Como Proceder: Vencendo a Inflação

Inspirado numa extensa série de conselhos sumariamente ignorados pelo meu ex-estagiário Jon. Não me responsabilizo pelo seu saldo negativo.

Dizem que dinheiro não nasce em árvore. Mas dinheiro é feito de papel e papel é feito de madeira. Logo, dinheiro nasce em árvore sim. O problema é transformar a árvore em dinheiro.

A gente é tentado a gastar dinheiro com bobagem o tempo todo. Quem nunca comprou um Tic-Tac, um KinderOvo ou um saco de Fandangos na biqueira do caixa? Afinal, agora eu tenho o meu dinheiro e vou comprar Fandangos quando eu quiser. E é exatamente aí que o dinheiro escorre pelas mãos, mesmo sem se sentir…

Uma medida legal pra tentar controlar as finanças é tentar ter um controle dos gastos. Pode ser uma planilha, separando os valores por categoria (alimentação, transporte, educação etc) e por mês, pode ser um aplicativo de celular (gosto do MoneyBook, dica do Murilo). Com esse controle, com tudo anotado, inclusive o Fandangos, você vai saber com o que exatamente está gastando cada centavo. E assim terá uma ideia mais clara de onde poderia reduzir gastos para tentar fazer sobrar algum dinheiro no fim do mês.

Dinheiro não nasce em árvore, mas é feito de pape, que é feito de madeira. Logo, dinheiro nasce em árvore sim.

Eu acrescentaria ainda nesse tópico dois macetes importantes, ainda que quase utópicos: o primeiro é, sempre que possível, parcelar as coisas antes de comprar. Quase sempre é possível conseguir um preço melhor comprando à vista. Carro, casa, escritório/consultório é impossível, claro, mas muitas vezes do intermediário pra baixo é possível. Estude aí as possibilidades antes do próximo  parcelamento; o segundo é se livrar de evitar cartões de crédito, mas acho que eu sou a única pessoa que odeia precisar tê-los. Milhas? Prefiro o sistema métrico.

Poupança

Faça uma poupança. A poupança vem tendo um rendimento abaixo da inflação nos últimos anos, mas é o investimento mais simples e seguro que existe, se o presidente não for o Collor. Não tem incidência de Imposto de Renda (IR) e é amparado pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC) até 250 mil reais. Ou seja, se o banco em que você tiver a poupança quebrar, é possível recuperar pelo menos até esse montante, por CPF. E tem ótima liquidez (disponibilidade do dinheiro), ou seja, você pode sacar sempre que quiser. Só não faça disso um hábito.

A poupança é o passo inicial pra juntar algum dinheiro e fugir do empréstimo e o cheque especial (148% de juros a.a. na Caixa!!!). Não precisa nem ter 18 anos completos, basta ter CPF e o valor mínimo exigido pelo banco para abrir a conta. O ideal seria guardar todo mês um quarto do rendimento líquido nela. É, ninguém faz isso. Seis meses de salário na poupança é uma ótima margem de segurança para o caso de perda de emprego e eventual redução de direitos trabalhistas determinado por quem se elegeu prometendo que estes seriam intocáveis.

Tudo bem se não der pra guardar 1/4 do líquido todo mês, mas guarde 100 reais. Não dá? Então 50, 20, 10. Guarde alguma coisa todo mês. Não importa o quão pouco for possível. Não é porque sobrou 10 reais no fim o mês que você é obrigado a gastar só porque é pouco. Em um ano são 120 reais, mais uns jurinhos de 5% da poupança. Nada mal pra quem não guardava nada. Extrapole esses 10 reais para o quanto você conseguir guardar e as cifras vão aumentando. Se você tem algum objeto que acesse a internet para ler esse texto, você consegue guardar 10 reais em um mês. Dá pra agendar transferências automáticas no Internet Banking, inclusive. Quanto mais cedo você começar, mais tempo (juros) você terá a seu favor.

