A Civilidade e o Lixo

O reaça…

Ain, no Brasil se joga lixo no chão no réveillon, absurdo, falta de respeito, se fosse nos EUA / França / Alemanha não aconteceria isso. Esse país nunca vai ser “civilizado”.

E o petralha…

Ain, nos países que você chama de “civilizados” e que eu faço discurso de que odeio, mas vivo / frequento / sonho todos os dias em conhecer também se joga lixo no chão, troxa, complexo de vira-lata, uhul, ganhei.

Conclusão:

Pro Brasil ser um país “civilizado” pode jogar lixo no chão que tá sussa.

¯\_(ツ)_/¯

¯\_(ツ)_/¯

Comandante Chávez

No fim da tarde de 05 de Março de 2013, à sombra dos 60 anos da morte de seu ídolo Josef Stalin, morreu Hugo Chávez, presidente da Venezuela por pouco mais de 14 anos.

O Comandante Chávez lutava há mais de 2 anos contra um câncer, tendo realizado algumas cirurgias e procedimentos de recuperação (inclusive no Brasil). Após o regresso de Cuba, onde havia feito seu último procedimento, sofreu uma forte infecção respiratória no Hospital Militar de Caracas e não resistiu.

É uma pena a perda de um líder como Chávez. Ele merecia viver pra ver a Venezuela ser desenvolvida e próspera como ela tem potencial de ser quando finalmente for bem governada.

Comandante Chávez

Descanse en paz Comandante.

PS: Menções aos termos reaça, Partido da Imprensa Golpista (PIG) ou até mesmo PeTralha invalidam quaisquer argumentos e causam bloqueios sumários.

Consciência Brasileira

O dia 20 de Novembro é considerado, por força da Lei 10.639, o Dia Nacional da Consciência Negra, incluído no calendário escolar em conjunto com a adição à grade curricular de conteúdo programático sobre História e Cultura Afro-Brasileira. Aproveitando o ensejo, muitas cidades, como Manaus, adotam o dia como feriado municipal.

A intenção é das melhores, a importância do Negro na construção do Brasil que temos hoje é tão grande, senão maior, que a dos demais grupos étnicos que juntos resultaram neste caldeirão miscigenado e multicultural que é este país. Entretanto, alunos evangélicos à parte, o todo poderoso Morgan Freeman tem uma mensagem a respeito desta separação de história e cultura Afro do resto da história geral.

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Todos contribuíram para a construção da nossa nação como ela é hoje, e não devem ser enxergados como sistemas isolados, e sim, como peças de uma grande engrenagem chamada Brasil.

Voluntariado

Quer ser voluntário de verdade? Procure um hospital do câncer, vá até um abrigo de crianças abandonadas, um asilo, vá pras ruas ajudar no trânsito, doe sangue, ponha um nariz de palhaço e faça uma criança doente sorrir em um hospital qualquer, ajude um velhinho a atravessar a rua, vá ser escoteiro, vá passear com o cachorro do seu vizinho que está doente, vá pentear macaco em extinção, ou então chegue para a FIFA e diga que você aceita trabalhar por 22 dias, 10h por dia em troca de que R$ 1 mil sejam doados a uma instituição de caridade, para uma escola, uma creche.

Isso tudo sim é ser voluntário. Isso tudo sim vai pesar no seu currículo vitae. Isso tudo sim vai te tornar uma pessoa um pouquinho melhor e com toda certeza, isso tudo vai transformar a vida de muito mais gente do que apenas o seu ego, vestido com uma camiseta da FIFA com a frase “May I help you?” nas costas.

Sandro Augusto, do Brasilianas.org, sobre o Programa de voluntariado para Copa FIFA de 2014. Leia na íntegra aqui.

Saudade

Originalmente publicado no blog do Trânsito Manaus no Portal D24AM. Leia também o texto anterior, sobre o Chafariz das Quimeras.

Poucos lugares de Manaus guardam em seu nome um significado tão profundo e condizente com os diversos contextos pelos quais passou através dos tempos quanto a Praça da Saudade. Cada geração que visitou aquele passeio público, ao longo de seu quase um século e meio de existência, presenciou um lugar totalmente diferente, levando qualquer um a pensamentos nostálgicos de histórias outrora vividas ali.

