Velho Continente – dia 2

Eu dormi tanto que pareceu que tinha viajado no espaço-tempo-contínuo. Dormi na costa cearense e acordei na Baía de Biscaia. As nuvens parecem mais densas e enquanto a temperatura externa média no Brasil era -40º C, aqui está em -61º C.

Meu teclado está dando problema nas teclas 4, 5, 6, 7 e 8 e comandos superiores (F3-F8). Não sei o que pode ter causado isso. Estou sem sorte com teclados (e relógios) nos últimos tempos. E nem adianta comprar outro na Alemanha, pois o Y e o Z são invertidos.

Finalmente ouvi alguém falando Holandês (co-piloto do avião) e fiquei com a impressão de ser Alemão falado por um Francês ou coisa parecida. Não entendi nada, na verdade. Quando ele repetiu em Inglês, deu pra saber que vai estar 7º C no destino.

Terceira etapa, AMS – Aeroporto de Amsterdã-Schiphol: o aeroporto também é bem grande, atravessamos quase todo até chegar na porta onde pegaremos o próximo vôo. Interessante que a língua principal é o Inglês e o Holandês é meio que secundário. Também é assim no Panamá (com o Espanhol).

No caminho, fiz minha primeira compra em Euro: um adaptador de tomada. Trouxe dois, mas nenhum funcionava na tomada que eu tinha a disposição. Em compensação o que comprei agora tem mais chances de ser compatível em todos os lugares que eu passar, Padrão União Europeia, é mais ou menos compatível com aquelas tomadas redondas que temos no Brasil.

Tinhas várias lojas com tamanquinhos de cerâmica holandesa, floriculturas, uma loja de doces com um globo de chocolate e outra com um Kinder ovo gigante. Devia mudar o nome para Erwachsen ovo.

A fiscalização aqui é chata como nos EUA. E um cara se atrasou para entrar num avião e mandaram um aviso no autofalante do aeroporto: “Senhor fulano de tal, o senhor está atrasando a partida do vôo tal. Apresente-se agora ou iremos jogar suas malas fora.”

A internet do aeroporto é limitada a 2 seções de 30 minutos. Gastei as duas antes de perceber que havia esta limitação. Aprendi que laranja em Holandês é sinaasappelsap. Exatamente.

Os problemas do meu teclado se agravaram. Descobri o motivo: descarregou. E eu não trouxe o carregador. Eu bem tinha lembrado de por o carregador na mala alguns dias antes da viagem, mas quando chegava em casa esquecia. Keine Probleme, vou continuar escrevendo usando o teclado touchscreen da forma como Steve Jobs desejava.

Quarta e última etapa, TXL – Aeroporto Berlim-Tegel: aeroporto pequeno! Descemos na pista. Pareceu o aeroporto da Ponta Pelada! De taxi fomos por uma Autobahn que corta a cidade em diagonal e vai direto do aeroporto até o distrito de Britz, onde nos hospedamos. Andar por uma Autobahn é conhecer o modelo que inspirou as interestaduais americanas.

O dia anoiteceu às 4pm e o povo lá fora já se empolgava em soltar fogos de artifício. Acontece que alguns faziam um barulho realmente alto e me faziam lembrar dos ataques Russos contra o 3º Reich em Berlim no filme A Queda (Der Untergang).

De noite saímos para conhecer a feira de Natal de Berlim e ver os fogos do ano novo. Comi um Brezel e tomei um Kakao. Depois uma coisa que parecia uma bruschetta. Caminhamos pela Postdam Platz rumo ao Brandenburger Tur (Portão de Brandenburgo) em meio a uma multidão de mistura étnica semelhante à Torre de Babel. Alemão, Francês, Italiano, Espanhol, Inglês, Russo, Polonês, Português, Húngaro, Holandês e Japonês, para citar alguns exemplos.

Descobri que os italianos são o povo mais bagunceiro da Europa, pelo menos quando estão na Alemanha, seguidos pelos ingleses. Não contive a gargalhada ao ouvir um inglês, bêbado, “reclamando” do metrô: “Damn, Germans, why are you so fucking efficient?

À meia noite, em meio a uma multidão multiétnica reunida à esquerda do Portão de Bandemburgo, choveu champanhe e alegria. Frohes neues Jahr!

Ao voltar para a estação da Postdam Plaz, pude ver (com a empolgação pelos fogos na ida não percebi) partes do Muro de Berlim, pichados, porém preservados em parte. 22 anos depois da minha mãe assistir à queda do muro comigo no colo, estava diante do que restou daquele pedaço da história. E tirei uma foto onde aparece o muro e os fogos ao fundo.

Havia muita sujeira pelo chão. Restos de fogos de artifício, garrafas e cacos de vidro, vômito, e até cascas de bala. Minha bota mostrou-se uma boa escolha. Perceberíamos no dia seguinte que menos de 6 horas depois não havia mais vestígios da bagunça pelas ruas do centro da cidade.