Cofrinho de Pitchula: a primeira poupança… Quem ainda lembrava da cara das antigas moedas de R$ 1?

Se estiver difícil começar, arranje um cofre e guarde toda moeda de 1 real que parar no seu bolso. Não precisa ser aqueles cofres de 400 reais da Imaginarium. Lembre-se que você está querendo guardar dinheiro. Pode ser uma garrafa PET com a tampa colada, e um corte na parte de cima com a largura exata de uma moeda de um real. O meu primeiro cofre, aos 8 anos de idade, era assim, feito com uma garrafa de Pitchula, que era mais fácil de encher. Se você acha que é crescido demais pra ter um cofre de Pitchula (ainda existe Pitchula?), pode fazer o mesmo procedimento com uma garrafa de Corote ou outra bebida de sua preferência.

O cofre está enchendo de moedas e você está se sentindo o Tio Patinhas. Que divertido! Mas saiba que o Tio Patinhas seria muito mais que quaquilionário se ele colocasse aquele dinheiro todo trabalhando para virar mais dinheiro, em vez de ficar parado em seu cofre-piscina, sendo ameaçado pelos companheiros Petralhas irmãos Metralha e, pior ainda, pela inflação. Dinheiro parado em casa não rende juros. Encheu o cofre? Leve na agência e deposite. O caixa vai adorar, e ainda vai perguntar se você assaltou o picolezeiro.

Chegou o glorioso dia em que você juntou 6 meses de salário na poupança. Você começou a tomar gosto pela coisa, quer mais que uma bela poupança e já não se contenta com juros abaixo da inflação. Parabéns, você foi tomado pelo espírito da ambição e ele pode ser útil. Só não deixe ele cegar os seus olhos e te fazer acreditar em pirâmides (mais sobre isso no fim do texto). E existem meios seguros de fazer o dinheiro trabalhar pra você com segurança, além da nossa querida poupança.

Tio Patinhas não está protegido contra a inflação

Letras de Crédito Imobiliário / do Agronegócio

As Letras de Crédito Imobiliário e as Letras de Crédito do Agronegócio são títulos de renda fixa vendidos por bancos para angariar recursos visando financiar o mercado imobiliário e do agronegócio, devolvendo seu dinheiro num prazo fixo preestabelecido de 3, 6, 12, 18 ou 24 meses acrescido de uns juros camaradas (~85-99% do CDI). Agora você está lidando com uma liquidez diferente da poupança. Você não pode sacar nada antes do prazo. Mas essa indisponibilidade do dinheiro vai te recompensar com juros. E juros a nosso favor é tudo que queremos.

Se pareceu complicado, basta você saber que é um investimento tão seguro quanto a poupança, pois é amparado pelo FGC (até R$ 250 mil, por CPF), e também conta com isenção de IR. Por enquanto. O negócio é tão bom que foi segundo investimento que mais captou recursos depois da poupança em 2014. E 2015 será o último ano bom pra aproveitar essa oportunidade de forma realmente simples e lucrativa.

Primeiro, porque tanto o mercado imobiliário quanto o do agronegócio estão meio que beirando uma certa saturação (não necessariamente uma bolha), consequentemente fragilizando o lastro (garantia real) do investimento (mas fique tranquilo, que o FGC está aí pra isso). Segundo, que exatamente por ser um bom negócio, o governo que nunca na história desse país desperdiçou tanto dinheiro com coisa besta, e em vez de cortar gastos resolve aumentar a arrecadação pra continuar gastando sem freio, já anunciou que vai meter a mão nas famigeradas letras de crédito, cobrando IR das aplicações feitas a partir de 2016. Só de saber que o governo está de olho querendo taxar um investimento dessa forma já é motivo suficiente pra saber que é coisa boa.

