Segunda Pós: Primeiras Impressões

Formei em Direito no fim de 2011 e emendei uma especialização em Direito Público, Administrativo e Constitucional logo em seguida, aproveitando o desconto para egressos da instituição. Me enrolei no final e a pós que duraria um ano e meio acabou durando dois anos.

Passei um ano inteiro bestando, sem estudar muitas outras coisas além de Alemão. Talvez um pouco de finanças. Não recomendo ficar tanto tempo parado assim, a não ser que você já tenha alcançado o trabalho dos seus sonhos ou tenha algum projeto pessoal tão importante quanto. Esse ano resolvi fazer uma nova especialização, agora em Direito Penal e Processual Penal. Por que não um Mestrado? Porque sim. Você acha outras matérias mais legais ou detesta Direito? Beleza.

É meio estranho chegar lá e não conhecer mais quase ninguém. Na primeira pós teve uma galerinha que estudou comigo na graduação, que veio junto. Só teve um aluno na pós inteira até agora que eu conheço de vista e sequer lembro o nome. Mandei um oi, enquanto tentava lembrar o nome dele, sem sucesso.

Das matérias desse novo curso, consegui aproveitar 5, o que vai dar umas folgas estratégicas. Mas uma delas – Interpretação do Direito Constitucional – fiz questão de assistir, por causa do professor. Luiz Alberto David Araújo parece uma mistura de maestro e cientista, com sua icônica gravata borboleta. Uma espécie de Doctor Brown jurídico. Foi Procurador do Estado de São Paulo e Procurador da República, agora já aposentado. Aqui o currículo dele.

Great Kelsen!

Fui pesquisar e encontrei alguns vídeos de palestras dele na internet. Uma pequena sobre o Princípio Constitucional da Dignidade Humana e as Pessoas com Deficiência, sua principal área de estudo e atuação nos últimos anos, inclusive com livros publicados a respeito, e uma entrevista feita no fim do evento.

Palestra, parte 1, a partir do minuto 2m56s

Palestra, parte 2, do início até o minuto 2m21s

Entrevista, após a palestra dos vídeos acima

A seguir uma palestra realizada na FADITU, onde ele é professor-emérito, em que faz uma introdução aos princípios constitucionais, do minuto 2m20s até o  26m40s, muito semelhante à primeira aula do módulo, para na sequência tratar mais uma vez dos direitos das pessoas com necessidades especiais, com um final abrupto no minuto 29m51s (provavelmente uma falha na gravação), seguida de um momento de perguntas e respostas com os alunos e outros palestrantes.

Palestra na FADITU, sobre princípios constitucionais e direitos de pessoas com necessidades especiais

Gosto de aulas assim, com reflexão, casos práticos, menos decoreba, menos cursinhão para OAB e concursos. A segunda modalidade tem o seu valor, mas se for para a (pós-)graduação se transformar num cursinhão, melhor fechar e todos fazermos apenas preparatórios para as carreiras de interesse, mas divago.

Espero que essa nova pós seja tão proveitosa quanto foi a primeira, que eu arranje novamente colegas inteligentes para fazer os trabalhos em grupo, e que eu não perca o prazo de entrega do TCC (que vergonha).

Eu e a Bisa

Originalmente publicado no Instagram.

Clap clap clap.
– Vó, vim lhe ver!
– Entra! – Sem nem olhar pro portão baixo, fazendo um gesto com as mãos, enquanto se ajeita na cadeira de embalo – Quem é tu mesmo?
– Steven, filho da Sueli, neto do Zé Teixeira.
– Do Zé? O Zé é doido, aquele filho da p…
– Como a senhora tá?
– Tô bem. A gente vai levando né? Deus vai cuidando da gente. Ninguém vem me ver.
– Eu tô aqui pra lhe ver.
– Ah sim, quem é tu mesmo?
– Steven, filho da Sueli, neto do Zé Teixeira.
– Ah, do Zé… Ele nunca mais veio aqui. Quem cuida de mim é aquele meu neto ali. Ainda bem que tem alguém pra cuidar de mim. Avisa pra tua mãe que eu ainda tô viva tá?
– Tá bom.
– A Sueli teve quantos filhos?
– Só eu mesmo.
– Filho único é?
– É! … Cadê suas galinhas, vó?
– Me fizeram vender tudo! Agora só tem esse jabuti aí – apontando pro quintal –. Vou já matar ele pra fazer o jantar.
– A senhora lembra que hoje é seu aniversário?
– Hoje? É mesmo? – com um brilho no olhar e um sorriso no rosto –.
– É! Quantos anos a senhora tá fazendo?
– Ah, deve ser uns 80, 85.
– Não é 92 não?
– Não, não pode ser… Mas tu é filho de quem mesmo? …

Bisa

Como Proceder: Vencendo a Inflação

Inspirado numa extensa série de conselhos sumariamente ignorados pelo meu ex-estagiário Jon. Não me responsabilizo pelo seu saldo negativo.

Dizem que dinheiro não nasce em árvore. Mas dinheiro é feito de papel e papel é feito de madeira. Logo, dinheiro nasce em árvore sim. O problema é transformar a árvore em dinheiro.

A gente é tentado a gastar dinheiro com bobagem o tempo todo. Quem nunca comprou um Tic-Tac, um KinderOvo ou um saco de Fandangos na biqueira do caixa? Afinal, agora eu tenho o meu dinheiro e vou comprar Fandangos quando eu quiser. E é exatamente aí que o dinheiro escorre pelas mãos, mesmo sem se sentir…

Uma medida legal pra tentar controlar as finanças é tentar ter um controle dos gastos. Pode ser uma planilha, separando os valores por categoria (alimentação, transporte, educação etc) e por mês, pode ser um aplicativo de celular (gosto do MoneyBook, dica do Murilo). Com esse controle, com tudo anotado, inclusive o Fandangos, você vai saber com o que exatamente está gastando cada centavo. E assim terá uma ideia mais clara de onde poderia reduzir gastos para tentar fazer sobrar algum dinheiro no fim do mês.

