Mercado Municipal

Originalmente publicado no blog do Trânsito Manaus. Leia também o texto anterior, sobre a Praça da Saudade.

2013 – Detalhe do Pavilhão Frontal. Foto: Steven Conte.

Ribeira dos Comestíveis

No alvorecer do Ciclo da Borracha, a partir do fim da ante-penúltima década do século XIX, Belém e Manaus viviam os primeiros anos de seus grandes apogeus, despontando de forma meteórica como metrópoles do Norte do Brasil, num forte contraste com a situação de abandono que assolava a região até aquele momento, refletindo a nova realidade econômica em que a borracha passou a representar mais da metade das exportações brasileiras.

Nessa época, a alimentação do manauara, composta por diversos produtos da região, como a farinha, frutas, grãos, peixes e caças trazidas do interior, era geralmente comercializada na Ribeira dos Comestíveis, um aglomerado de bancas às margens do Rio Negro.

Com a migração cada vez maior de brasileiros e estrangeiros em busca da prosperidade que o ouro branco – a borracha – trazia a estas terras, crescia também a demanda pelos produtos da Ribeira. Em 1869 o presidente da Província, João Wilkens de Matos (mandato 1868-1870), conhecido como Barão de Maruiá, transferiu a feira para a Praça da Imperatriz, um quadrilátero já desaparecido, entre as atuais Avenidas Sete de Setembro, Eduardo Ribeiro, Ruas Marechal Deodoro e Quintino Bocaiúva. O novo endereço, próximo aos Igarapés do Espírito Santo, do Aterro e da Ribeira, e à Ponte da Imperatriz, abrigou o comércio por 12 anos, até se tornar mais uma vez insuficiente.

Começo das Obras do Mercado Municipal

Obras de infra-estrutura se espalhavam pela cidade, que ganhava calçadas e ruas de pedras portuguesas e energia elétrica – a segunda do Brasil -, e o presidente provincial Sátiro de Oliveira Dias (mandato 1880-1881) determinou, em 1881, visando a melhoria da situação dos comerciantes, a desapropriação do terreno próximo ao porto, na Rua dos Barés, parte sudoeste do Bairro dos Remédios, hoje integrado ao Centro.

1883 – Inauguração do Mercado Adolpho Liboa – Vê-se que o muro de arrimo para contenção do aterro não estava pronto e um grupo de pessoas bem vestidas parecem participar de uma cerimônia. Há andaime no pórtico do pavilhão principal. Fonte: Manaus Sorriso. Foto: Autor desconhecido.

No espaço foi construído, já na gestão de Alarico José Furtado (mandato 1881-1882), um galpão de alvenaria de 91.476 metros quadrados, com colunas de ferro e frente para o rio. A empresa vencedora da licitação foi a Backus & Brisbin, a mesma responsável por construções em outras cidades do Brasil, como Belém, e do Mundo, como Nova Orleans nos EUA, e Cidade do México, com ferro fundido produzido pela empresa Francisc Norton, Engineers, Liverpool, que tem seu nome gravado nas colunas do lugar. Os termos do contrato firmados por Furtado diziam:

Mercado Público – A 7 de Fevereiro último aprovei o termo de contrato que assinaram no Tesouro Provincial Backus & Brisbin, uma proposta fora aceita pela Junta daquela repartição para a construção nesta capital de um mercado de ferro e de alvenaria de pedra e tijolo. Este edifício terá pelo menos 40m sobre 41,55m de um lado e foi arrematado pela quantia de 260 contos de réis, que será paga em 5 prestações na forma do respectivo contrato. […]” In: COSTA, Cacilda Teixeira da. O sonho e a técnica: a arquitetura de ferro no Brasil, p. 133.

Mercado de Les Halles, Paris, França

Este pavilhão principal, com grandes vãos, boa luminosidade e ventilação, era constituído de módulos interligados, fruto de inspiração no mercado de Les Halles em Paris, e podia ser encomendado de acordo com a necessidade da edificação. Assim, em 15 de Julho de 1883, o presidente provincial José Lustosa da Cunha Paranaguá (mandato 1882-1884) inaugurou o Mercado Público de Manaus, o segundo do Brasil.