O largo estendia-se desde o quadrante das atuais rua Simón Bolivar, avenidas Epaminondas e Ramos Ferreira, até o extremo norte da Av. Eduardo Ribeiro (antiga Av. do Palácio), onde hoje se encontra o Instituto de Educação do Amazonas – IEA, unindo-se ao espaço da atual Praça Antônio Bittencourt – também conhecida como Praça do Congresso – com a forma semelhante a um L invertido.

Imagem aérea do Largo de São Sebastião até a Praça da Saudade, no fim da década de 1890

Com o início da construção de casas e palacetes em seu entorno, transformando o espaço em um quadrilátero, ainda sem arborização, passou a ser encerrado pela atual Av. Ferreira Pena. O responsável pela delimitação da área, que já era frequentada pela população desde 1858, foi o governador Francisco José Furtado (mandato 1857-1860), que também ordenou a construção de uma cerca no entorno do cemitério em 1859. Em 1865 foi aprovada na Câmara Municipal a proposta de urbanização e arborização do largo, com o objetivo de transformá-lo em um horto, o que não logrou êxito.

O espaço constava nos registros oficiais como Largo 5 de Setembro, em referência à data de elevação do Amazonas à categoria de província. Entretanto, em Julho de 1867, por sugestão do vereador Antônio Davi Vasconcelos Canavarro foi oficializado o nome, com base no costume já consolidado pela população que referia-se ao lugar há vários anos como Largo da Saudade, por estar situado defronte ao antigo Cemitério de São José, que jazia situado no bairro de mesmo nome, hoje em dia integrado ao Centro. Mais tarde, em 1897, passou a receber a denominação oficial de praça.

Praça da Saudade nos anos 1900

Em 1º de Agosto de 1899, com o início das operações da Manaus Railway Company na cidade – que fora a segunda do Brasil a iniciar a instalação de bondes elétricos e a terceira a pô-los em operação –, a Praça da Saudade recebeu um itinerário dedicado com seu nome, que realizava 53 viagens diárias. Nos dias atuais, um dos veículos desta linha foi restaurado e passou a ser exibido no estacionamento do Teatro da Chaminé, sendo posteriormente transferido para o Largo de São Sebastião.

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Às 4 da tarde de 13 de Fevereiro de 1915, uma sexta-feira, Ária Ramos, uma jovem de 18 anos da sociedade manauara, pegou a linha da Saudade descendo a Rua Municipal, sentido Catedral. Não parou na Praça Heliodoro Balbi, pois a ronda dos soldados lhe atrapalharia a concentração, pensou.

Subiu a Avenida do Palácio e seguiu até a praça que emprestava o nome à linha, a fim de praticar as lições de suas aulas de violino, sentada sob a sombra das árvores. Na semana seguinte dar-se-iam os festejos de carnaval e, por conta dos preparativos, sua vizinhança do Canto do Quintela andava muito barulhenta, com as mães e filhas confeccionando as fantasias que seriam usadas nos bailes.

Ária Ramos

Ária queria praticar os acordes da música “Subindo aos Céus”, que lhe fora ensinada pela professora de violino em Janeiro. A mestra havia conseguido uma oportunidade para que ela realizasse uma apresentação pública na semana seguinte e, apenas ao estar sozinha na praça, a jovem conseguia afastar a ansiedade e o nervosismo que a dominavam sempre que pensava na opinião da audiência que lhe assistiria.

De repente, Ária foi surpreendida por Othon, seu amigo de tantas brincadeiras, desde os 5 anos de idade, quando a família dele mudou para o “Quintela”. Ele era 2 anos mais velho, já havia terminado o ginásio, mas nunca ingressou em escola superior. Ganhava a vida como engraxate na Av. do Palácio, e gostava de fazer às vezes de boêmio no Café dos Terríveis nas noites de Sexta. Ele viu quando Ária subiu de bonde pela principal avenida da cidade e seguiu o veículo a pé, para ver até onde ela iria.