Dinheiro não nasce em árvore, mas é feito de pape, que é feito de madeira. Logo, dinheiro nasce em árvore sim.

Eu acrescentaria ainda nesse tópico dois macetes importantes, ainda que quase utópicos: o primeiro é, sempre que possível, parcelar as coisas antes de comprar. Quase sempre é possível conseguir um preço melhor comprando à vista. Carro, casa, escritório/consultório é impossível, claro, mas muitas vezes do intermediário pra baixo é possível. Estude aí as possibilidades antes do próximo  parcelamento; o segundo é se livrar de evitar cartões de crédito, mas acho que eu sou a única pessoa que odeia precisar tê-los. Milhas? Prefiro o sistema métrico.

Poupança

Faça uma poupança. A poupança vem tendo um rendimento abaixo da inflação nos últimos anos, mas é o investimento mais simples e seguro que existe, se o presidente não for o Collor. Não tem incidência de Imposto de Renda (IR) e é amparado pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC) até 250 mil reais. Ou seja, se o banco em que você tiver a poupança quebrar, é possível recuperar pelo menos até esse montante, por CPF. E tem ótima liquidez (disponibilidade do dinheiro), ou seja, você pode sacar sempre que quiser. Só não faça disso um hábito.

A poupança é o passo inicial pra juntar algum dinheiro e fugir do empréstimo e o cheque especial (148% de juros a.a. na Caixa!!!). Não precisa nem ter 18 anos completos, basta ter CPF e o valor mínimo exigido pelo banco para abrir a conta. O ideal seria guardar todo mês um quarto do rendimento líquido nela. É, ninguém faz isso. Seis meses de salário na poupança é uma ótima margem de segurança para o caso de perda de emprego e eventual redução de direitos trabalhistas determinado por quem se elegeu prometendo que estes seriam intocáveis.

Tudo bem se não der pra guardar 1/4 do líquido todo mês, mas guarde 100 reais. Não dá? Então 50, 20, 10. Guarde alguma coisa todo mês. Não importa o quão pouco for possível. Não é porque sobrou 10 reais no fim o mês que você é obrigado a gastar só porque é pouco. Em um ano são 120 reais, mais uns jurinhos de 5% da poupança. Nada mal pra quem não guardava nada. Extrapole esses 10 reais para o quanto você conseguir guardar e as cifras vão aumentando. Se você tem algum objeto que acesse a internet para ler esse texto, você consegue guardar 10 reais em um mês. Dá pra agendar transferências automáticas no Internet Banking, inclusive. Quanto mais cedo você começar, mais tempo (juros) você terá a seu favor.

Cofrinho de Pitchula: a primeira poupança… Quem ainda lembrava da cara das antigas moedas de R$ 1?

Se estiver difícil começar, arranje um cofre e guarde toda moeda de 1 real que parar no seu bolso. Não precisa ser aqueles cofres de 400 reais da Imaginarium. Lembre-se que você está querendo guardar dinheiro. Pode ser uma garrafa PET com a tampa colada, e um corte na parte de cima com a largura exata de uma moeda de um real. O meu primeiro cofre, aos 8 anos de idade, era assim, feito com uma garrafa de Pitchula, que era mais fácil de encher. Se você acha que é crescido demais pra ter um cofre de Pitchula (ainda existe Pitchula?), pode fazer o mesmo procedimento com uma garrafa de Corote ou outra bebida de sua preferência.

O cofre está enchendo de moedas e você está se sentindo o Tio Patinhas. Que divertido! Mas saiba que o Tio Patinhas seria muito mais que quaquilionário se ele colocasse aquele dinheiro todo trabalhando para virar mais dinheiro, em vez de ficar parado em seu cofre-piscina, sendo ameaçado pelos companheiros Petralhas irmãos Metralha e, pior ainda, pela inflação. Dinheiro parado em casa não rende juros. Encheu o cofre? Leve na agência e deposite. O caixa vai adorar, e ainda vai perguntar se você assaltou o picolezeiro.

Chegou o glorioso dia em que você juntou 6 meses de salário na poupança. Você começou a tomar gosto pela coisa, quer mais que uma bela poupança e já não se contenta com juros abaixo da inflação. Parabéns, você foi tomado pelo espírito da ambição e ele pode ser útil. Só não deixe ele cegar os seus olhos e te fazer acreditar em pirâmides (mais sobre isso no fim do texto). E existem meios seguros de fazer o dinheiro trabalhar pra você com segurança, além da nossa querida poupança.

Tio Patinhas não está protegido contra a inflação

Letras de Crédito Imobiliário / do Agronegócio

As Letras de Crédito Imobiliário e as Letras de Crédito do Agronegócio são títulos de renda fixa vendidos por bancos para angariar recursos visando financiar o mercado imobiliário e do agronegócio, devolvendo seu dinheiro num prazo fixo preestabelecido de 3, 6, 12, 18 ou 24 meses acrescido de uns juros camaradas (~85-99% do CDI). Agora você está lidando com uma liquidez diferente da poupança. Você não pode sacar nada antes do prazo. Mas essa indisponibilidade do dinheiro vai te recompensar com juros. E juros a nosso favor é tudo que queremos.

Se pareceu complicado, basta você saber que é um investimento tão seguro quanto a poupança, pois é amparado pelo FGC (até R$ 250 mil, por CPF), e também conta com isenção de IR. Por enquanto. O negócio é tão bom que foi segundo investimento que mais captou recursos depois da poupança em 2014. E 2015 será o último ano bom pra aproveitar essa oportunidade de forma realmente simples e lucrativa.