1889 – Porto de Manaus – Raríssima foto com tomada da antiga Ponte da Imperatriz sobre o Igarapé do Espirito Santo que ligava a parte oriental com a ocidental da cidade em frente a Igreja da Matriz. Vê-se que há uma década do final do século XIX, Manaus já apresentava intenso movimento de navios e barcos na redondeza do cais. Fonte: Manaus Sorriso. Foto: Lyra.

O galpão, obedecendo aos modernos padrões da arquitetura de ferro do século XIX, contava com um frontão neogótico e relógio alemão em cima do lanternim (aquela abertura na parte superior do telhado) da construção, e dentro, 20 boxes construídos sobre pedras de Lioz, um calcário especial trazido de Portugal, expunham as mercadorias. Em respeito ao trabalho de seu antecessor, manteve a data e o nome de Furtado na entrada sul do pavilhão principal como se vê até hoje.

1890 – Porto de Manaus – A partir da Ponte da Imperatriz vê-se a área compreendida entre o “Igarapé da Ribeira” e o Mercado Municipal. Em primeiro plano a “beira” de desembarque, à esquerda mais a frente a entrada do “Igarapé do Aterro” e à direita o Mercado Municipal. Fonte: Manaus Sorriso. Foto: Autor desconhecido

Primeiras Ampliações

O Brasil tornara-se República, Amazonas e Pará seguiam seu forte desenvolvimento, e Manaus saltara de 52 mil para 73 mil habitantes entre 1890 e 1900. Em 1902, grandes obras de urbanização como o aterro do Igarapé do Espirito Santo e a unificação da Avenida Municipal, atual Av. Sete de Setembro já estavam concluídas, após governos dentre os quais geralmente se destaca Eduardo Ribeiro. Espaços como o mercado, apenas com um grande pavilhão central e dois pequenos pavilhões de zinco auxiliares já não estavam comportando a demanda.

1896 – Rara vista do Mercado há menos de uma década da sua construção. A construção contava com um pavilhão central e dois pavilhões laterais de ferro. Na frente que ficava para o Rio Negro o pórtico e na parte posterior para a rua dos Barés pequenas lojas já se formavam. Fonte: Manaus Sorriso. Foto: Fritz & Bartel.

1987 – Vista da antiga fachada posterior do Mercado que dá para a Rua dos Barés. A construção original não incluía a parte de alvenaria que conhecemos hoje e que acabou se transformando na frente do Mercado. Fonte: Manaus Sorriso. Foto: Arthuro Lucciani.

1897 – Como a vida era sóbria naqueles tempos…, o cavalo e as carroças faziam parte da paisagem da Cidade. O cidadão usou o poste para deixar seu cavalo. Essa é a frente do Mercado, no fim do seculo XIX. Fonte: Manaus Sorriso. Foto: Marie Wrigth.

1901 – Estrutura arquitetônica do Pavilhão Principal do mercado, inspirada no mercado “Les Halles de Paris” do arquiteto Victor Baltard. A foto mostra a construção original de ferro em estilo Art Nouveau. O movimento de pessoas se deve ao embarque e desembarque para o interior feito no “Cais do Mercado”. Vemos a Rua dos Barés, onde na época ficava a parte de trás, e a frente era voltada para o Rio Negro. Fonte: Manaus Sorriso. Foto: Álbum 1901/1902 – Coleção Jorge Herrán.

1901 – Fachada principal do Mercado com todos os prédios originais. É possível observar o frontão gótico principal, as casinhas laterais e no lanternim o relógio que veio da Alemanha. As grades da Praça Dom Pedro II ainda não tinham sido trazidas para servir de parapeito na borda do muro. Fonte: Manaus Sorriso. Foto: Álbum 1901/1902 – Coleção Jorge Herrán.

Circa 1907 – Postal da época, mostrando o novo Mercado Público.

