Velho Continente – dias 27 a 30 – retorno

Chegando, finalmente, ao último post sobre minha viagem para a Alemanha, convido os leitores a visitarem minha página no Instagram, onde fiz uma seleção de 199 (das mais de 2300 fotos que fiz) dos principais momentos, e aqueles que ainda não o fizeram, a visitar a série, agora completa, Velho Continente para ler todos os relatos desde o início. Espero que tenha sido interessante e talvez até útil para quem um dia pretender ir por aquelas bandas e desejo a todos uma boa viagem!

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Quinta-feira

Último dia com direito a café tirolês, nos despedimos, depois de muita conversa, da família da Maria e pegamos os 432km de estrada de volta a Heidelberg. À noite jantamos no Di Leone, um restaurante italiano que se tornou um dos nossos preferidos, em parte por causa da simpatia dos garçons, todos imigrantes da terra do gnocchi (a macarronada foi inventada na China e a pizza, no Egito), mas principalmente por causa do sabor e do ambiente de cantina italiana.

Sexta-feira

O diretor do Heidelberger Pädagogium pediu que na nossa última sexta-feira por lá, fossemos assistir mais uma aula antes de pegar o nosso certificado de participação. Eu e Luciana acordamos cedo e resolvemos parar na minha padaria preferida (Grimminger) para tomar café antes de seguir até a escola. Tudo ia bem até que ao chegarmos à parada do bonde, depois do café, os bondes simplesmente pararam de passar.

Pois é, eu que pensei que ia encerrar o relato da viagem dizendo que o sistema de transporte público alemão era infalível, tenho que admitir que é quase. O bonde demorou uma hora e meia para voltar a passar, e como não passava táxi, nem ônibus e era longe demais pra chegar na escola a pé, o jeito foi esperar mesmo, e assim, acabamos chegando à Bismarkplaz tão tarde que desistimos de ir pra escola e fomos comprar algumas lembranças na Hauptstraße.

Tínhamos marcado com nosso professor pra tomar um café na rua da escola próximo do meio dia e então fomos pra lá, mais tarde ele chegou para fazer companhia e fomos até a escola buscar nossos certificados.

De tarde fomos no museu da Alte Universität, alguns dos edifícios mais antigos ainda em uso pela Universidade de Heidelberg. Lá existe um museu de toda a história da universidade, desde o século XIV até os dias de hoje, os períodos de glória e de destruição, a influência do Nazismo e os grandes nomes que passaram por lá, especialmente na área de Medicina, Física e Química.

Ao lado existe uma sala muito adornada, usada para grandes seminários, que possui no teto 4 afrescos remetendo às quatro primeiras ciências ensinadas ali: religião, direito, medicina e artes. No centro do palanque um busco de Rupert Karl, Eleitor do Palatinado, quando Heidelberg ainda era sua capital e fundador da universidade, que hoje recebe seu nome.

À noite voltamos ao Perkeo, o primeiro restaurante em que jantamos ao chegar em Heidelberg, onde comi um Putenschnitzel. Perkeo era o nome do bobo da corte de Heidelberg, guardião do barril de que falei no post anterior.

Sábado

Para o café, nosso professor saiu para a padaria sozinho e trouxe alguns croissants. Mais tarde saímos para devolver o carro à locadora e almoçar no Dinea.

À noite, fomos jantar no Di Leone, mas infelizmente estava fechado. O jeito foi pegar o bonde observando os restaurantes no caminho de volta pra casa, até avistarmos o Pizza Pronta. Entramos e pedimos duas pizzas grandes. O lugar era propriedade de um iraniano, e na televisão passava em um canal espécie de Zorra Total Alemã, que depois foi mudado para o de uma emissora de Marrocos.

A pizza estava boa e comemoramos o sucesso da viagem e da globalização com 3 brasileiros e um austríaco comendo um prato cino-italiano, no restaurante de um iraniano, assistindo uma novela marroquina na Alemanha. Quando chegamos de volta no alojamento, percebi que tinha esquecido minha boina no restaurante e voltei sozinho para buscar, pelas 10 da noite. Me sentia seguro vagando pelas calçadas, apesar da cidade praticamente deserta naquela hora.

Sexta de manhã tínhamos contratado um táxi para nos buscar no alojamento. Mas quando o carro chegou, apesar de termos explicado que éramos 5 pessoas e tínhamos várias bagagens, mandaram um carro pequeno demais pra essa carga toda. Por sorte, havia outro taxista com um carro maior por perto, menos àquela hora da madrugada e em 10 minutos ele estava lá para nos levar a Frankfurt, onde pegaríamos nosso avião de volta pra casa.

Caminho de Volta

Enquanto nos despedíamos de Heidelberg, pela primeira vez desde que chegamos começou a nevar naquela cidade, formando uma pequena camada branca sobre a lataria dos carros. Aquela neve era prenúncio de uma das mais fortes frentes frias dos últimos tempos na Europa, conforme noticiariam os jornais da semana seguinte. Em Frankfurt (FRA) tomamos o avião para Amsterdã.