Para investir em LCIs e LCAs, você pode procurar no Internet Banking do seu banco ou a gerência da sua agência preferida e se informar mais a respeito. O problema é que os grandes bancos muitas vezes exigem um investimento inicial mínimo de 20 a 30 mil reais. Daí talvez seja interessante procurar algum banco menor que exija um inicial de, digamos, 5 mil reais. Como faz isso? Procure e pesquise direitinho aí que você encontra vários, como Órama, Rico.com.vc, Easynvest etc. Nunca viu 5 mil reais em toda a sua vida? Volte para o tópico Poupança. Finalmente conseguiu juntar 5 mil reais no dia 1º de Janeiro de 2016? Você anda com pouca sorte, mas parabéns pela vitória. Avance para os tópicos seguintes.

A farra das Letras de Crédito não vai durar para sempre

Fundos de Investimento

Subindo um degrau na escala de apetite ao risco existem os fundos de investimento. Segundo o “Como Investir“, um fundo de investimento é um condomínio que reúne recursos de um conjunto de investidores (cotistas) com o objetivo de obter ganhos financeiros a partir da aquisição de uma carteira formada por vários tipos de investimentos. Simplificando, é uma forma de aproveitar as oscilações do mercado para obter maiores ganhos de juros se expondo a riscos menores que a bolsa de valores (que eu nem vou tratar nesse texto).

Existem vários tipos de fundos de investimento com diversos tipos de fundamento que não valeria à pena explicar minunciosamente (nem tenho conhecimento suficiente para tanto). Vou falar brevemente apenas dos Fundos DI (Depósito Interbancário) que são os queridinhos no atual momento econômico Brasileiro do começo de 2015 (o que pode não ser mais se você estiver lendo isso num futuro distante).

Eles são atrelados à taxa SELIC que pra quem vai fazer um empréstimo pode ser uma vilã, mas pra quem está do lado daqui é uma maravilha. Lembrando que aqui existe incidência de IR regressiva, dependendo do tempo que você conseguir manter o investimento. Procure no Internet Banking do banco preferido algum Fundo DI sem taxa de carregamento, com taxa de administração inferior a 1,5% ao ano. Ficou na dúvida, compare os rendimentos nos gráficos deste link.

Câmbio

Existem duas formas de levar vantagem (honesta) com a variação cambial. Uma é com Fundos Cambiais (que são uma modalidade de fundo de investimento) e a outra, comprando fracionadamente Dólares e/ou Euros em espécie, se você tiver a intenção de viajar para algum destino que receba essas moedas. Cartão de crédito internacional? Leia sobre as alíquotas de IOF, chore e volte duas casas.

Se você já tem passagem marcada, é bom comprar a moeda fracionadamente até próximo da data da viagem

Uma vez experimentei um fundo cambial numa época em que o Dólar resolveu cair e perdi um trocado. Escaldado, não aproveitei a atual subida. Me lasquei de novo, porque o dólar subiu uns ~37% nos últimos 6 meses. A poupança? 3%. Por isso que pra investir em fundos cambiais é preciso ter sangue frio e estar pronto pra perder, mas eventualmente ganhar bastante, com disciplina e, claro, um pouco de sorte. Só que eu ainda não falei dos investimentos para claramente perder dinheiro. Um leve e um pesado, que provavelmente vai me dar problema nos comentários. Azar.

Título de Capitalização

Títulos de capitalização só dão lucro para o emissor. No caso, os bancos. Ou o Silvio Santos. Eles têm um rendimento baixíssimo, taxas de carregamento / administração altas e convencem as pessoas de que será possível obter retornos altos anunciando um lucro que você só obteria se fosse contemplado com o prêmio. Mas esse prêmio é como a loteria. E se você quiser ganhar na loteria, seria mais interessante, simples e menos burocrático jogar direto na loteria. Em essência, os títulos de capitalização não cobrem a inflação.