Primeiramente, o prefeito Adolpho Lisboa (mandato 1904-1907), arrendou o prédio à empresa Manaós Markets, dando início à obra que deu ao Mercado sua bela fachada de alvenaria, em estilo eclético, com grande influência da Galleria Vittorio Emanuele II, um dos mais antigos centros comerciais da cidade de Milão, na Itália, ao passo que o fez dar as costas ao rio (seria um prenúncio do comportamento que a cidade inteira passaria a ter ao longo dos tempos?).

Galeria Vitorio Emanuelle II, Milão, Itália

A expansão, sob a supervisão do engenheiro Felinto Santoro, contou ainda com a demolição dos pavilhões auxiliares, a construção de dois novos galpões, ornados de ferro e vidros coloridos, fornecidos pela empresa Walter MacFarlane, da Escócia, com beirais abertos, encimados por arcos de ferro. Surgiam os Pavilhões da Carne (a oeste) e do Peixe (a leste). Adolfo Lisboa concluiu a obra em 1906, colocando seu nome no novo frontão e deixando que a história se encarregasse de batizar a edificação, agora em seu novo endereço, a Rua dos Barés, n° 46.

Últimas Ampliações e Marcas da História

Para complementar os pavilhões das carnes e dos peixes, uma outra especialidade regional foi contemplada com um espaço exclusivo, construído em 1908 e inaugurado em 1909: havia agora ao sul do complexo o Pavilhão das Tartarugas. Fechado com chapas de ferro, venezianas e vidro, coberta com chapas onduladas em forma de quatro águas, desdobrando-se nas entradas, as janelas foram feitas encimadas por gradis de ferro decorados por motivos florais e as paredes ornamentadas com detalhes também de ferro, possuía iluminação a querosene.

Um observador mais atento, caminhando pelas instalações do Mercado, após a reforma, pode achar que foi desatenção dos restauradores, não terem consertado diversas perfurações no pórtico da entrada sul do pavilhão principal e em várias janelas nas laterais. Pois eles se devem ao episódio de uma batalha travada nas ruas da capital amazonense, fruto de uma disputa pelo poder. A situação foi publicada no TM História: Bombardeio de 1910, com texto extraído do Blog do Rocha, de José Martins Rocha.

2013 – Pórtico de entrada sul do Pavilhão Principal, cravejado de balas. Foto: Steven Conte.

Pavilhões Amazonas e Pará e a Escadaria Esquecida

O prefeito Jorge de Morais (mandato 1911-1913), o mesmo que encomendou a construção do Chafariz das Quimeras, também foi responsável por adições ao mercado. Por sua ordem foram construídos dois pequenos pavilhões octogonais nas duas extremidades do Pavilhão das Tartarugas, servindo de cafés e botequins, homenageando com seus nomes os estados do Amazonas e do Pará.

1896 – Praça Dom Pedro II – Após a revitalização na gestão de Adolpho Lisboa, obra do paisagista francês monsieur Léon Paulard. Gradil seria retirado na gestão de Jorge de Morais e recolocado no entorno do Mercado Adolpho Lisboa. Fonte: Manaus Sorriso. Foto: Autor desconhecido.

Na mesma época o prefeito também determinou a retirada do gradil de ferro fundido que circundava a Praça D. Pedro II, em frente ao Paço Municipal, sua reinstalação no entorno do mercado, e a construção de uma escadaria em pedra de Lioz que, décadas depois, mesmo encoberta pelo concreto da história, hoje pode ser observada como curiosidade arqueológica no local.

Prosperidade Esborrachada

O crescimento espetacular que a borracha trouxe às capitais do Norte começou a escorrer pelas mãos à medida que os Ingleses, que levaram sementes da Hevea Brasiliensis para a Malásia, sua possessão na época, começaram a obter um maior sucesso e retorno de produção – a plantação de lá era planejada, enquanto a brasileira era natural -, ao passo que uma praga biológica e o pouco interesse do governo nacional (de olho apenas nos interesses das capitais do sudeste) em investir na borracha.

Manaus mergulhou em uma crise, amenizada apenas durante os anos 1940, com a tomada da Malásia pelos Japoneses e um curto aumento no interesse da borracha da Amazônia por parte dos Americanos.

