É incrível viver no Futuro

Ou “O Futuro Chegou”.

McFly chega ao Futuro

(Se os meus cálculos estiverem corretos, este post será atualizado ainda essa semana com fotos ilustrativas que ~não tive tempo~ de organizar)

Hoje, às 04:12pm – horário de Hill Valley, Califórnia -, Doutor Brown, Marty McFly e sua namorada chegarão no que pra eles parecerá um futuro distante para quem vem de 1985, o moderno e colorido ano de 2015. Pelo menos no imaginário de crianças e adultos que certamente voltarão a ser crianças pelo menos por um instante. Antes de continuar, um breve resumo sobre os três filmes (existe spoiler de 30 anos?) e o trailer de cada um.

A Trilogia

Na primeira parte, Marty viaja acidentalmente para 1955, e acaba atrapalhando o encontro de seus pais, o que afeta a sua própria existência.

Trailer, Parte I

Na segunda parte, Doutor Brown leva Marty até o, então, longínquo ano de 2015, para que ele, se passando pelo filho, evite que esse tome uma decisão errada. Muita confusão acontece, afinal, passava na Sessão da Tarde, e os dois acabam indo parar mais longe ainda.

Trailer, Parte II

Na terceira e última parte, Doc e Marty se encontram no Velho Oeste americano para sua última aventura através do tempo. Uma curiosidade aqui é que De Volta Para o Futuro Parte III foi um dos primeiros filmes a ter o trailer lançado já no final do filme anterior, já que o II e o III foram gravados simultaneamente.

Trailer Parte III, no final da Parte II

Trailer Parte III, versão descritiva para o cinema

Feitos os resumos e apresentações dos filmes, retornamos.

Passado

A trilogia De Volta Para o Futuro é a minha preferida desde as primeiras vezes que assisti em alguma Sessão da Tarde, sentado sem camisa na cama dos meus pais depois do almoço. Não consigo lembrar se vi a parte I ou II primeiro, mas independente disso, a possibilidade de viajar no tempo me pegou em cheio. Imaginar ser possível conhecer locais e momentos históricos, além de ver o que aconteceria no futuro não apenas de si mesmo, mas da própria humanidade é algo que com certeza fascina a muitos.

Suspeitando que talvez a Ponte sobre o Rio Negro não fosse ficar pronta até 2015

E por isso mesmo eu sempre parava para assistir os filmes quando passavam na televisão. Eram tempos sem DVDs, Netflix e Locadora do Paulo Coelho, além do que alugar filmes não era algo tão comum lá em casa. E nas minhas brincadeiras tinha um carrinho azul da HotWheels, que em nada parecia o estiloso carro de aço escovado, apenas pelo fato de ele ter umas peças saindo do capô que lembravam os ajustes feitos pelo Doc. Brown de 1955 para fazer o segundo McFly que veio de 1985 viajar para 1885.

Visitando uma loja de brinquedos em 2011

Mais pra frente fui no Back to the Future – The Ride, um brinquedo da Universal Studios, onde você podia entrar numa réplica de DeLorean e viajar no tempo atrás do Biff, o vilão da história. Do lado de fora era possível tirar fotos com um DeLorean e uma locomotiva originais do flime, além de eventualmente encontrar um sósia do Doutor Brown inventando maluquices. Infelizmente o Ride foi fechado em Março de 2007, para dar lugar a uma atração dos Simpsons. Ainda que seja necessário atualizar os parques com atrações mais modernas, eu acho que poderiam ter esperado pelo menos até esse ano antes de fazer a mudança. É possível ver o vídeo da atração abaixo como era o passeio.

BTTF, The Ride

Ainda existem objetos e cenários do filme que podem ser visitados, como os carros que ainda estão nos parques da Universal, a praça da torre do relógio está na cidade cenográfica da Universal da Califórnia, o Puente Hills Mall na City of Industry (no filme caracterizado como Twin Pines/Lone Pine Mall), o ginásio de Whittier (no filme caracterizado como o ginásio de Hill Valley), o The Plaza Hotel and Casino em Las Vegas (no filme caracterizado como o Casino do Biff no 1985 Alternativo), o túnel do Observatório Griffith em Los Angeles, onde ocorre a perseguição no final do segundo filme, o parque Monument Valley, em Utah, e a vila Chinese Camp, no caminho para o Parque Yosemite, na Califórnia, ambos presentes no terceiro filme.

