que não percebo diferença no rastro de sujeita e danos aos logradouros públicos.

O que Jesus acharia da marcha que fazem pra ele?

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