Primeiro, porque tanto o mercado imobiliário quanto o do agronegócio estão meio que beirando uma certa saturação (não necessariamente uma bolha), consequentemente fragilizando o lastro (garantia real) do investimento (mas fique tranquilo, que o FGC está aí pra isso). Segundo, que exatamente por ser um bom negócio, o governo que nunca na história desse país desperdiçou tanto dinheiro com coisa besta, e em vez de cortar gastos resolve aumentar a arrecadação pra continuar gastando sem freio, já anunciou que vai meter a mão nas famigeradas letras de crédito, cobrando IR das aplicações feitas a partir de 2016. Só de saber que o governo está de olho querendo taxar um investimento dessa forma já é motivo suficiente pra saber que é coisa boa.

Para investir em LCIs e LCAs, você pode procurar no Internet Banking do seu banco ou a gerência da sua agência preferida e se informar mais a respeito. O problema é que os grandes bancos muitas vezes exigem um investimento inicial mínimo de 20 a 30 mil reais. Daí talvez seja interessante procurar algum banco menor que exija um inicial de, digamos, 5 mil reais. Como faz isso? Procure e pesquise direitinho aí que você encontra vários, como Órama, Rico.com.vc, Easynvest etc. Nunca viu 5 mil reais em toda a sua vida? Volte para o tópico Poupança. Finalmente conseguiu juntar 5 mil reais no dia 1º de Janeiro de 2016? Você anda com pouca sorte, mas parabéns pela vitória. Avance para os tópicos seguintes.

A farra das Letras de Crédito não vai durar para sempre

Fundos de Investimento

Subindo um degrau na escala de apetite ao risco existem os fundos de investimento. Segundo o “Como Investir“, um fundo de investimento é um condomínio que reúne recursos de um conjunto de investidores (cotistas) com o objetivo de obter ganhos financeiros a partir da aquisição de uma carteira formada por vários tipos de investimentos. Simplificando, é uma forma de aproveitar as oscilações do mercado para obter maiores ganhos de juros se expondo a riscos menores que a bolsa de valores (que eu nem vou tratar nesse texto).

Existem vários tipos de fundos de investimento com diversos tipos de fundamento que não valeria à pena explicar minunciosamente (nem tenho conhecimento suficiente para tanto). Vou falar brevemente apenas dos Fundos DI (Depósito Interbancário) que são os queridinhos no atual momento econômico Brasileiro do começo de 2015 (o que pode não ser mais se você estiver lendo isso num futuro distante).

Eles são atrelados à taxa SELIC que pra quem vai fazer um empréstimo pode ser uma vilã, mas pra quem está do lado daqui é uma maravilha. Lembrando que aqui existe incidência de IR regressiva, dependendo do tempo que você conseguir manter o investimento. Procure no Internet Banking do banco preferido algum Fundo DI sem taxa de carregamento, com taxa de administração inferior a 1,5% ao ano. Ficou na dúvida, compare os rendimentos nos gráficos deste link.

Câmbio

Existem duas formas de levar vantagem (honesta) com a variação cambial. Uma é com Fundos Cambiais (que são uma modalidade de fundo de investimento) e a outra, comprando fracionadamente Dólares e/ou Euros em espécie, se você tiver a intenção de viajar para algum destino que receba essas moedas. Cartão de crédito internacional? Leia sobre as alíquotas de IOF, chore e volte duas casas.

Se você já tem passagem marcada, é bom comprar a moeda fracionadamente até próximo da data da viagem

Uma vez experimentei um fundo cambial numa época em que o Dólar resolveu cair e perdi um trocado. Escaldado, não aproveitei a atual subida. Me lasquei de novo, porque o dólar subiu uns ~37% nos últimos 6 meses. A poupança? 3%. Por isso que pra investir em fundos cambiais é preciso ter sangue frio e estar pronto pra perder, mas eventualmente ganhar bastante, com disciplina e, claro, um pouco de sorte. Só que eu ainda não falei dos investimentos para claramente perder dinheiro. Um leve e um pesado, que provavelmente vai me dar problema nos comentários. Azar.

Título de Capitalização

Títulos de capitalização só dão lucro para o emissor. No caso, os bancos. Ou o Silvio Santos. Eles têm um rendimento baixíssimo, taxas de carregamento / administração altas e convencem as pessoas de que será possível obter retornos altos anunciando um lucro que você só obteria se fosse contemplado com o prêmio. Mas esse prêmio é como a loteria. E se você quiser ganhar na loteria, seria mais interessante, simples e menos burocrático jogar direto na loteria. Em essência, os títulos de capitalização não cobrem a inflação.

Pirâmides (a.k.a. Marketing Multi-Nível)

Em primeiro lugar, não caia em pirâmides. Pirâmides só dão retorno para o seu idealizador (enquanto ele não é preso). Todos os demais envolvidos se lascam em algum grau. Seja perdendo amizades, seja perdendo dinheiro, seja perdendo os dois. “Ah, mas se você não vender nada pelo menos você tem o produto”. Ótimo, é pra isso que existe uma coisa chamada shopping e e-commerce, onde eu vou e compro o que eu realmente estiver precisando.

“Ah, então vou criar meu próprio esquema de pirâmide”. Não faça isso, amigão. Primeiro que você não vai conseguir, e segundo que ainda que conseguisse, a não ser que você seja filiado a um certo grupo de gente que se diz socialista, mas detesta o socialismo para si e para os seus, o seu esquema será descoberto, você vai acabar preso e vai gastar o dinheiro com indenização aos lesos lesados. Ou seja, nem o idealizador tem retorno por muito tempo.

Pirâmides: até hoje a possibilidade de retorno é mínima

Se você parar pra pensar, pirâmides nunca deram muito certo. No caso Egípcio, em que a meta era a ressureição do faraó, não conheço nenhum que tenha conseguido o seu objetivo, nem o Niemeyer, que ganhou a licitação dos projetos, viveu o suficiente pra ver funcionar. E no caso Asteca (atual México), em que eram realizados sacrifícios humanos em busca da prosperidade, tudo continua da mesma forma na fronteira com os Estados Unidos.