Em 1934 o contrato com a Manaós Markets foi rescindido, trazendo de volta a administração do Mercado Adolpho Lisboa à administração municipal. Pouca coisa seria feita pelo Mercado pelos próximos 30 anos, mas pode-se destacar, resumidamente o que aconteceu ao seu redor.

Com a migração para Manaus ainda crescente, apesar da drástica diminuição das oportunidades, surgiu em 1920, entre a Ilha de Monte Cristo e a Praça dos Remédios a Cidade Flutuante. Retornaremos em um texto dedicado a este assunto futuramente, mas por ora basta dizer que foi uma extensa ocupação habitacional da orla de Manaus, chegando a alcançar a área do Mercadão, mas que findou com o governo militar, em 1967.

1972 – Aspecto da Orla com o Mercado Municipal na década de 70 e antes da construção da intervenção urbana Manaus Moderna. Vê-se que o mercado era ladeado por duas ruas que alcançavam o Rio Negro, por onde chegavam as verduras e outros gêneros e ali mesmo eram comercializados. Fonte: Manaus Sorriso. Foto: Autor desconhecido.

Primeira Reforma e Tombamento – Manaus Modernizando

Veio a Zona Franca de Manaus em 1970, e a população de Manaus decaplicara desde a inauguração do Mercado, alcançando a marca de 470.000 pessoas. Grandes cadeias nacionais e internacionais de supermercados e lojas começaram a se instalar na capital amazonense – o Shopping CECOMIZ viria a ser construído no fim daquela década -, mercados menores começaram a ser construídos nos novos bairros da cidade, como a Feira da Panair (no Educandos) e a Feira do Bagaço (na Compensa), mas o Mercadão seguia como referência para compra de produtos frescos e de qualidade para o preparo de pratos da típica culinária local.

2013 – Boxes do Pavilhão Principal. Foto: Mário Adolfo Filho.

O prefeito Enoque Reis (mandato 1975-1979), despendeu recursos para a primeira reforma do Mercadão em 1977. E em 1º de Julho de 1987 entrou para o rol de patrimônios históricos nacionais, sendo tombado pelo IPHAN como um dos mais significativos exemplares da arquitetura de ferro do País.

2013 – Escada de ferro fundido e tijolos de barro. Foto: Steven Conte.

No começo dos anos 80 uma grande obra de aterro da orla de Manaus, entre o fim da Rua Marquês de Santa Cruz e Rua dos Andradas, uniu a Ilha de Monte Cristo ao Centro de Manaus, fazendo surgir a Av. da Manaus Moderna. Assim surgiram posteriormente a Feira da Manaus Moderna e a Feira da Banana, importantes para dar mais espaço aos produtores que já comercializavam do lado de forma do Mercado Adolpho Lisboa por falta de espaço e acesso. A avenida, entretanto, afastou o rio do mercado que lhe dera as costas.

2013 – Vista do rio do Pavilhão Frontal. Foto: Steven Conte.

Segunda Reforma – Brilho Restaurado

Trinta anos se passaram desde a última reforma do Mercadão. Um dos maiores centros de comércio de produtos regionais de Manaus estava cada dia mais degradado, diversos vidros quebrados, metais das cercas e janelas retorcidos, vários mercadores ambulantes tomando todo o espaço das calçadas em seu entorno.

Assim, o prefeito Serafim Corrêa (mandato 2005-2009) deu início em 2006 às obras de restauração total do Mercadão. Os permissionários foram realocados em áreas no entorno da obra e os tapumes foram instalados. Entretanto, por problemas com os materiais que se pretendia utilizar no restauro o IPHAN promoveu reiterados embargos e retardaram a conclusão da obra em 7 anos.

2013 – Interior do Pavilhão das Carnes. Foto: Steven Conte.

Na gestão de Arthur Neto (mandato 2013-) os trabalhos de restauração do Mercadão foram retomados, com a promessa de conclusão para o aniversário de Manaus, em 24 de Outubro de 2013. A iniciativa da Prefeitura, por meio da Fundação Municipal de Turismo – Manaustur, com recursos oriundos da Superintendência da Zona Franca de Manaus – SUFRAMA e chancela do Programa Monumenta, do Ministério da Cultura e do Banco Interamericano de Desenvolvimento – BID, finalmente deu uma nova cara ao Mercado Municipal Adolpho Lisboa.