Pirâmides (a.k.a. Marketing Multi-Nível)

Em primeiro lugar, não caia em pirâmides. Pirâmides só dão retorno para o seu idealizador (enquanto ele não é preso). Todos os demais envolvidos se lascam em algum grau. Seja perdendo amizades, seja perdendo dinheiro, seja perdendo os dois. “Ah, mas se você não vender nada pelo menos você tem o produto”. Ótimo, é pra isso que existe uma coisa chamada shopping e e-commerce, onde eu vou e compro o que eu realmente estiver precisando.

“Ah, então vou criar meu próprio esquema de pirâmide”. Não faça isso, amigão. Primeiro que você não vai conseguir, e segundo que ainda que conseguisse, a não ser que você seja filiado a um certo grupo de gente que se diz socialista, mas detesta o socialismo para si e para os seus, o seu esquema será descoberto, você vai acabar preso e vai gastar o dinheiro com indenização aos lesos lesados. Ou seja, nem o idealizador tem retorno por muito tempo.

Pirâmides: até hoje a possibilidade de retorno é mínima

Se você parar pra pensar, pirâmides nunca deram muito certo. No caso Egípcio, em que a meta era a ressureição do faraó, não conheço nenhum que tenha conseguido o seu objetivo, nem o Niemeyer, que ganhou a licitação dos projetos, viveu o suficiente pra ver funcionar. E no caso Asteca (atual México), em que eram realizados sacrifícios humanos em busca da prosperidade, tudo continua da mesma forma na fronteira com os Estados Unidos.

Saldo Final

Isso foi o que eu aprendi até agora. Ainda não experimentei Tesouro Direto, por incompetência de um gerente que ainda não liberou meu acesso, mas ouço falar que é muito bom. Já estou flertando com a Bolsa, mas a única coisa que eu tenho a dizer sobre ela é estude muito e experimente as coisas que eu falei no início antes de chegar lá. Não acho que tenho muita vocação pra empreendedorismo, mas se você tem, ótimo.

Abaixo um vídeo de meia hora, em Inglês, com legendas em vários idiomas, menos Português, mas com muitas informações valiosas sobre como funciona a “Máquina Econômica”. Ele ensina de uma forma bem didática a origem do crédito, como ocorrem os ciclos econômicos e, principalmente, as crises (dica do Victor).

Ficou rico com essas dicas? Me convida pra andar no seu iate. Acha que falei besteira ou tem dicas melhores que as minhas? Que bom que não sou economista, pode aproveitar os comentários abaixo. Acha absurdo alguém dizer que pirâmide é golpe? Aperte Ctrl/Command + W e ganhe 1 milhão de Reais.

Como Proceder: Explicando a memória RAM

Precisava trocar a memória RAM do computador. Minha mãe, preocupada com o risco de me ver destrinchando a máquina pra efetuar a troca e na dúvida sobre qual a importância de um procedimento desses, perguntou o que isso ia mudar.

Expliquei que a memória RAM era como a mesa onde uma criança brinca: a criança seria, no caso, o processador do computador. Quanto maior a memória RAM, maior é o espaço que a criança tem pra brincar. Maior também, é a quantidade de brinquedos com que ela conseguiria brincar ao mesmo tempo.

Memória RAM

Apenas pra finalizar o raciocínio – se algum dia você também precisar explicar essa analogia – poderia expandir dizendo que o HD do computador é o armário onde a criança guarda todos os seus brinquedos. E o brinquedos da criança são, exatamente, os programas que o processador executa.

Já precisou dar uma explicação semelhante?

Como Proceder: Pisando na Lua

Ou “O dia em que fui Neil Gagarin Armstrong”.

Em 2004 a diretora do colégio em que eu estudava organizou um evento que ficou conhecido como a Gincana das Cores. O evento era composto de uma campanha de arrecadação de alimentos, livros e roupas; atividades esportivas; e uma “surpresa” de cada equipe.