Saldo Final

Isso foi o que eu aprendi até agora. Ainda não experimentei Tesouro Direto, por incompetência de um gerente que ainda não liberou meu acesso, mas ouço falar que é muito bom. Já estou flertando com a Bolsa, mas a única coisa que eu tenho a dizer sobre ela é estude muito e experimente as coisas que eu falei no início antes de chegar lá. Não acho que tenho muita vocação pra empreendedorismo, mas se você tem, ótimo.

Abaixo um vídeo de meia hora, em Inglês, com legendas em vários idiomas, menos Português, mas com muitas informações valiosas sobre como funciona a “Máquina Econômica”. Ele ensina de uma forma bem didática a origem do crédito, como ocorrem os ciclos econômicos e, principalmente, as crises (dica do Victor).

Ficou rico com essas dicas? Me convida pra andar no seu iate. Acha que falei besteira ou tem dicas melhores que as minhas? Que bom que não sou economista, pode aproveitar os comentários abaixo. Acha absurdo alguém dizer que pirâmide é golpe? Aperte Ctrl/Command + W e ganhe 1 milhão de Reais.

Poder e Alternância

Após os resultados das últimas eleições podemos ver que no Amazonas, onde um mesmo grupo se mantém no poder há 31 anos, independentemente de quem vença no segundo turno, este chegará a 35 anos. Em São Paulo, um mesmo partido chegou ao poder há 19 anos e recebeu a procuração popular para governar por 23 anos. Enquanto isso, parece que o Maranhão finalmente vai se livrar de um domínio familiar de 48 (!) anos.

A nossa ~jovem democracia~ é um ganho valioso e inquestionável, que deve ser defendido a todo custo. Ao mesmo tempo que também não pode ser corroído pela permanência de um mesmo partido ou grupo no poder por décadas a fio.

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Quando o mesmo coletivo se estabelece no poder por muito tempo, suas decisões começam a se afastar da busca pelo desenvolvimento da esfera em que governam e passam a visar apenas a sua própria manutenção e permanência indefinida no poder.

Poder este travestido por um quê de paternalismo apoiado na frágil ameaça de que a mera e saudável alternância de poder implodiria todo o Estado. Quando na verdade desestabilizaria apenas e nem tanto assim, o partido. E é só com essa parte que estão preocupados. Oh horror! Oh horror!

Gilberto Mestrinho (esquerda) e Plínio Coelho (direita), caminham pela Rua Barroso, em frente à Biblioteca Pública, para depois seguir em direção ao Palácio Rio Negro onde seria feita a transmissão do cargo de governador do Amazonas, em 1959. Foto: Acervo Coelho Raposo.

Não se engane: defender a manutenção de tudo como está, sem espaço pra mudanças, não é ser progressista – é ser reacionário e conservador. Nenhum partido é detentor perene da capacidade de liderar o progresso.

E os partidos hoje parecem ser ainda mais megalomaníacos que o Partido de 1984, pois não lhes é suficiente apenas o poder pelo poder. Fazem questão da riqueza, do luxo, da vida longa e da felicidade só para si, também.

Aplicativo Políticos

Com uma ideia surgida da observação de experiências no exterior, e tendo em vista a importância do acesso às informações públicas a toda a população, o grupo Global Shapers Manaus tem o orgulho de apresentar o aplicativo Políticos.

Tela de abertura

Esse app gratuito reúne as principais formas de contato com os representantes dos poderes legislativo e executivo. Presidente, governadores, senadores, deputados federais e estaduais (estes primeiramente do Amazonas, porém serão acrescentados os de outros estados ao longo do ano) contam com seus nomes, fotos, emails e telefones do gabinete, além das contas de Twitter e Facebook.

O objetivo é facilitar o acesso da população aos seus representantes fornecendo as formas de contato, para que se possa cobrar diretamente de quem tem o dever de trabalhar em benefício do povo. Além disso, é possível também atribuir uma nota positiva ou negativa à pessoa, gerando assim uma perspectiva interessante da percepção dos usuários sobre o trabalho de cada político.

Busca específica por partidos ou estados

O aplicativo será atualizado constantemente para correção de bugs e dados, além da inclusão de novas informações. Baixe agora Políticos, o app democrático, para o seu dispositivo com iOS ou Android. Resenhas, sugestões e pedidos de uma versão para Windows Phone são bem vindas.

 

Repensando as Bandas de Rua

Não sou contra as bandas de rua. Sou contra, apenas, a parte rua das bandas de rua. Me aflige o fato de elas obstruírem vias públicas importantes, como a Av. “Boulevard” Álvaro Maia, uma das principais opções de tráfego leste-oeste da cidade.

Avenida esta, que conta com 2 hospitais, ainda que ambos tenham acesso pela Av. Ayrão e o HUGV esteja em reforma. Imagine uma ambulância vindo pela Kako Caminha e precisando descer pela Av. Constantino Nery até próximo da Av. Leonardo Malcher para conseguir fazer um retorno, pegar a Av. Japurá, e Rua Silva Ramos, para enfim alcançar a Ayrão. Ah, é só no fim de semana, ou é só na época do carnaval, diriam alguns, porém não diriam o mesmo se a pessoa dentro da ambulância fosse a própria mãe.

Banda Obstrutora de Rua

Ah, mas são 27 anos de tradição, são 45~50mil pessoas. Ainda que tivessem 500mil pessoas, ainda teríamos outros 3/4 da população manauara eventualmente tendo seu direito de ir e vir prejudicado (mais de 30 linhas de ônibus trafegam diariamente pela via segundo o Ônibus Manaus) e bem, enfiar a mão numa luva de palha trançada cheia de tucandeiras também é um tipo de tradição.

Vamos inverter os valores já invertidos aqui rapidinho: proponho a criação das bandas de quadras, salões, quintais e terrenos baldios, de preferência distantes da minha casa. Com essa mão de obra toda, muitos terrenos baldios seriam capinados, olha que legal.