2013 – Frontispício do Pavilhão das Carnes. Foto: Steven Conte.

Agora, a estrutura conta com um total de 182 permissionários, distribuídos em 64 boxes no Pavilhão Central, 20 no Pavilhão dos Peixes, 22 Pavilhão das Carnes, 24 no Pavilhão das Tartarugas, que por conta da proibição da venda em 1967, contará agora com produtos Hortifruti (porém mantendo o nome histórico), duas praças de alimentação com 11 boxes cada uma – conectando o Pavilhão Principal aos Pavilhões das Carnes e dos Peixes -, 19 no Pavilhão Frontal, duas bomboniéres, dois restaurantes na estrutura superior do Pavilhão Frontal com acesso por escada ou elevador, além dos Pavilhões Pará e Amazonas. A distribuição interna foi repensada, possibilitando que um pedestre possa caminhar, sem obstruções, desde a Rua dos Barés até o gradil defronte o rio. Além disso foi afixado um mural interno com detalhes e curiosidades da história dessa construção, como o Sino da Criolina, encontrado nas escavações e recuperado à sua posição original.

2013 – Arco de entrada do Pavilhão Frontal, com o Brasão do Município de Manaus. Foto: Steven Conte.

As folhas de Samambaia e Acanto no portão principal, as de Carvalho, as flores de Lis no gradil, o arco de concreto do pavilhão frontal do Mercado com rosas de Tudor da realeza britânica ao redor do brasão do Município de Manaus. As obras da Belle Époque são uma profunda mistura de influências européias e amazônicas na arquitetura das construções do período. Espera-se que assim como esse pedaço da história foi trazido de volta ao seu brilho original, outras partes da cidade, históricas ou não, recebam o mesmo cuidado, e que a população colabore na sua preservação.

Agradecimentos à Secretaria Municipal de Comunicação pelo convite à equipe do Trânsito Manaus para visitar as obras do Mercado Adolpho Lisboa.

2013 – Steven Conte, Prefeito Arthur Neto e Luiz Eduardo Leal. Foto: Márcio Noronha.

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Referências

Livros
– LEONG, Leyla Martins. Mercado Adolpho Lisboa, Manaus – 1883. In: MERCADOS de ferro do Brasil, aromas e sabores. Brasília, D.F: Instituto Terceiro Setor, 2011. p. 51-71.
– PÉRES, Roger Carpinteiro. Mercado Adolpho Lisboa: Arquitetura, História e Cultura na Amazônia.

Sites
– A Crítica – 12
Em Tempo
Fundação Joaquim Nabuco
G1
– História Murilo Benevides
– História Oral
Historiador Luiz Maia
Lord Manaus
– Manaus Sorriso
Portal Amazônia
– Wikipedia – Ciclo da Borracha
– Wikipedia – Lista de Governadores do Amazonas
– Wikipedia – Lista dos Prefeitos de Manaus
– Wikipedia – Manaus
– Wikipedia – Mercado Municipal Adolpho Lisboa

Estive Dirigindo #06

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Nas reuniões dominicais do Trânsito Manaus constantemente discutimos formas de criar um conteúdo relevante para quem quer se deslocar em Manaus. Seja informando as ocorrências do trânsito como engarrafamentos e acidentes pelas redes sociais, seja com um site de busca de itinerários de transporte coletivo que acabou se transformando em um guia impresso, seja chamando a atenção dos governantes para os problemas do trânsito e cobrando soluções.

Aí entre um franccino e outro surgiu a ideia de aproveitar o formato do Estive Dirigindo para produzir um conteúdo novo para o Trânsito Manaus: uma série de vídeos mostrando, do ponto de vista do motorista, o melhor caminho entre um ponto e outro da cidade.


Exibir trajeto do episódio Estive Dirigindo #06 em um mapa maior

Nesse vídeo fiz uma experimentação simples, apresentando o trajeto da Estação Rodoviária de Manaus até o Shopping Manauara, através da Av. Mário Ypiranga Monteiro (antiga Av. Recife). À medida em que a ideia for tomando rumo, vou compartilhando por aqui.