As equipes eram formadas por séries mistas em esquemas como:

  • 3º ano, 7ª e 3ª séries. (Amarelo)
  • 2º ano, 6ª e 2ª séries. (Vermelho)
  • 1º ano, 5ª e 1ª séries. (Azul)
  • 8ª, 4ª e Alfa. (Verde)

Dentre as diversas lembranças que tenho daquele evento, desde o mítico caminhão de alimentos até a quase genocida “surpresa” da Equipe Vermelha, acabo de trazer à tona, diretamente das profundezas do meu HD, o roteiro (cheio de furos histórico-científicos, eu sei), as imagens e o áudio da “surpresa” da nossa equipe, a Azul.

A surpresa deveria ser uma apresentação com duração de 5 minutos que exaltasse a cor de cada equipe. Durante o brainstorm do nosso grupo, surgiu a ideia de fazer uma encenação de uma missão espacial. Dê o play e acompanhe.

**********

Baseado em fatos reais.

Após 10 anos de esforços, pesquisas e testes, a missão teve início às 9 horas e 32 minutos, do dia 16 de Julho de 1969. Impulsionado pelo gigantesco foguete Saturno V, partindo do Centro Espacial Kennedy, no Cabo Canaveral, Florida, o Apollo XI, batizado de “Águia”, com 110m de altura e pesando 3 toneladas, foi lançado ao espaço. Alguns minutos antes da decolagem…

 Base para Águia. Tudo O.K.?
 Sim Houston. Tudo checado e pronto para partir.
 A viagem vai durar 125h18m.
 Sim. Sem problemas.

 Iniciar contagem regressiva. 10, 9, 8, 7, 6, 5, 4, 3, 2, 1…

SHHHHHHH

 Base para Águia. Dentro de alguns minutos vocês vão sair da órbita da Terra.
 Positivo.
 Daqui a pouco perderemos contato. Aí é com vocês.
 O.K. Entramos em contato quando chegarmos na Lua.

A bordo da Apollo XI estavam Neil Armstrong, comandante da missão, Michael Collins, piloto do módulo de comando, e Edwin Buzz Aldrin, piloto do módulo lunar.

 A Águia pousou.

(Trilha sonora de 2001 – Uma Odisseia no Espaço)

Às 22h56m a cabine foi despressurizada para que Neil Armstrong abrisse a escotilha, descesse os 9 degraus da escala e, ao estender o pé esquerdo, apalpou o chão firme e poroso, e depois deixou-se ficar de pé. Era o primeiro homem a pisar na Lua. Durante 2h30m os astronautas percorreram a superfície lunar coletando informações sobre a Lua.

 It’s one small step for man,…
 É um pequeno passo para um homem,…
 …But a giant leap for mankind.
 …Mas um grande salto para a humanidade.

 Conte, Armstrong, o que você está vendo!
 Nossa, é incrível andar aqui. Magnífico! É coisa mais linda que eu já vi. As estrelas, os planetas, com seus diferentes tamanhos. O Sol. O Universo é demais! A Lua é linda. Mas há algo que me chama mais atenção, com a sua indescritível beleza…
 Fale!
 Houston… A TERRA É AZUL!

**********

Ao mesmo tempo que fazíamos a encenação, um globo era alçado no alto da quadra para contextualizar a visão com a perspectiva da Lua.

Sim, o áudio é tosco, mas era o que eu sabia fazer em 2004. Mesmo assim, me arrepio sempre que ouço minha voz distorcida gritando que a Terra é Azul(!) junto ao ápice de Então Falou Zarathustra. Sim, quem falou “A Terra é Azul” foi, na verdade, o cosmonauta soviético Iuri Gagarin, primeiro homem a ir ao espaço, em 12 de Abril de 1961, 8 anos antes de Neil deixar sua histórica pegada na Lua. Sim, existem teorias que “comprovam” que o homem nunca foi à Lua.

Whatever, a Equipe Azul foi a grande campeã da Gincana das Cores! \o/

Escrevi sobre essas lembranças porque hoje, 25 de Agosto de 2012, 19 dias depois do pouso da Curiosity em Marte, faleceu Neil Armstrong, primeiro homem a pisar na Lua.