Ária e Othon, de tão próximos desde a infância, já haviam trocado algumas juras de amor e sonhavam em casar na Igreja de Nossa Senhora dos Remédios, a quem Ária era devota. Infelizmente a família da moça tinha outros planos. Décio, um homem de 26 anos, bacharel da 5ª turma de Direito na Escola Superior Livre de Manaós, havia pedido a seo Aristharco Ramos, pai de Ária, a mão da jovem em casamento, que aceitou com um semblante de satisfação. Aristharco tinha certeza de que Décio certamente daria um futuro de felicidade e segurança a sua filha.

Othon perguntou o que sua amiga estava tocando, que respondeu com um sorriso o nome da música e que apresentaria em um baile na semana seguinte. O rapaz prometeu que iria assistir a apresentação, deu-lhe um beijo na testa, despediu-se e saiu andando em passos rápidos ao, astutamente, perceber a aproximação da carruagem de Décio, que cada dia mais considerava um rival. Othon já virava a esquina na Avenida João Coelho quando Décio estacionou ao lado da Praça da Saudade e se aproximou da jovem.

Um pouco decepcionada por não conseguir praticar sua música, Ária saudou seu prometido futuro esposo com pouco ânimo. Este irritou-se pelo desprezo com que fora tratado e falou alguns impropérios, emendando com a acusação de que imaginava que ela estava encontrando o amigo de infância, a quem chamou de rufião. Despediu-se sem sequer tocá-la e prometeu que em pouco tempo daria cabo da vida do rapaz, apontando para o Cemitério de São José, e subiu em sua carruagem, açoitando o cavalo com força e se afastando rapidamente dali.

*****

Praça da Saudade nos anos 1910

No decênio entre 1928 e 1938 o logradouro sofreu constantes mudanças de nome – o que gerou críticas por parte da população –, porém passou também por duas importantes reformas. A Lei nº 1.477, de abril de 1928, transformou a Praça da Saudade em Praça Washington Luís, com a assinatura do prefeito José Francisco de Araújo Lima (mandato 1926-1929). Em 1930, o Decreto nº 01 retirou o nome do 13º presidente para dar lugar a Praça Getúlio Vargas, homenageando o presidente de então. No ano seguinte, por força do Decreto nº 49/1931, retornou à denominação de Praça da Saudade.

O prefeito Emmanuel Morais (mandato 1931-1932) ordenou, em 1932, a construção de jardins e passeios, bem como o fechamento do Cemitério de São José. Anos mais tarde, durante reunião realizada em 3 de Setembro de 1937 na Câmara Municipal, o vereador Sérgio Rodrigues Pessoa, lamentando que a “[…] data de maior júbilo para o Amazonas […]” fora relegada ao nome de um beco ao lado da Igreja dos Remédios, apresentou Projeto de Lei que alterava novamente a denominação da Praça da Saudade para Praça 5 de Setembro. Ato contínuo, o projeto foi aprovado, tornando-se a Lei 225, de 6 de Setembro de 1937, cujo artigo único dizia:

“A atual Praça da Saudade passa a chamar-se de hoje em diante e para sempre, Praça 5 de Setembro, revogando-se as disposições em contrário.”

A modificação do traçado original e a plantação de espécies exóticas consolidando a aparência pela qual a praça ficou mais conhecida, foram conduzidas pelo prefeito Antônio Botelho Maia (mandato 1936-1941), em 1938.

Praça da Saudade nos anos 1950

A partir de 1962 deu-se início a uma reforma que alterou profundamente a aparência da praça. Primeiramente, o prefeito Josué Cláudio de Souza (mandato 1962-1964) ordenou a instalação, na lateral direita da praça, de uma larga piscina com duas curiosas estátuas de bronze. Eram as representações do Homem Primitivo – com traços de Neanderthal – e do Homem Moderno. Grande parte da vegetação foi retirada, além das pérgolas de madeira, dando lugar ao concreto.

Homem Moderno e Homem Primitivo

Em 1963 o governador Plínio Ramos Coêlho (mandato 1963-1964), nacionalino inveterado – tendo inclusive sido presidente do Leão da Vila Municipal –, resolveu “esconder” o campo do rival Atlético Rio Negro Clube da vista dos transeúntes da praça construindo, por toda a sua extensão oeste, um largo edifício onde funcionaram, em diferentes momentos, a Secretaria de Estado de Justiça – SEJUS e a Superintendência Estadual de Habitação – SUHAB.