Gostaram do passeio?

Internet e as Eleições

Costumo dizer que o Twitter mudou minha vida. Por diversos motivos. O Twitter foi a ferramenta que permitiu que eu socializasse com gente que por outros meios eu dificilmente conheceria.

As redes sociais não apenas me deram 1 hora de graça no boliche, 3 CDs, 1 Blu-ray, 5 vale-compras da Bemol e um sanduiche no 80s Burger. As pessoas que eu conheci trocando mensagens de 140 letrinhas ajudaram, desde chegar ao meu destino sem pegar um engarrafamento a direcionar algumas das minhas escolhas educacionais e profissionais.

Dentre os projetos que me envolvi por causa o Twitter, o Trânsito Manaus, que há 3 anos informa diariamente o trânsito muito lento nos dois sentidos de todas as avenidas da cidade, além dos itinerários intinerantes de ônibus, possibilitou uma experiência política que eu, que desde pequeno sempre gostei de prestar atenção nas campanhas eleitorais, nunca poderia imaginar.

Com a exposição que o TM conquistou ao longo dos anos, conseguimos, contatando os comitês dos candidatos à prefeitura de Manaus, realizar entrevistas com cada um deles para tratar exclusivamente das questões de trânsito e transporte.

Grupos como o Trânsito Manaus, e outros, como o PedalaManaus.org, do Ricardo “Saci” Braga, e o Manauara.org, da Cynthia Blink, mostram uma mudança interessante pela qual estamos passando. Jovens com algum poder de mobilização através da Internet tendo acesso direto aos atuais e futuros integrantes do executivo (e do legislativo também).

Fazendo a interseção entre Política e Internet

Não sou ingênuo de achar que os políticos estão abrindo as portas e associando-se à imagem dessas iniciativas, cheios de sorrisos e apertos de mão, por simples, pura e imaculada brothagem. Nem acho que o acesso aos dirigentes da coisa pública deveria dar-se tão somente pela da ação de grandes grupos organizados e com alguma evidência e poder de mobilização, e não por um único e humilde cidadão.

Existe, claro, a busca por evidenciarem sua atuação em canais de comunicação com as novas gerações, talvez até mesmo estabelecer cabos eleitorais, o que não é o caso do TM, nem acredito ser dos outros que citei acima.

O que eu acho fantástico é o grau de importância dado por (pelo menos alguns) candidatos a essas ferramentas estar se assemelhando, cada vez mais, ao dado a grandes grupos da “velha mídia”, como jornais impressos, rádio e TV, justamente devido às mudanças e possibilidades que elas estão gerando.

Enquanto até poucos anos atrás os candidatos eram figuras distantes que nós éramos obrigados a escolher observando 30 segundos de sorrisos artificialmente manipulados num comercial de televisão, e dependíamos unicamente dos debates da TV para conhecer a capacidade argumentativa e o embate de propostas dos candidatos, agora eu tive a oportunidade de estar cara a cara com cada um deles, perguntar e ouvir as suas respostas sem direito a script e photoshop. Pauderney, Arthur, Navarro, Serafim, Henrique, Jerônimo, Herbert, Vanessa e Sabino.

Ainda fizemos muito pouco, mas acredito que as possibilidades interação e de cobrança do poder público ainda vão crescer e devolver uma parcela do poder que sempre foi do povo, de volta às mãos do povo, graças à Internet. Sou idealista demais?

Horário Eleitoral Gratuito

Quando eu era pequeno costumava acompanhar atentamente as propagandas do horário eleitoral gratuito, ver o cuidado com que os candidatos preparavam seus programas, quais eram os projetos e propostas. Acho que a minha intenção era saber o que cobrar depois, mesmo sem saber exatamente como.