Dedico este post à memória de um dos heróis da exploração espacial. E que o conhecimento que temos hoje sobre o que existe fora da Terra seja apenas um pequeno passo da caminhada da Humanidade pelo Universo.

Escrito ao som de Also Sprach Zarathustra, de Richard Strauss, interpretada por Eumir Deodato, em 1972.

Como Não Proceder: Tecla Insert

Eu e meu primo Israel Conte criamos, em 12 de Junho de 1999, o Vila News, um jornalzinho com informações sobre a vizinhança da vila da nossa família, onde morávamos naquela época. O jornal tinha uma tiragem semanal de umas 20 cópias e era gratuito. Tudo em nome da informação.

Entre 1999 e 2002, quando saiu de circulação, o jornal teve 24 edições normais além de uma edição extra e 3 plantões, estes, em vez de distribuídos, eram colados em uma coluna próxima à entrada da vila, para que todos que passassem por ali pudessem ler. Em 2000 meu primo se mudou para Belém e acabei ficando sozinho na produção do jornal, o que explica a quantidade de edições aquém da quantidade de semanas que existem em 3 anos.

Certo dia eu estava correndo para fechar a pauta da edição que sairia na manhã seguinte e fui surpreendido por uma maldição que acometeu meu WordPad (sim, o jornal era todo feito em WordPad): ao voltar algumas palavras no parágrafo para corrigir alguma coisa, tudo que eu havia escrito à frente começou a desaparecer.

Tecla Insert

Fui ficando tenso ao ver todo o trabalho que estava pronto simplesmente evaporar, à medida que eu ia tentando fazê-lo reaparecer, escrevendo as coisas que eu lembrava. Perdi um parágrafo, depois outro, sempre avançando e seguindo a técnica Charlize Theron, a Meredith Vickers de Prometheus, de fugir de um problema seguindo em linha reta exatamente pelo caminho onde ele vai te alcançar.

Depois de duas horas de ódio (™ 1984), finalmente encontrei minha Nemesis. A maldita tecla Insert, que ao ser desativada, pôs fim àquele pesadelo.

PS: Se alguém por um acaso nunca teve contato com o WordPad, vale dar uma olhada neste artigo da Wikipédia que mais parece ser de sua irmã bem humorada, a Desciclopédia. E se você procura saber como executar o comando Insert no Windows rodando em um Mac, basta combinar as teclas Fn (Function) + Return (Enter) ou Fn (Function) + M.

Como Proceder: Geladeira de Corda

Em Julho de 2003 eu fui para um acampamento de verão nos EUA, bem parecido com aqueles que passam na Sessão da Tarde, mas sem tantas confusões. As cabines onde ficamos alojados tinham chão de madeira sintética, beliches e ar-condicionado. Pois é.


Visualizar Indian Creek Camp em um mapa maior

O acampamento durava de Domingo a Domingo e, durante Quinta e Sexta-Feira, fizemos uma atividade externa. Cada um poderia escolher a sua preferida, dentre umas 10 possibilidades e eu, sem querer sair da minha zona de conforto amazônida, escolhi a canoagem. A organização do acampamento era responsável por prover todo o material para o esporte, assim como os mantimentos, deixando-nos responsáveis apenas pelo que fosse necessário para acampar (desta vez sim, ao ar livre) no fim do dia. Todos levaram barracas desmontáveis e eu, uma rede.

Antes de entrarmos nas canoas, nos deram alguns Gatorades para hidratação durante o percurso, que estavam sem refrigeração. A temperatura durante o dia chegava a 40 graus, caindo para 10 durante a noite – sim, sofri um pouco com a rede – e o rio que percorremos deveria ter, mesmo durante o dia, uns 10-15 graus celsius.

Então olhei pros gatorades quentes, o rio gelado, as cordas de rede que eu havia levado e… por que não? Amarrei o meio da corda na proa da canoa e em cada ponta uma garrafa, joguei as duas pra dentro do rio e panz: fiz uma geladeira, McGyver style. Em menos de meia hora estavam prontas para o consumo.