Avião DC-3 da Cruzeiro

Entre 1977 e 1984 (quando foi vendido para uma oficina de desmonte), havia um avião DC-3 pertencente à Companhia Cruzeiro em exposição na área sul da praça, chamando a atenção de adultos e crianças que iam nas tardes de domingo tirar fotos diante daquela atração. Durante os anos 1990 por diversas vezes havia brinquedos para as crianças além de algumas feiras itinerantes.

Vista aérea da Praça da Saudade no começo dos anos 1980

A Lei Municipal nº 343/1996, assinada pelo prefeito Eduardo Braga (mandato 1994-1997), alterou pela última vez o nome da Praça 5 de Setembro, para chamá-la novamente de Praça da Saudade. Porém o espaço chegou aos anos 2000 cheio de ambulantes e com pouca manutenção. Em 2007, o prefeito Serafim Corrêa (mandato 2005-2008) deu início à reforma que objetivou revitalizar os contornos que a praça possuía na primeira metade do século XX. O início dos trabalhos contou com a participação do senador Jefferson Peres, que há muitos anos já declarava seu anseio pela retirada da secretaria daquele lugar e o retorno da antiga aparência da praça. Na ocasião do início das obras, o senador, em um gesto simbólico, deu a primeira marretada do processo de demolição do edifício construído pelo governador Plínio.

As obras foram concluídas pelo prefeito Amazonino Mendes (mandato 2009-2012), culminando na re-inauguração em 30 de Abril de 2010. A reforma marcou o retorno do caminho circular, margeado pelo gramado, pelas flores e por mudas de árvores, entrecortado por calçadas radiais que levam das extremidades até o centro, onde está erguida desde 11 de Maio de 1883, por sugestão do vereador Silvério Nery e ordem do governador José Paranaguá (mandato 1882-1884), a estátua de Tenreiro Aranha, precursor da luta pela emancipação do Amazonas da província do Grão-Pará, figurando ainda na história deste Estado como o primeiro governador (mandato 1852-1853).

Praça da Saudade após restauração de 2007

Retornaram também as pérgolas (ou caramanchões) de madeira fazendo sombra aos bancos onde casais, jovens e idosos, se sentam ao fim da tarde e dão um aspecto aconchegante de jardim à Praça da Saudade. As estátuas do Homem Primitivo e do Homem Moderno foram retiradas e não se sabe ao certo o seu paradeiro. É provável que estejam no almoxarifado da prefeitura, onde por alguns anos também foi o morada do Chafariz das Quimeras. Infelizmente o senador Peres falecera um ano antes da re-inauguração, não chegando a ver seu sonho da praça restaurada realizado.

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Notícias recentes envolvendo a Praça da Saudade

– Jardinagem na Praça da Saudade precisará ser recuperada após Virada Cultural
– Lixo na Praça da Saudade se acumula e mostra falta de educação dos manauaras
– Cheia no Centro de Manaus muda itinerários dos ônibus

Referências

Entrevistas
– Serafim Corrêa, ex-prefeito de Manaus, sobre a ordem de colocação das estátuas do Homem Primitivo e Homem Moderno e o seu paradeiro.

Livros
– GARCIA, Etelvina. O Amazonas em Três Momentos: Colônia Império e República. 2ª ed. Manaus: Editora Norma, 2010. 144 p.
– LIBÓRIO, Nicolau. Memórias do Esporte no Amazonas. Manaus: Editora Uirapuru, 2009. 202 p.

Sites
Baú Velho
– EvangeBlog
Manaus Ontem
– MyAviation.net
– Urutu
Wikipedia

São Paulo, 1943

Segunda Guerra Mundial. Os Estados Unidos precisavam de matéria-prima para suprir suas necessidades beligerantes. O Brasil buscava prestígio diante dos EUA, já consolidados como a maior potência do mundo.

Neste contexto de necessidade mútua é produzido um documentário pelo departamento americano que coordenava negócios inter-americanos, para estimular relações amistosas com países da America do Sul, capitaneados por São Paulo, a cidade latino-americana que mais crescia naquela época.