Podem fazer suas festas, micaretas pra Jesus ou pro Diabo. Só não atrapalhem o caminho de quem não estiver interessado em participar.

Subtotal 2013

Vamos à checklist de alguns momentos de 2013 antes que ele acabe.

√ Participei de um curso de brigada de incêndio.
√ Aprendi a usar óculos escuros.
√ Perdi o Google Reader.
√ Dirigi bastante.
√ Fiz duas grandes viagens maravilhosas, muito bem acompanhado (e outra breve porém bacana também).
√ Quase fui pro Sri Lanka.
√ Voltei a escrever alguma coisa sobre história.
√ Peguei catapora.
√ Terminei uma especialização.
√ Cheguei até o fim do ano.

Obrigado a todos que estiveram por perto. Obrigado a você.

E feliz 2014! Oh where do we begin?

Mercado Municipal

Originalmente publicado no blog do Trânsito Manaus. Leia também o texto anterior, sobre a Praça da Saudade.

2013 – Detalhe do Pavilhão Frontal. Foto: Steven Conte.

Ribeira dos Comestíveis

No alvorecer do Ciclo da Borracha, a partir do fim da ante-penúltima década do século XIX, Belém e Manaus viviam os primeiros anos de seus grandes apogeus, despontando de forma meteórica como metrópoles do Norte do Brasil, num forte contraste com a situação de abandono que assolava a região até aquele momento, refletindo a nova realidade econômica em que a borracha passou a representar mais da metade das exportações brasileiras.

Nessa época, a alimentação do manauara, composta por diversos produtos da região, como a farinha, frutas, grãos, peixes e caças trazidas do interior, era geralmente comercializada na Ribeira dos Comestíveis, um aglomerado de bancas às margens do Rio Negro.

Com a migração cada vez maior de brasileiros e estrangeiros em busca da prosperidade que o ouro branco – a borracha – trazia a estas terras, crescia também a demanda pelos produtos da Ribeira. Em 1869 o presidente da Província, João Wilkens de Matos (mandato 1868-1870), conhecido como Barão de Maruiá, transferiu a feira para a Praça da Imperatriz, um quadrilátero já desaparecido, entre as atuais Avenidas Sete de Setembro, Eduardo Ribeiro, Ruas Marechal Deodoro e Quintino Bocaiúva. O novo endereço, próximo aos Igarapés do Espírito Santo, do Aterro e da Ribeira, e à Ponte da Imperatriz, abrigou o comércio por 12 anos, até se tornar mais uma vez insuficiente.

Começo das Obras do Mercado Municipal

Obras de infra-estrutura se espalhavam pela cidade, que ganhava calçadas e ruas de pedras portuguesas e energia elétrica – a segunda do Brasil -, e o presidente provincial Sátiro de Oliveira Dias (mandato 1880-1881) determinou, em 1881, visando a melhoria da situação dos comerciantes, a desapropriação do terreno próximo ao porto, na Rua dos Barés, parte sudoeste do Bairro dos Remédios, hoje integrado ao Centro.

1883 – Inauguração do Mercado Adolpho Liboa – Vê-se que o muro de arrimo para contenção do aterro não estava pronto e um grupo de pessoas bem vestidas parecem participar de uma cerimônia. Há andaime no pórtico do pavilhão principal. Fonte: Manaus Sorriso. Foto: Autor desconhecido.

No espaço foi construído, já na gestão de Alarico José Furtado (mandato 1881-1882), um galpão de alvenaria de 91.476 metros quadrados, com colunas de ferro e frente para o rio. A empresa vencedora da licitação foi a Backus & Brisbin, a mesma responsável por construções em outras cidades do Brasil, como Belém, e do Mundo, como Nova Orleans nos EUA, e Cidade do México, com ferro fundido produzido pela empresa Francisc Norton, Engineers, Liverpool, que tem seu nome gravado nas colunas do lugar. Os termos do contrato firmados por Furtado diziam:

Mercado Público – A 7 de Fevereiro último aprovei o termo de contrato que assinaram no Tesouro Provincial Backus & Brisbin, uma proposta fora aceita pela Junta daquela repartição para a construção nesta capital de um mercado de ferro e de alvenaria de pedra e tijolo. Este edifício terá pelo menos 40m sobre 41,55m de um lado e foi arrematado pela quantia de 260 contos de réis, que será paga em 5 prestações na forma do respectivo contrato. […]” In: COSTA, Cacilda Teixeira da. O sonho e a técnica: a arquitetura de ferro no Brasil, p. 133.

Mercado de Les Halles, Paris, França

Este pavilhão principal, com grandes vãos, boa luminosidade e ventilação, era constituído de módulos interligados, fruto de inspiração no mercado de Les Halles em Paris, e podia ser encomendado de acordo com a necessidade da edificação. Assim, em 15 de Julho de 1883, o presidente provincial José Lustosa da Cunha Paranaguá (mandato 1882-1884) inaugurou o Mercado Público de Manaus, o segundo do Brasil.

1889 – Porto de Manaus – Raríssima foto com tomada da antiga Ponte da Imperatriz sobre o Igarapé do Espirito Santo que ligava a parte oriental com a ocidental da cidade em frente a Igreja da Matriz. Vê-se que há uma década do final do século XIX, Manaus já apresentava intenso movimento de navios e barcos na redondeza do cais. Fonte: Manaus Sorriso. Foto: Lyra.

O galpão, obedecendo aos modernos padrões da arquitetura de ferro do século XIX, contava com um frontão neogótico e relógio alemão em cima do lanternim (aquela abertura na parte superior do telhado) da construção, e dentro, 20 boxes construídos sobre pedras de Lioz, um calcário especial trazido de Portugal, expunham as mercadorias. Em respeito ao trabalho de seu antecessor, manteve a data e o nome de Furtado na entrada sul do pavilhão principal como se vê até hoje.