No Schiphol (AMS), ao aproveitar a meia hora de wifi de que tinha direito, fui fazer um checkin no Foursquare e vi que meu amigo Victor Pencak, havia feito o mesmo há poucos minutos. Infelizmente já tínhamos passado por barreiras de segurança que dariam trabalho demais serem traspassadas e o encontro teve que ficar para a próxima oportunidade.

Mas, depois de 8 horas de voo até Guarulhos (GRU), os amigos Thássius, Natália e Raphaella (o primeiro conheci pessoalmente naquele momento e as duas eu não via há 6 anos), foram me encontrar no saguão do aeroporto, onde pudemos passar uma horinha conversando até a chamada para a última parte do meu trajeto. A conversa estava tão boa que por uma questão de 15 segundos eu não perdi o ônibus que conduzia ao avião para Manaus.

Finalmente em Manaus (MAO), fui recebido por meus pais, namorada e um amigo, com balões amarelos personalizados. Abraços apertados. Estava de volta em casa.

Auf Wiedersehen!

Velho Continente – dia 1

Postas em dia as obrigações letivas, conjugais e trabalhistas, feitas as malas e abraçados os amigos que deu tempo abraçar (entschuldigung aos que não deu), hora de começar a viagem.

Primeira etapa, MAO – Aeroporto Eduardo Gomes: fiquei com medo da situação da vista do meu pai que anda fazendo drift nas curvas da madrugada. Todos (Hans, Ada e Tatiana) me esperavam no saguão do aeroporto. Assisti Origem (Inception) durante o vôo (no iPad), dormi uma boa parte, sonhei que estava num avião vendo Origem e o tempo passava mais devagar.

Segunda etapa, GRU – Aeroporto de Guarulhos: tentei encontrar amigos de São Paulo, mas meus planos não deram certo. Mesmo assim, aproveitei para comprar uma passagem de ônibus do Aeroporto de Guarulhos para o de Conconhas.

No caminho, do que consegui ver e lembrar, passamos pela Marginal Tietê, Av. Tiradentes, Estação Tiradentes e Estação da Luz (a bonitona). Almocei no SP Burger e aproveitei pra andar um pouco. Decidi voltar às 3:30pm para evitar surpresas de engarrafamento.

Na volta pude perceber também o Largo de São Francisco e o lugar onde será o estádio do Corinthians e, dizem, a abertura da Copa do Mundo do Brasil. Tive então a certeza de que a Arena da Amazônia está com o cronograma em dia. Reparei também que havia 4 penitenciárias próximo dali. Just for the lulz.

Em certos aspectos da estrutura viária da cidade, São Paulo me lembra Atlanta, com uma pitada de Los Angeles. E o fedor da Marginal Tietê. Mas nada insuportável se você frequentar o Manauara.

Em Guarulhos novamente, eu andei pelos três andares do aeroporto (que deve ter o mesmo tamanho do de Miami) até que sentei, fui assistir Clube da Luta e descobri, tardiamente, que o arquivo estava corrompido. Nisso, o autofalante do aeroporto solicitou a presença do Sr. Eduardo Honorato no balcão da Infraero. Assisti então 1/3 de Edith (La Môme), deu sono, guardei tudo, amarrei minhas coisas nos meus braços e dormi.

Mais tarde reencontrei Hans, Ada e Tatiana e fomos fazer o check-in. Por um problema de excesso de lotação eles nos realocaram para uma seção econômica menos econômica que a econômica. Economy Confort. Assim, sim. Legal também eles admitirem que não tem confort na outra economy.

Estou escrevendo no avião enquanto sobrevôo o Ceará. O papel da bandeja de comida é ilustrado com a pintura daqueles tradicionais azulejos holandeses. Deu vontade até de guardar, mas não. É engraçado e curioso ouvir crianças falando Alemão. Ainda não ouvi ninguém falando Holandês alto o suficiente para que eu possa distinguir de Alemão.

Nós podíamos escolher entre opções de jornais portugueses, franceses, alemães e holandeses na entrada do avião. Peguei o jornal alemão por mera questão de tentar ter foco no idioma que vou estudar nas próximas semanas, mas deu vontade de pegar outros também. O papel do jornal alemão tem o mesmo cheiro do USA Today, que eu particularmente não gosto. E a diagramação é bem estranha pra mim: mais largo que alto.

Quero chegar logo em Amsterdã. Não vejo a hora. Meu relógio quebrou. Sem chance de conserto até voltar. E eu tinha decidido de última hora vir com o de pulseira de borracha em vez do de pulseira de metal pra evitar ficar gelando meu braço. Me ferrei.

Desligaram a luz dos corredores. Vou desligar aqui também pra deixar a senhorinha do lado dormir. E dormir também, porque ainda falta um oceano de distância até a próxima etapa (AMS – Aeroporto de Amsterdã-Schiphol).

Desculpem a verborragia.

Auf wiederschreiben.

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