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Interessante observar na parte do vídeo que trata das indústrias, que a borracha da Amazônia era uma das molas-mestras daquela engrenagem industrial.

Quimeras

Originalmente publicado no blog do Trânsito Manaus no Portal D24AM.

O ano era 1911 e Manaus despontava como uma das metrópoles mais prósperas do Brasil e do Mundo. Uma das primeiras cidades do Brasil a ter telefone, água encanada e sistema de esgoto, além de ser a segunda a ter energia elétrica, que alimentava um transporte público eficiente e que cobria todas as regiões da cidade, inclusive a periférica região de Flores que deu nome ao bairro situado no mesmo local hoje em dia.

O prefeito de então, Dr. Jorge de Moraes (mandato 1911-1913), o primeiro de nossa história a ser eleito pelo voto popular, surgiu com a ideia de celebrar a glória da cidade ordenando a construção de uma fonte, para servir de adorno à Praça do Comércio e refrescar os transeuntes da Paris dos Trópicos, numa época em que condicionadores de ar eram apenas uma ficção distante e esta era a principal forma de reduzir a temperatura no perímetro urbano. Naquele mesmo ano foi erguido o Chafariz das Quimeras, situado no cruzamento das ruas Epaminondas e Visconde de Mauá (antiga Demétrio Ribeiro), defronte ao tradicionalíssimo Café dos Terríveis.

Inauguração do chafariz, em frente ao Café dos Terríveis

O chafariz era composto por uma grande cuba de concreto, que ressurgia no centro em forma de cruz, servindo de alicerce para um cilindro metálico curto que se encerrava em uma grande bandeja de ferro. A seguir um novo cilindro, com o dobro do tamanho, dividido ao meio por um adorno circular. Os cilindros eram bem adornados e acima deles jazia uma última bandeja, menor, de onde brotava água sob os pés da musa grega que portava uma tocha brilhante encerrada em ferro e vidro.

Nos pontos cardeais da fonte, quatro quimeras, animais fantásticos com cabeça de leão, asas de águia e cauda de dragão, vigilantes, fazem a guarda de sua majestade. Em um dos lados, uma torneira de ferro servia de água fresca qualquer um que por ali passasse. Ao redor, um jardim baixinho, com uma pequena cerca de metal, quase imperceptível.

Vista Aérea parcial de Manaus, com as praças do Comércio, XV de Novembro e Oswaldo Cruz na metade inferior direita

Alguns anos após a sua inauguração, com a capital vivendo os últimos instantes de intensa glória e efervescente emigração de brasileiros e estrangeiros pelo movimentadíssimo Roadway, o prefeito decide mover a fonte para a Praça XV de Novembro, entre as Praças do Comércio e Oswaldo Cruz, de costas para a Catedral de Nossa Senhora da Conceição e de frente para o porto, para recepcionar aqueles dos quais muitos de nós descendemos hoje em dia.

Já na segunda instalação, o sistema de fonte foi removido, sendo instalado apenas o pilar central com a musa e as quimeras, tendo os pés destas sido adornados por plantas. E ali a musa e suas quimeras acompanharam melancolicamente o súbito declínio da borracha e consequente cessação da chegada de grandes navios de passageiros e de barões da borracha que outrora por ali andavam acendendo seus charutos com notas de mil contos de réis. As mansões ao redor foram dando lugar a comércios e no espaço entre a fonte e a catedral foi construído um aquaviário e um pequeno zoológico.

Praça XV de Novembro: o chafariz virou uma simples estátua

Décadas se passaram, e no começo dos anos 1970 a cidade já contava com aproximadamente 620 mil habitantes (quase o dobro da década anterior). Com a concentração cada vez maior de comércio no centro da cidade, as pessoas foram migrando para os novos bairros que iam surgindo na periferia e, conjuntamente com o evento do desmonte da Cidade Flutuante, na segunda metade dos anos 1960, muitas daquelas pessoas que antes se deslocavam para o centro a pé passaram a usar transporte coletivo e o sistema precisou de um terminal central maior, que suportasse aquela demanda crescente de ônibus, solução de transporte público que substituiu os bondes cuja lembrança restou apenas nos velhos trilhos de metal.