Mensagem de Natal e Ano Novo

Este texto é uma adaptação que fiz de um texto que recebi por e-mail, originalmente composto por uma gestora de recursos humanos chamada Natália. Fiz tantas adições e modificações no texto, inclusive alterando o sentido e a posição de várias frases, que ele quase dobrou de tamanho. Enfim, fiquem com a mensagem.

Queridos,

Dentro de poucos dias estaremos no último dia do ano de 2009. E no dia 31, após o tilintar dos relógios, virá o Ano Novo. O engraçado é que – teoricamente – continua tudo igual. Ainda seremos os mesmos. Ainda teremos os mesmos amigos. Alguns o mesmo emprego. Outros, o mesmo cônjuge. As mesmas dívidas emocionais ou financeiras. Ainda seremos fruto das escolhas que nós mesmos fizemos durante a vida. Ainda seremos as mesmas pessoas que fomos neste ano que passou.

A diferença sutil é que, quando o relógio nos avisar a passagem do dia 31 de dezembro de 2009 para 1º de janeiro de 2010, teremos um ano inteiro pela frente! Um ano novinho em folha! Como uma página de papel em branco, esperando pelo que iremos escrever. Para um físico, pode não fazer a mínima diferença, afinal, um ano representa apenas a completa rotação da Terra ao redor do eixo do Sol. Para um estrategista de uma empresa, pode ser a melhor forma de definir um ponto de partida e de término para a obtenção de metas. Porém, retomando o pensamento, um ano para começarmos o que ainda não tivemos oportunidades, coragem, força de vontade. Um ano para perdoarmos os erros, um ano para sermos perdoados dos nossos, um ano para refazer nossas atitudes e pensamentos. 365 dias para fazer aquilo que quisermos. Ou para deixar que façam o que quiserem conosco. Também há essa escolha.

Exatamente por isso, desejo que você faça as melhores escolhas. Desejo que sorria o máximo que puder. Fale ou ponha em prática o que tem em mente, e não espere pelos outros. Cante aquilo que quiser (menos pagode, se bem que pagode não é música). Durma o suficiente. Ame mais. Abrace bem apertado. Despeça-se sempre com um sorriso. Fique feliz por estar vivo e ter sempre mais uma chance para recomeçar. Agradeça às suas escolhas pois, certas ou não, elas são suas e ninguém é responsável por elas além de você.

Gostaria de agradecer à família, e aos amigos que eu tenho. Aos que me acompanham desde muito tempo. Aos muitos amigos que fiz este ano. Aos que eu encontro pouco, mas lembro muito. Aos que eu encontro muito e estão sempre comigo. Aos que moram longe e não vejo tanto quanto gostaria. Aos que eu via todos os dias, e hoje não vejo mais. Aos que moram perto e eu vejo sempre. Aos que moram perto, e eu quase não vejo. Aos que me seguram, quando penso que vou cair. Aos que eu dou a mão, quando me pedem ou quando me parecem um pouco perdidos. Aos que sinto uma enorme saudade. Aos que parecem anjos, mas estão aqui e me fazem perceber algo de divino neste mundo. A todos vocês, por quem tenho grande apreço, carinho, estima ou amor.

Muito obrigado, meus queridos e queridas, pessoas especiais por fazerem parte da minha vida e da minha história. Obrigado por estarmos juntos sempre, de um jeito ou de outro, e por termos tido a oportunidade de conversar, de desabafar, de chorar, de crescer, de amadurecer, de sorrir, reencontrar, relembrar, de imaginar, e de nos aproximarmos mais! E que possamos ter sempre mais atitude, porque sabemos que quem apenas espera, fica à mercê da boa vontade dos outros, e não há glória naquilo que se conquista sem esforço.

Desejo a você um Feliz Natal, repleto de Paz, Saúde, Amor e Alegria. Que você possa estar perto daqueles aqueles que você ama. E que 2010 seja um ano bem mais feliz, amoroso e próspero, onde seus projetos concretizem-se de verdade, e você ponha em prática tudo aquilo que planeja e tem condições de realizar, mas lhe faltou iniciativa para materializar no ano que passou. Que a palavra “adiar” seja banida do seu dicionário. Que a palavra “conseguir” seja usada exaustivamente.

E, sendo católico ou protestante, judeu ou muçulmano, budista ou agóstico, ateu ou fundamentalista, capitalista ou socialista, enfim, seja que -ista você designar a si mesmo, compartilho agora aquilo que, para mim, deve ser o (blá-blá-blá) sentido do Natal: um marco que lembre a todos a importância do fazer o bem ao próximo. Ponto. Se todas as pessoas, apesar de cada uma de suas diferenças, agirem com pelo menos este pensamento em comum, todos viveremos em um Mundo melhor.

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