Como Não Proceder: Removendo Arquivos Temporários

Outubro de 1999. A amiga rouca da minha mãe disse que o computador ficava lento por excesso de arquivos temporários e me ensinou a fazer uma busca, se não me engano “~.tmp”, que retornava com esses arquivinhos.

Eu tinha uns 10 anos, usava Windows 98 Plus! num Pentium 2 de 455MHz, 32MB de memória RAM e 4GB de HD e, como todo PC daquela época, cada procedimento que se pudesse fazer para que ele funcionasse um pouco mais rápido seria bem vindo.

Então fiz a busca, encontrei uma quantidade razoável de arquivos temporários e deletei. O sistema agradeceu. Passei a repetir periodicamente aquele procedimento de extermínio de ícones brancos com bandeirolas do Windows, e tudo sempre ocorreu razoavelmente bem.

~.tmp

Até que certo dia refleti: se esses arquivos brancos com bandeirolas de Windows fazem tão mal ao meu computador, por quê existem tantos no meu HD? E então fiz uma busca, acho que pelo caractere espaço ” “, que retornava com todos os arquivos que estavam no disco rígido, e comecei um trabalhoso processo de limpeza.

Passei uma tarde inteira selecionando milhares daqueles ícones malignos que faziam meu computador ficar lento. Até que quando chegou a noite, terminado o exaustivo trabalho, deletei todos eles e reiniciei a máquina.

Depois da tela de BIOS não aconteceu mais nada. Ela estava limpa.

Como Proceder: Transformando Água em Vinho

Em 2001 eu estava numa programação de jovens da igreja, onde aconteceram várias atividades lúdicas, dentre elas uma peça de que fiz parte do elenco. Na peça eu era, vejam vocês, Jesus, e nela eu realizei um milagre.

A peça tratava justamente do primeiro milagre de Jesus: quando foi convidado para um casamento onde o estoque de vinho não foi suficiente para a quantidade de convidados, sua mãe contou ao anfitrião de que seu filho era um menino prodígio e poderia resolver o problema. Jesus então pediu que trouxessem jarros cheios de água e ao despejá-los nos copos o conteúdo havia se transformado em vinho. (João 2:1-11)

Feita a introdução, passemos ao milagre de fato. Eu era Jesus, Elisa, minha mãe fictícia, contou ao anfitrião sobre meu currículo, disse que eu era fluente em Hebraico, Aramaico, Grego e estava estudando Latim e Persa, e que já tinha quase 30 anos e ainda morava com os pais, portanto, estava na hora de arranjar algo de útil pra fazer, ainda que fosse para ser sommelier de cerimônia de Khupah, Bar Mitzvah e Yizkor, junto com meus 12 seguidores, à época.

“Bodas de Caná”, por Gerard David.

O anfitrião aceitou a sugestão e me convidou a mostrar o que eu seria capaz de fazer para solucionar o problema. De frente à platéia (umas 200 pessoas) despejei um jarro de água cristalina dentro de outro, e com este outro servi o copo do anfitrião. Qual não foi a surpresa da platéia ao perceber o líquido que jazia então no copo do anfitrião, proveniente do segundo jarro era de um roxo notável. A água havia se transformado em vinho.

Mas como ele fez isso, Mr. M?

Vamos ver por outro ângulo. No fundo do segundo jarro havia xarope de suco de uva. Quando da colocação de água do primeiro jarro no segundo, levantei o primeiro o suficiente para que, quando caísse, a gravidade se encarregasse de misturar as duas partes de forma homogênea, realizando assim uma mágica. Ou melhor, um milagre, pois magia é coisa do capeta.

Enfim, você pode testar esse truque em casa, com os amigos ou até mesmo no trabalho, e com sabores de frutas diferentes.

Divirtam-se.

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