Criou-se o Terminal da Matriz e, para que houvesse mais espaço, a fonte foi retirada por ordem do prefeito Paulo Pinto Nery (mandato 1965-1972), e instalada na Rotatória da João Coelho (Rotatória do Olímpico), construída para organizar o trânsito no cruzamento entre as avenidas Constantino Nery (anteriormente conhecida como Av. João Coelho) e (Boulevard) Álvaro Maia / Kako Caminha. E dali a musa pôde observar a expansão da cidade que crescia em todas as direções, até – mais uma vez – se tornar vítima do mesmo progresso que acompanhara impassível até ali.

Paulo Pinto Nery: transferiu a musa para a Rotatória da João Coelho

Na administração de Alfredo Nascimento (mandato 1997-2004) como prefeito de Manaus, fez-se necessária a construção do Viaduto D. Jackson Damasceno Rodrigues, entre 1998 e 1999, para desafogar o cruzamento das duas avenidas, que recebiam cada vez mais tráfego após a ascensão da Av. Brasil, no bairro da Compensa, como uma área comercial de preços acessíveis. E a fonte foi então desmontada, para passar vários anos abandonada em um depósito da prefeitura.

Em 2003, ainda na administração de Alfredo Nascimento, integrando a ornamentação paisagística da reforma realizada na Av. Mário Ypiranga Monteiro (antiga Recife) foi construída, no cruzamento desta com as ruas Carlota Joaquina e Rio Negro, a Rotatória do Eldorado e no seu centro foi instalado novamente o chafariz.

Rotatória do Eldorado: bonita instalação, porém disposição incorreta

Infelizmente, por um erro na instalação, as quimeras foram postas de costas para os observadores, deixando de proteger sua musa para tornarem-se apenas suas observadoras e uma seção do cilindro central foi retirada, fazendo com que o resultado final ficasse mais baixo que a versão original. Além disso, com o tempo, a fonte foi permanentemente desligada, sendo então retirada em 2009.

Por fim, com a construção do Parque Estadual Jefferson Peres, como parte dos trabalhos de reurbanização de igarapés do PROSAMIN, durante a administração do governador Eduardo Braga (mandato 2003-2007), por sugestão do secretário de cultura Robério Braga, o Chafariz das Quimeras ganhou um lugar de honra de frente para a lagoa artificial das Vitórias-Régias, na confluência dos dois braços do Igarapé de Manaus, onde até hoje pode ser encontrada e admirada.

Parque Jefferson Peres: um lar para receber as visitas das próximas gerações

Abaixo você confere os cinco lugares descritos no texto.


Visualizar Roteiro do Chafariz das Quimeras em um mapa maior

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Atualização em 15/07/2012.

Observando as atualizações do Facebook encontro um álbum do prof. Sérgio Freire, com fotos de Barbara Heyd, e no meio delas, a imagem da Rotatória da João Coelho, conhecida como Bola do Olympico, com a aparência que teve entre os anos 1970 e a segunda metade dos anos 1990, quando foi desmontada, dando lugar ao viaduto.

Rotatória da João Coelho com o Chafariz das Quimeras, em 1972.

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Referências

Entrevistas
– Serafim Corrêa, ex-prefeito de Manaus, sobre datas de construção das obras recentes.

Livros
– MONTEIRO, Mário Ypiranga. Negritude e Modernidade: a trajetória de Eduardo Gonçalves Ribeiro. Manaus: Editora Umberto Calderaro, 1990. 161 p.

Sites
Descobrindo o Amazonas
– J. Martins Rocha – link 1link 2link 3
O Eldorado é Aqui
Manaus Ontem

Velho Continente – dia 2

Eu dormi tanto que pareceu que tinha viajado no espaço-tempo-contínuo. Dormi na costa cearense e acordei na Baía de Biscaia. As nuvens parecem mais densas e enquanto a temperatura externa média no Brasil era -40º C, aqui está em -61º C.

Meu teclado está dando problema nas teclas 4, 5, 6, 7 e 8 e comandos superiores (F3-F8). Não sei o que pode ter causado isso. Estou sem sorte com teclados (e relógios) nos últimos tempos. E nem adianta comprar outro na Alemanha, pois o Y e o Z são invertidos.