1890 – Porto de Manaus – A partir da Ponte da Imperatriz vê-se a área compreendida entre o “Igarapé da Ribeira” e o Mercado Municipal. Em primeiro plano a “beira” de desembarque, à esquerda mais a frente a entrada do “Igarapé do Aterro” e à direita o Mercado Municipal. Fonte: Manaus Sorriso. Foto: Autor desconhecido

Primeiras Ampliações

O Brasil tornara-se República, Amazonas e Pará seguiam seu forte desenvolvimento, e Manaus saltara de 52 mil para 73 mil habitantes entre 1890 e 1900. Em 1902, grandes obras de urbanização como o aterro do Igarapé do Espirito Santo e a unificação da Avenida Municipal, atual Av. Sete de Setembro já estavam concluídas, após governos dentre os quais geralmente se destaca Eduardo Ribeiro. Espaços como o mercado, apenas com um grande pavilhão central e dois pequenos pavilhões de zinco auxiliares já não estavam comportando a demanda.

1896 – Rara vista do Mercado há menos de uma década da sua construção. A construção contava com um pavilhão central e dois pavilhões laterais de ferro. Na frente que ficava para o Rio Negro o pórtico e na parte posterior para a rua dos Barés pequenas lojas já se formavam. Fonte: Manaus Sorriso. Foto: Fritz & Bartel.

1987 – Vista da antiga fachada posterior do Mercado que dá para a Rua dos Barés. A construção original não incluía a parte de alvenaria que conhecemos hoje e que acabou se transformando na frente do Mercado. Fonte: Manaus Sorriso. Foto: Arthuro Lucciani.

1897 – Como a vida era sóbria naqueles tempos…, o cavalo e as carroças faziam parte da paisagem da Cidade. O cidadão usou o poste para deixar seu cavalo. Essa é a frente do Mercado, no fim do seculo XIX. Fonte: Manaus Sorriso. Foto: Marie Wrigth.

1901 – Estrutura arquitetônica do Pavilhão Principal do mercado, inspirada no mercado “Les Halles de Paris” do arquiteto Victor Baltard. A foto mostra a construção original de ferro em estilo Art Nouveau. O movimento de pessoas se deve ao embarque e desembarque para o interior feito no “Cais do Mercado”. Vemos a Rua dos Barés, onde na época ficava a parte de trás, e a frente era voltada para o Rio Negro. Fonte: Manaus Sorriso. Foto: Álbum 1901/1902 – Coleção Jorge Herrán.

1901 – Fachada principal do Mercado com todos os prédios originais. É possível observar o frontão gótico principal, as casinhas laterais e no lanternim o relógio que veio da Alemanha. As grades da Praça Dom Pedro II ainda não tinham sido trazidas para servir de parapeito na borda do muro. Fonte: Manaus Sorriso. Foto: Álbum 1901/1902 – Coleção Jorge Herrán.

Circa 1907 – Postal da época, mostrando o novo Mercado Público.

Primeiramente, o prefeito Adolpho Lisboa (mandato 1904-1907), arrendou o prédio à empresa Manaós Markets, dando início à obra que deu ao Mercado sua bela fachada de alvenaria, em estilo eclético, com grande influência da Galleria Vittorio Emanuele II, um dos mais antigos centros comerciais da cidade de Milão, na Itália, ao passo que o fez dar as costas ao rio (seria um prenúncio do comportamento que a cidade inteira passaria a ter ao longo dos tempos?).

Galeria Vitorio Emanuelle II, Milão, Itália

A expansão, sob a supervisão do engenheiro Felinto Santoro, contou ainda com a demolição dos pavilhões auxiliares, a construção de dois novos galpões, ornados de ferro e vidros coloridos, fornecidos pela empresa Walter MacFarlane, da Escócia, com beirais abertos, encimados por arcos de ferro. Surgiam os Pavilhões da Carne (a oeste) e do Peixe (a leste). Adolfo Lisboa concluiu a obra em 1906, colocando seu nome no novo frontão e deixando que a história se encarregasse de batizar a edificação, agora em seu novo endereço, a Rua dos Barés, n° 46.

Últimas Ampliações e Marcas da História

Para complementar os pavilhões das carnes e dos peixes, uma outra especialidade regional foi contemplada com um espaço exclusivo, construído em 1908 e inaugurado em 1909: havia agora ao sul do complexo o Pavilhão das Tartarugas. Fechado com chapas de ferro, venezianas e vidro, coberta com chapas onduladas em forma de quatro águas, desdobrando-se nas entradas, as janelas foram feitas encimadas por gradis de ferro decorados por motivos florais e as paredes ornamentadas com detalhes também de ferro, possuía iluminação a querosene.

Um observador mais atento, caminhando pelas instalações do Mercado, após a reforma, pode achar que foi desatenção dos restauradores, não terem consertado diversas perfurações no pórtico da entrada sul do pavilhão principal e em várias janelas nas laterais. Pois eles se devem ao episódio de uma batalha travada nas ruas da capital amazonense, fruto de uma disputa pelo poder. A situação foi publicada no TM História: Bombardeio de 1910, com texto extraído do Blog do Rocha, de José Martins Rocha.

2013 – Pórtico de entrada sul do Pavilhão Principal, cravejado de balas. Foto: Steven Conte.

Pavilhões Amazonas e Pará e a Escadaria Esquecida

O prefeito Jorge de Morais (mandato 1911-1913), o mesmo que encomendou a construção do Chafariz das Quimeras, também foi responsável por adições ao mercado. Por sua ordem foram construídos dois pequenos pavilhões octogonais nas duas extremidades do Pavilhão das Tartarugas, servindo de cafés e botequins, homenageando com seus nomes os estados do Amazonas e do Pará.

1896 – Praça Dom Pedro II – Após a revitalização na gestão de Adolpho Lisboa, obra do paisagista francês monsieur Léon Paulard. Gradil seria retirado na gestão de Jorge de Morais e recolocado no entorno do Mercado Adolpho Lisboa. Fonte: Manaus Sorriso. Foto: Autor desconhecido.