E é interessante que o De Volta Para o Futuro parece muito mais grandioso e ~épico~ do que ele realmente é graças à fantástica trilha de Alan Silvestri (que também fez Forest Gump – que toda vez que eu ouço assistindo o filme choro como no final de Toy Story 3 – e Vingadores), que criou uma assinatura sonora inconfundível para o filme: Pam-pam-pam… pam-ram-ram-pam-pam-pam… pam-ram-ram-pam-pam-pam-pam… pam… pam-ram-ram… A música tocou na sua cabeça, que eu sei.

Presente

Chegamos em 21 de Outubro de 2015 onde, no filme, os CDs e Videodiscos são coisas do passado que as pessoas estão se desfazendo, há uma aura de nostalgia em torno dos anos 80, as roupas e acessórios são inteligentes e se conectam entre si, existem drones capazes de voar distâncias razoáveis fazendo imagens de ângulos inéditos, é possível fazer pagamentos e abrir portas apenas com o toque da impressão digital, as TVs são grandes, planas, têm comando de voz, com centenas de opções de entretenimento, existem óculos de realidade virtual que você pode usar pra se comunicar, assistir filmes e fazer ligações, Michael Jackson dá dicas de dieta na televisão, os carros voam e o fax é onipresente.

Michael Jackson infelizmente já partiu para Terra do Nunca, os carros que voam não pousam bem e o fax não é onipresente, mas pelo menos o conceito de hipercomunicação por trás da ideia do fax onipresente pode-se dizer que está nos smartphones que muitos carregam no bolso. E o skate voador, ah o skate voador… Será que existe alguma pessoa que nunca teve vontade de subir em um skate que flutue pelo menos uma vez na vida?

Vontade de dirigir um DeLorean pelo menos uma vez na vida não falta, de preferência, com capacitor de fluxo funcional

Fora isso ainda faltam as jaquetas e sapatos que se ajustam sozinhosNike, estou falando com você -, apesar de que eu tive um tênis da Reebok (Pump 2.0 Wrapshear) que usava um sistema de pequenas bolsas de ar para se firmar ao pé sem a necessidade de cadarços ainda em 2005~2006, que pra mim sempre foi o futuro dos calçados. Tem também os hidratadores de comidaBlack & Decker e Pizza Hut, por favor -, e os refrigerantes com vitamina e baixo teor de açúcarPepsi, você poderia ser maior que a Coca-Cola fazendo isso -, e hologramas de verdadea Microsoft está trabalhando no HoloLens que é o mais próximo que temos até agora -.

Em compensação, temos telas sensíveis ao toque, que permitiram a existência de smartphones, tablets, ereaders, smartwatches, além das lâmpadas, termômetros, portas e geladeiras conectadas resolvendo diversos problemas que nunca tivemos antes deles. Já vi até uma geladeira que misturava os ingredientes dos refrigerantes em tempo real, permitindo muito mais opções que uma wending machine convencional. E os carros não voam, mas já existem alguns que sabem dirigir sozinhos melhores que muitos humanos.

Futuro

O que podemos esperar do futuro? Por muitos anos o principal pedido de muitos era que houvesse mais um filme na trilogia. Cheguei a ler entrevistas em que os criadores da saga diziam que o Ride dos parques da Universal seria a continuação que as pessoas pediam. O fato é que com a doença de Michael J. Fox e o risco de um novo filme ou um reboot da série ser mais do mesmo acabaram enterrando de vez essa possibilidade, pelo menos enquanto o diretor Robert Zemeckis estiver vivo. E gente com vontade de mexer na história não falta.

Hoax: Fast to the Future

Acredito que mais do que tênis que fecham sozinhos, carros e skates voadores, o que todo mundo quer de fato é que a viagem no tempo em si. Conhecer mais da nossa história e vislumbrar o que a humanidade é capaz de fazer de bom (de ruim a gente já sabe até demais). Essa invenção infelizmente é mais difícil. Até agora o máximo que dá pra fazer é ir alguns milésimos de segundo pra frente. E pra trás é impossível (até agora).