Finalmente ouvi alguém falando Holandês (co-piloto do avião) e fiquei com a impressão de ser Alemão falado por um Francês ou coisa parecida. Não entendi nada, na verdade. Quando ele repetiu em Inglês, deu pra saber que vai estar 7º C no destino.

Terceira etapa, AMS – Aeroporto de Amsterdã-Schiphol: o aeroporto também é bem grande, atravessamos quase todo até chegar na porta onde pegaremos o próximo vôo. Interessante que a língua principal é o Inglês e o Holandês é meio que secundário. Também é assim no Panamá (com o Espanhol).

No caminho, fiz minha primeira compra em Euro: um adaptador de tomada. Trouxe dois, mas nenhum funcionava na tomada que eu tinha a disposição. Em compensação o que comprei agora tem mais chances de ser compatível em todos os lugares que eu passar, Padrão União Europeia, é mais ou menos compatível com aquelas tomadas redondas que temos no Brasil.

Tinhas várias lojas com tamanquinhos de cerâmica holandesa, floriculturas, uma loja de doces com um globo de chocolate e outra com um Kinder ovo gigante. Devia mudar o nome para Erwachsen ovo.

A fiscalização aqui é chata como nos EUA. E um cara se atrasou para entrar num avião e mandaram um aviso no autofalante do aeroporto: “Senhor fulano de tal, o senhor está atrasando a partida do vôo tal. Apresente-se agora ou iremos jogar suas malas fora.”

A internet do aeroporto é limitada a 2 seções de 30 minutos. Gastei as duas antes de perceber que havia esta limitação. Aprendi que laranja em Holandês é sinaasappelsap. Exatamente.

Os problemas do meu teclado se agravaram. Descobri o motivo: descarregou. E eu não trouxe o carregador. Eu bem tinha lembrado de por o carregador na mala alguns dias antes da viagem, mas quando chegava em casa esquecia. Keine Probleme, vou continuar escrevendo usando o teclado touchscreen da forma como Steve Jobs desejava.

Quarta e última etapa, TXL – Aeroporto Berlim-Tegel: aeroporto pequeno! Descemos na pista. Pareceu o aeroporto da Ponta Pelada! De taxi fomos por uma Autobahn que corta a cidade em diagonal e vai direto do aeroporto até o distrito de Britz, onde nos hospedamos. Andar por uma Autobahn é conhecer o modelo que inspirou as interestaduais americanas.

O dia anoiteceu às 4pm e o povo lá fora já se empolgava em soltar fogos de artifício. Acontece que alguns faziam um barulho realmente alto e me faziam lembrar dos ataques Russos contra o 3º Reich em Berlim no filme A Queda (Der Untergang).

De noite saímos para conhecer a feira de Natal de Berlim e ver os fogos do ano novo. Comi um Brezel e tomei um Kakao. Depois uma coisa que parecia uma bruschetta. Caminhamos pela Postdam Platz rumo ao Brandenburger Tur (Portão de Brandenburgo) em meio a uma multidão de mistura étnica semelhante à Torre de Babel. Alemão, Francês, Italiano, Espanhol, Inglês, Russo, Polonês, Português, Húngaro, Holandês e Japonês, para citar alguns exemplos.

Descobri que os italianos são o povo mais bagunceiro da Europa, pelo menos quando estão na Alemanha, seguidos pelos ingleses. Não contive a gargalhada ao ouvir um inglês, bêbado, “reclamando” do metrô: “Damn, Germans, why are you so fucking efficient?

À meia noite, em meio a uma multidão multiétnica reunida à esquerda do Portão de Bandemburgo, choveu champanhe e alegria. Frohes neues Jahr!

Ao voltar para a estação da Postdam Plaz, pude ver (com a empolgação pelos fogos na ida não percebi) partes do Muro de Berlim, pichados, porém preservados em parte. 22 anos depois da minha mãe assistir à queda do muro comigo no colo, estava diante do que restou daquele pedaço da história. E tirei uma foto onde aparece o muro e os fogos ao fundo.