Na mesma época o prefeito também determinou a retirada do gradil de ferro fundido que circundava a Praça D. Pedro II, em frente ao Paço Municipal, sua reinstalação no entorno do mercado, e a construção de uma escadaria em pedra de Lioz que, décadas depois, mesmo encoberta pelo concreto da história, hoje pode ser observada como curiosidade arqueológica no local.

Prosperidade Esborrachada

O crescimento espetacular que a borracha trouxe às capitais do Norte começou a escorrer pelas mãos à medida que os Ingleses, que levaram sementes da Hevea Brasiliensis para a Malásia, sua possessão na época, começaram a obter um maior sucesso e retorno de produção – a plantação de lá era planejada, enquanto a brasileira era natural -, ao passo que uma praga biológica e o pouco interesse do governo nacional (de olho apenas nos interesses das capitais do sudeste) em investir na borracha.

Manaus mergulhou em uma crise, amenizada apenas durante os anos 1940, com a tomada da Malásia pelos Japoneses e um curto aumento no interesse da borracha da Amazônia por parte dos Americanos.

Em 1934 o contrato com a Manaós Markets foi rescindido, trazendo de volta a administração do Mercado Adolpho Lisboa à administração municipal. Pouca coisa seria feita pelo Mercado pelos próximos 30 anos, mas pode-se destacar, resumidamente o que aconteceu ao seu redor.

Com a migração para Manaus ainda crescente, apesar da drástica diminuição das oportunidades, surgiu em 1920, entre a Ilha de Monte Cristo e a Praça dos Remédios a Cidade Flutuante. Retornaremos em um texto dedicado a este assunto futuramente, mas por ora basta dizer que foi uma extensa ocupação habitacional da orla de Manaus, chegando a alcançar a área do Mercadão, mas que findou com o governo militar, em 1967.

1972 – Aspecto da Orla com o Mercado Municipal na década de 70 e antes da construção da intervenção urbana Manaus Moderna. Vê-se que o mercado era ladeado por duas ruas que alcançavam o Rio Negro, por onde chegavam as verduras e outros gêneros e ali mesmo eram comercializados. Fonte: Manaus Sorriso. Foto: Autor desconhecido.

Primeira Reforma e Tombamento – Manaus Modernizando

Veio a Zona Franca de Manaus em 1970, e a população de Manaus decaplicara desde a inauguração do Mercado, alcançando a marca de 470.000 pessoas. Grandes cadeias nacionais e internacionais de supermercados e lojas começaram a se instalar na capital amazonense – o Shopping CECOMIZ viria a ser construído no fim daquela década -, mercados menores começaram a ser construídos nos novos bairros da cidade, como a Feira da Panair (no Educandos) e a Feira do Bagaço (na Compensa), mas o Mercadão seguia como referência para compra de produtos frescos e de qualidade para o preparo de pratos da típica culinária local.

2013 – Boxes do Pavilhão Principal. Foto: Mário Adolfo Filho.

O prefeito Enoque Reis (mandato 1975-1979), despendeu recursos para a primeira reforma do Mercadão em 1977. E em 1º de Julho de 1987 entrou para o rol de patrimônios históricos nacionais, sendo tombado pelo IPHAN como um dos mais significativos exemplares da arquitetura de ferro do País.

2013 – Escada de ferro fundido e tijolos de barro. Foto: Steven Conte.

No começo dos anos 80 uma grande obra de aterro da orla de Manaus, entre o fim da Rua Marquês de Santa Cruz e Rua dos Andradas, uniu a Ilha de Monte Cristo ao Centro de Manaus, fazendo surgir a Av. da Manaus Moderna. Assim surgiram posteriormente a Feira da Manaus Moderna e a Feira da Banana, importantes para dar mais espaço aos produtores que já comercializavam do lado de forma do Mercado Adolpho Lisboa por falta de espaço e acesso. A avenida, entretanto, afastou o rio do mercado que lhe dera as costas.

2013 – Vista do rio do Pavilhão Frontal. Foto: Steven Conte.

Segunda Reforma – Brilho Restaurado

Trinta anos se passaram desde a última reforma do Mercadão. Um dos maiores centros de comércio de produtos regionais de Manaus estava cada dia mais degradado, diversos vidros quebrados, metais das cercas e janelas retorcidos, vários mercadores ambulantes tomando todo o espaço das calçadas em seu entorno.

Assim, o prefeito Serafim Corrêa (mandato 2005-2009) deu início em 2006 às obras de restauração total do Mercadão. Os permissionários foram realocados em áreas no entorno da obra e os tapumes foram instalados. Entretanto, por problemas com os materiais que se pretendia utilizar no restauro o IPHAN promoveu reiterados embargos e retardaram a conclusão da obra em 7 anos.

2013 – Interior do Pavilhão das Carnes. Foto: Steven Conte.

Na gestão de Arthur Neto (mandato 2013-) os trabalhos de restauração do Mercadão foram retomados, com a promessa de conclusão para o aniversário de Manaus, em 24 de Outubro de 2013. A iniciativa da Prefeitura, por meio da Fundação Municipal de Turismo – Manaustur, com recursos oriundos da Superintendência da Zona Franca de Manaus – SUFRAMA e chancela do Programa Monumenta, do Ministério da Cultura e do Banco Interamericano de Desenvolvimento – BID, finalmente deu uma nova cara ao Mercado Municipal Adolpho Lisboa.

2013 – Frontispício do Pavilhão das Carnes. Foto: Steven Conte.