O fato é que a partir de agora, o filme vai ficar cada dia mais datado. Alguns objetos e conceitos vão parecer cada dia mais antigos. O filme, os seus criadores, os atores, e os fãs vão todos envelhecer. E nos resta apenas sonhar e construir os nossos futuros e nossas histórias. Afinal…

“O futuro ainda não está escrito.”

Obrigado Marty e Doc. Brown pela aventura. Nos vemos no futuro. Ou no passado, talvez.

Pam-pam-pam-pam pam-pam-pam-pam… Pam-pam-pam-pam pam-pam-pam-pam…

The Future Is Now!

O Woody nunca te abandona

Abril de 1996

Sentado de calção vermelho e sem camisa, no carpete verde-escuro do quarto dos pais, tirando uma fita VHS (tinha que rebobinar no final, lembra?) da embalagem de papelão com dois bonecos sorridentes, um cowboy e um astronauta, voando em frente a uma parede de fundo azul com nuvenzinhas, diante do olhar atônito de um dinossauro, um cachorro-mola, um porquinho, uma batata com olhos e uma pastora de ovelhas na capa.

Gargalhadas de criança a cada explosão de foguete ou desmontes do cabeça-de-batata. Já duvidava um pouco da existência do Papai-Noel (é, o tempo prova que certas coisas não mudam), mas imaginar que brinquedos legais pudessem ter vida parecia divertido.

Revi o filme trezentas vezes, ou quase isso. Criança parece que nunca enjoa das coisas, desde que não esteja com fome ou com sono. Mas quem era guri naquela época e teve a oportunidade de ir ao cinema ou conseguir uma fita, com certeza fez o mesmo.

Dezembro de 1999

– “Mãe! Vai passar toistori dois no cinema!”

E assim começava a empentelhar os pais para ir assistir ao segundo filme no cinema. Na época, o hoje em dia desprezado Severiano Ribeiro do Amazonas Shopping era o que havia de mais moderno e confortável na cidade.

O filme é legal, não apenas por dar um bom prosseguimento à história do primeiro filme, mas também, apresentando personagens novos e falando um pouco mais sobre a origem de cada um deles. Só achei meio chata a parte da história da Jesse.

Comprei o VHS desse e assisti outras trezentas vezes.

Junho de 2010

Andy vai para a faculdade…

A frase inicial da chamada para o terceiro filme mostra duas coisas: primeiro, que a proposta da história é algo um pouco diferente das anteriores, não apenas centrada nos brinquedos, mas também nas pessoas; segundo, o Andy envelheceu um pouco mais devagar que eu, que já estou prestes a sair da faculdade.

Woody

ALERTA DE SPOILERS

Quem ainda não assistiu Toy Story 3, pare a leitura aqui, vá assistir e volte depois. Não vou ficar adiantando as piadas e situações que acontecem no filme, que eu achei engraçadão, mas preciso contar sobre o seu desfecho.

Após recuperar seus brinquedos (mais uma vez) prestes a finalizar as malas para partir para a faculdade, Andy resolve dar todos os seus últimos brinquedos, por ideia de Woody, a uma garotinha que “brinca direito” (mote do fim do primeiro filme).

Andy vai até a casa da garotinha, filha de uma amiga da sua mãe, e começa a mostrar cada um dos brinquedos para ela, contando como ele os enxergava em sua imaginação quando criança, falando enfim, do Woody…

– “O Woody nunca te abandona…”

…e termina contando do valor que cada um dos brinquedos tinha para ele…

Naquele momento quem, durante a infância, teve aqueles filmes como preferidos, ou simplesmente qualquer pessoa que lembre de quantas histórias criou com seus brinquedos, e dê um salto no tempo até o momento em que percebeu que estava na hora de deixar os brinquedos de lado (ou passá-los a diante), deixar de ser criança, crescer, tornar-se adulto e começar a assumir responsabilidades, enfim, quem conseguir colocar-se no lugar do Andy, dificilmente não vai se emocionar.

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