Acabava decorando os jingles de alguns candidatos…

♫ Pelo rio o caboclo navega sem medo… Ô… ô… ô… ô… Vê arara, uirapuru, boto e tucunaré… É… é… é… é… Minha terra tem tudo o que se imaginar… Da floresta, das lendas, encantar… Tanta vida nos braços do meu Rio-Mar… Amazonas! Aportou o rumo certo, vamos navegar… Ô… ô… ô… ô… No fetiço do boto navegador… Gilberto! Ô… ô… ô… ô… Mestre e comandante, meu governador! ♪

♪ Alfreeeedoo… Alfreeeedoo… Faz o sociaaaaaaaal… ♫

♫ 40.123… Ô… ô… ô… Vote Barbosão, para vereador! ♪

…e bordões como…

“Prometer e não cumprir, é pior do que mentir!”

“Teu voto é uma bomba!”

Hoje em dia as propagandas eleitorais ainda estão focadas essencialmente na TV e no rádio. Entretanto, eleitores como eu, e penso que alguns leitores deste blog também, consomem pouco ou nenhum conteúdo dessas mídias.

Boneco do Barbosão, folclórico personagem da política manauara

Existe um site desenvolvido pela 7 Graus com informações sobre cada candidato de todas as cidades do Brasil, inclusive com direito a uma página dedicada aos “mais populares“. Os perfis são bem simples e diretos ao ponto, mas senti falta de links para o conteúdo que os próprios candidatos produzem.

Então resolvi fazer um apanhado de todo o material que os candidatos à prefeitura de Manaus estão publicando na Internet, nas mais variadas redes sociais e nos mais variados formatos, para compartilhar com vocês. Segue a lista abaixo.

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Arthur Virgílio Neto 45
Eleições 2012
Site | Facebook | Twitter | YouTube | Soundcloud | Pinterest

Henrique Oliveira 22
Eleições 2012 | Site | Facebook | Twitter | YouTube

Herbert Amazonas 16
Eleições 2012

Jerônimo Maranhão 33
Eleições 2012 | Facebook

Luiz Navarro 21
Eleições 2012 | Facebook | Twitter

Pauderney Avelino 25
Eleições 2012 | Site | Facebook | Twitter | YouTubeSoundcloud

Sabino Castelo Branco 14
Eleições | Site | Facebook | Twitter

Serafim Corrêa 40
Eleições 2012 | Site | Facebook | Twitter | YouTube

Vanessa Grazziotin 65
Eleições 2012 | Site | Facebook | Twitter | YouTube | Soundcloud

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Desfaz-se nesse momento, a cadeia de emissoras…

Uma Cidade Melhor

Com a aproximação do fim do prazo para apresentação das candidaturas, muitos partidos deixaram para a última hora o anúncio de suas chapas, causando uma situação conturbada nos últimos dias. Baixada a poeira das pré-candidaturas, temos um cenário curioso.

A maior surpresa até o momento foi o fato de Amazonino Mendes (PDT) ter mantido estritamente, pela primeira vez na história moderna, a sua palavra, não saindo, conforme vinha anunciando há vários meses, candidato à re-eleição. Inclusive emendou com sagacidade ao dizer, durante a convenção de seu partido, que não apoiará ninguém para não se arrepender posteriormente.

Fomos ainda agraciados com pérolas como “fica a tristeza de que a politicagem tenha tomado conta de tudo” e “hoje tudo é feito nos bastidores“, conforme lamentou o prefeito que há dois meses atrás disse ter atuado nos mesmos bastidores para extinguir/transformar a Águas do Amazonas, resultando na doação do PROAMA e na criação da Manaus Ambiental.

Devir

Após a desistência da candidatura à prefeitura de Manaus pela deputada federal Rebecca Garcia (PP), que havia sido lançada por seu partido no dia anterior, tendo o vereador Marcel Alexandre (PMDB) como vice e o apoio do governador Omar Aziz (PSD) e do senador Eduardo Braga (PMDB), a deputada tornou pública uma carta onde, kekos à parte, alegava motivos pessoais e socio-políticos para sua desistência, tais como perseguições até mesmo internas de seu partido.

Em seu lugar, o grupo político ora composto por Braga e Aziz, com a impressão de ter deixado para resolver tudo aos 45 minutos do 2º tempo, indicou a senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB) para concorrer à prefeitura, tendo ainda, por indicação da direção nacional do PT, Vital Melo como vice. Curiosamente, ao ausentar-se da cadeira de senadora do Amazonas, Vanessa dá lugar a seu 1º suplente, Francisco Garcia (PP), pai da deputada Rebecca, anteriormente apoiada pelo grupo para concorrer a este pleito.