Havia muita sujeira pelo chão. Restos de fogos de artifício, garrafas e cacos de vidro, vômito, e até cascas de bala. Minha bota mostrou-se uma boa escolha. Perceberíamos no dia seguinte que menos de 6 horas depois não havia mais vestígios da bagunça pelas ruas do centro da cidade.

Velho Continente – dia 1

Postas em dia as obrigações letivas, conjugais e trabalhistas, feitas as malas e abraçados os amigos que deu tempo abraçar (entschuldigung aos que não deu), hora de começar a viagem.

Primeira etapa, MAO – Aeroporto Eduardo Gomes: fiquei com medo da situação da vista do meu pai que anda fazendo drift nas curvas da madrugada. Todos (Hans, Ada e Tatiana) me esperavam no saguão do aeroporto. Assisti Origem (Inception) durante o vôo (no iPad), dormi uma boa parte, sonhei que estava num avião vendo Origem e o tempo passava mais devagar.

Segunda etapa, GRU – Aeroporto de Guarulhos: tentei encontrar amigos de São Paulo, mas meus planos não deram certo. Mesmo assim, aproveitei para comprar uma passagem de ônibus do Aeroporto de Guarulhos para o de Conconhas.

No caminho, do que consegui ver e lembrar, passamos pela Marginal Tietê, Av. Tiradentes, Estação Tiradentes e Estação da Luz (a bonitona). Almocei no SP Burger e aproveitei pra andar um pouco. Decidi voltar às 3:30pm para evitar surpresas de engarrafamento.

Na volta pude perceber também o Largo de São Francisco e o lugar onde será o estádio do Corinthians e, dizem, a abertura da Copa do Mundo do Brasil. Tive então a certeza de que a Arena da Amazônia está com o cronograma em dia. Reparei também que havia 4 penitenciárias próximo dali. Just for the lulz.

Em certos aspectos da estrutura viária da cidade, São Paulo me lembra Atlanta, com uma pitada de Los Angeles. E o fedor da Marginal Tietê. Mas nada insuportável se você frequentar o Manauara.

Em Guarulhos novamente, eu andei pelos três andares do aeroporto (que deve ter o mesmo tamanho do de Miami) até que sentei, fui assistir Clube da Luta e descobri, tardiamente, que o arquivo estava corrompido. Nisso, o autofalante do aeroporto solicitou a presença do Sr. Eduardo Honorato no balcão da Infraero. Assisti então 1/3 de Edith (La Môme), deu sono, guardei tudo, amarrei minhas coisas nos meus braços e dormi.

Mais tarde reencontrei Hans, Ada e Tatiana e fomos fazer o check-in. Por um problema de excesso de lotação eles nos realocaram para uma seção econômica menos econômica que a econômica. Economy Confort. Assim, sim. Legal também eles admitirem que não tem confort na outra economy.

Estou escrevendo no avião enquanto sobrevôo o Ceará. O papel da bandeja de comida é ilustrado com a pintura daqueles tradicionais azulejos holandeses. Deu vontade até de guardar, mas não. É engraçado e curioso ouvir crianças falando Alemão. Ainda não ouvi ninguém falando Holandês alto o suficiente para que eu possa distinguir de Alemão.

Nós podíamos escolher entre opções de jornais portugueses, franceses, alemães e holandeses na entrada do avião. Peguei o jornal alemão por mera questão de tentar ter foco no idioma que vou estudar nas próximas semanas, mas deu vontade de pegar outros também. O papel do jornal alemão tem o mesmo cheiro do USA Today, que eu particularmente não gosto. E a diagramação é bem estranha pra mim: mais largo que alto.

Quero chegar logo em Amsterdã. Não vejo a hora. Meu relógio quebrou. Sem chance de conserto até voltar. E eu tinha decidido de última hora vir com o de pulseira de borracha em vez do de pulseira de metal pra evitar ficar gelando meu braço. Me ferrei.

Desligaram a luz dos corredores. Vou desligar aqui também pra deixar a senhorinha do lado dormir. E dormir também, porque ainda falta um oceano de distância até a próxima etapa (AMS – Aeroporto de Amsterdã-Schiphol).

Desculpem a verborragia.

Auf wiederschreiben.

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