Agora, a estrutura conta com um total de 182 permissionários, distribuídos em 64 boxes no Pavilhão Central, 20 no Pavilhão dos Peixes, 22 Pavilhão das Carnes, 24 no Pavilhão das Tartarugas, que por conta da proibição da venda em 1967, contará agora com produtos Hortifruti (porém mantendo o nome histórico), duas praças de alimentação com 11 boxes cada uma – conectando o Pavilhão Principal aos Pavilhões das Carnes e dos Peixes -, 19 no Pavilhão Frontal, duas bomboniéres, dois restaurantes na estrutura superior do Pavilhão Frontal com acesso por escada ou elevador, além dos Pavilhões Pará e Amazonas. A distribuição interna foi repensada, possibilitando que um pedestre possa caminhar, sem obstruções, desde a Rua dos Barés até o gradil defronte o rio. Além disso foi afixado um mural interno com detalhes e curiosidades da história dessa construção, como o Sino da Criolina, encontrado nas escavações e recuperado à sua posição original.

2013 – Arco de entrada do Pavilhão Frontal, com o Brasão do Município de Manaus. Foto: Steven Conte.

As folhas de Samambaia e Acanto no portão principal, as de Carvalho, as flores de Lis no gradil, o arco de concreto do pavilhão frontal do Mercado com rosas de Tudor da realeza britânica ao redor do brasão do Município de Manaus. As obras da Belle Époque são uma profunda mistura de influências européias e amazônicas na arquitetura das construções do período. Espera-se que assim como esse pedaço da história foi trazido de volta ao seu brilho original, outras partes da cidade, históricas ou não, recebam o mesmo cuidado, e que a população colabore na sua preservação.

Agradecimentos à Secretaria Municipal de Comunicação pelo convite à equipe do Trânsito Manaus para visitar as obras do Mercado Adolpho Lisboa.

2013 – Steven Conte, Prefeito Arthur Neto e Luiz Eduardo Leal. Foto: Márcio Noronha.

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Referências

Livros
– LEONG, Leyla Martins. Mercado Adolpho Lisboa, Manaus – 1883. In: MERCADOS de ferro do Brasil, aromas e sabores. Brasília, D.F: Instituto Terceiro Setor, 2011. p. 51-71.
– PÉRES, Roger Carpinteiro. Mercado Adolpho Lisboa: Arquitetura, História e Cultura na Amazônia.

Sites
– A Crítica – 12
Em Tempo
Fundação Joaquim Nabuco
G1
– História Murilo Benevides
– História Oral
Historiador Luiz Maia
Lord Manaus
– Manaus Sorriso
Portal Amazônia
– Wikipedia – Ciclo da Borracha
– Wikipedia – Lista de Governadores do Amazonas
– Wikipedia – Lista dos Prefeitos de Manaus
– Wikipedia – Manaus
– Wikipedia – Mercado Municipal Adolpho Lisboa

Ônibus Manaus pré-selecionado no World Summit Youth Award

O projeto do Ônibus Manaus tem rendido frutos interessantes desde que começamos a por essa ideia em prática nas madrugadas de Novembro de 2011. Dessa vez fomos pré-selecionados para o prêmio World Summit Youth Award, promovido pela Organização das Nações Unidas. A indicação final dos nomes deve sair no começo de Setembro. Uma matéria sobre a indicação saiu ontem (22/08/2013) no G1 Amazonas.

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‘Ônibus Manaus’ é pré-selecionado em competição global da ONU

Prêmio reconhece iniciativas que ajudam a atingir os Objetivos do Milênio. Além do amazonense, ‘Imagina na Copa’ também participa na competição.

Do G1 Amazonas.

Ônibus Manaus foi pré-selecionado em competição da ONU. (Divulgação)

O Amazonas tem um representante pré-selecionado ao World Summit Youth Award (no português, Prêmio da Cúpula Mundial da Juventude), da Organização das Nações Unidas (ONU). O ‘Ônibus Manaus’, iniciativa que divulga o itinerário urbano da capital, é um dos 64 projetos que participam da competição, que busca reconhecer jovens que usam tecnologia digital para empreender projetos que ajudam os países a atingir os Objetivos do Milênio.

O ‘Ônibus Manaus’ concorre na categoria ‘Go Green‘, junto a outras 11 iniciativas de oito países: Argentina, Áustria, Egito, França, Alemanha, Grécia, Itália e Paraguai. Dos 64 pré-selecionados, 18 projetos serão escolhidos para participar da cerimônia de premiação em outubro, no Sri Lanka.

Na primeira rodada de avaliação, um júri online analisou 422 projetos de 147 países. Na próxima fase, as 64 iniciativas pré-selecionadas serão analisadas por grupo internacional de especialistas em tecnologia da informação. Os vencedores terão a oportunidade de apresentar seus empreendimentos para uma audiência que inclui formadores de opinião do setor de mídia e da indústria criativa, assim como lideranças políticas e organizações não-governamentais.

O prêmio tem seis categorias nas áreas de combate à miséria, fome e doenças, educação, empoderamento de mulheres, cultura, sustentabilidade e transparência.

Como descrevem os idealizadores do projeto, o ‘Ônibus Manaus’ busca incentivar o uso do transporte público e a consequente diminuição de veículos na cidade acarretando menos liberação de CO2 na camada de ozônio. A ação faz parte do Trânsito Manaus, projeto que desde 2009 faz a divulgação colaborativa sobre o fluxo de trânsito na capital amazonense, com o objetivo de melhorar a mobilidade urbana e indicando rotas alternativas para a população.

Além do amazonense, o projeto ‘Imagina na Copa’ também foi pré-selecionado. Já tendo passado por Manaus neste ano, o ‘Imagina na Copa’ pretende promover uma série de ações em todo o Brasil até 2014, ano em que o país recebe a Copa do Mundo, a partir do engajamento de jovens em iniciativas de impacto social.

A íntegra deste conteúdo está disponível no Portal G1 Amazonas.

Primeiros Reviews do Shopping Ponta Negra

Então o Shopping PN* inaugurou, o caos aconteceu está acontecendo vai continuar acontecendo por uns dias, mas o lugar ficou bonito, é perto do trabalho, e depois do expediente fui por lá conferir e trazer pra vocês, em primeira mão, os primeiros reviews desse novo e esplêndido empreendimento comercial.

 

  • Insight do Luiz Eduardo Leal.

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