O diplomata Arthur Virgílio Neto (PSDB) tenta retornar, 20 anos depois, ao cargo de prefeito, o qual já ocupou por um polêmico mandato de 4 anos para o qual não obteve re-eleição. Em sua companhia, o vereador Hissa Abraão (PPS) e sua inseparável camisa amarela. Durante a convenção para formação da chapa, Arthur pediu desculpas por erros de sua administração anterior, constantemente lembrada pelo tratamento que deu aos camelôs, e prometeu, desta vez, transformá-los em micro-empresários.

O ex-prefeito Serafim Corrêa e o deputado estadual Marcelo Ramos foram os primeiros a oficializar suas candidaturas a prefeito e vice na convenção do PSB, em 23 de Junho, formando uma chapa puro-sangue que já estava definida desde Fevereiro. O deputado federal Pauderney Avelino (DEM) foi apresentado ao lado de Ivo de Assis (PRB), bispo da Igreja Universal, como candidato a prefeito e vice. Oh glória.

Há ainda Henrique Oliveira (PR), recentemente retornado, por força de liminar que suspendeu sua condenação por ter omitido no registro de sua candidatura que era servidor concursado da Justiça Eleitoral, à cadeira de deputado federal, que foi apresentado pela chapa formada entre seu partido e PTdoB, PS e PSC, junto de Wilson Volter (PR). Henrique, que já foi o vereador mais votado de Manaus no pleito de 2008, seja lá de que povo ele esteja falando, disse que seu nome é o único com apelo popular. Dentre os nomes mais conhecidos, ele tem o apoio do senador Alfredo Nascimento (PR).

Foram confirmadas também as candidaturas de Herbert Amazonas (PSTU), tendo Ivete Egas (PSTU) como vice. O PMN lançou o nome do engenheiro Jerônimo Maranhão com apoio do secretário-geral do partido, Rodrigo Frota, como vice. Luís Navarro (PCB), que teve as contas do pleito de 2010 reprovadas, acabou ficando de fora.

Postas as devidas observações quanto ao próximo pleito que dar-se-á nesta cidade em 2012, resta a nós buscar, dentro destas ilibadas opções, qual será a mais capacitada em gerir a cidade, sem depender de favores e sem agir antes de devida reflexão e análise, perante as necessidades que Manaus possui.

Por fim, deixo o vídeo editado por Márcos César, que exibe com sublime ironia, ao satirizar comercial da prefeitura, algumas das mazelas com que o próximo administrador municipal deverá arcar.

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Atualização em 02/07/2012.

Eis que subitamente aparece mais um personagem nesta insólita disputa.

Sabino Castelo Branco (PTB), cassado pelo TRE, posteriormente inocentado, mas mantido inelegível pelo TRE, depois tranquilizado pelos efeitos suspensivos dos embargos de declaração, atormentado após ter seu caso levado ao TSE com um recurso do MPE, perdendo sua cadeira de deputado federal para o suplente Luís Fernando Nicolau – pai do presidente da ALE-AM, Ricardo Nicolau – e por fim, aliviado pelo efeito suspensivo do recurso para o qual o ministro Dias Toffoli concedeu liminar, apresentou sua candidatura à prefeitura, que conta com o empresário Cícero Lima (PSDC) como vice.

E chegamos, então, à marca de 8 opções.

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Referências
Amazonino confirma que não será candidato à reeleição
Rebecca desiste de candidatura à Prefeitura de Manaus
Vanessa Grazziotin será candidata à Prefeitura de Manaus
Arthur Neto e Hissa oficializam chapa em convenção
PSB e PCdoB realizam convenções neste sábado para definir candidaturas
Pauderney lança chapa e vice é bispo da Universal
Henrique Oliveira é mais um nome a confirmar candidatura
PSB, PCdoB e PSTU oficializam candidaturas para as eleições municipais de 2012
PMN confirma a candidatura de Jerônimo Maranhão em Manaus

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