Estupro

Só aconteceu porque vocês, espectadores, são cúmplices, ao continuar dando ibope para este chorume, contribuindo para que o autor, financiado por seus partícipes telemidiáticos, incorra na prática do tipo penal.

CÓDIGO PENAL (PARTE ESPECIAL)

TÍTULO VIDOS CRIMES CONTRA A DIGNIDADE SEXUAL

CAPÍTULO IIDOS CRIMES SEXUAIS CONTRA VULNERÁVEL

Estupro de vulnerávelArt. 217-A – Ter conjunção carnal ou praticar outro ato libidinoso com menor de 14 (catorze) anos: Pena – reclusão, de 8 (oito) a 15 (quinze) anos.

§ 1º Incorre na mesma pena quem pratica as ações descritas no caput com alguém que, por enfermidade ou deficiência mental, não tem o necessário discernimento para a prática do ato, ou que, por qualquer outra causa, não pode oferecer resistência.

Não obstante, insta salientar que quem assiste…

CÓDIGO PENAL (PARTE GERAL)

TÍTULO IIIDA IMPUTABILIDADE PENAL

InimputáveisArt. 26 – É isento de pena o agente que, por doença mental ou desenvolvimento mental incompleto ou retardado, era, ao tempo da ação ou da omissão, inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento.

Estamos de olho…

Termos em que pede deferimento.

Beijos.

Velho Continente – dia 9

Acordamos 7 horas, céu escuro como meia noite, descemos todas as malas e fomos tomar café da manhã. O taxista turco já havia assimilado bem a pontualidade alemã e chegou ao hotel 7:40 (havíamos chamado para as 8:00).

Engolimos o café e fomos para a Estação Central de Berlim abaixo de 0 graus. Andamos um pouco pelas lojas e subimos para a plataforma 13. O trem chegou com 2 minutos de atraso. Seguimos por 5 horas e meia até a estação de Frankfurt, onde fizemos uma breve parada.

Eu dormi um pouquinho no começo da viagem, enquanto o céu ainda estava terminando de clarear, mas 1 hora e pouco depois acordei para curtir a paisagem. Pude tirar algumas fotos, mas o céu nublado não deu condição para tirar muitas.

Em Mannheim fizemos uma escala de 6 minutos entre um trem e o outro. Contado o atraso do trem anterior e o tempo que levamos para conseguir chegar na plataforma do trem seguinte, chegamos a tempo de ver a porta se fechar na nossa frente.

Mas essa história tem um final feliz: apertamos no botão de abertura da porta do trem durante a fração de segundos em que ele ainda não começou a se mover, o suficiente para que reabrisse a porta e pudéssemos entrar.

Nem chegamos a sentar no banco do trem. Poucos minutos depois estávamos no saguão da Heidelberg Hauptbahnhof (Estação Central de Heidelberg), e fomos recebidos pelo diretor do Heidelberg Pädagogium e sua esposa, que nos levaram para os nossos alojamentos.

Deixamos as coisas nos nossos quartos. E saímos para comprar os tickets do bonde e conhecer cidade. Fomos até a Bismarkplatz, principal terminal de ônibus e bondes da cidade, que fica de frente para um shopping e para o centro antigo (MEDIEVAL) da cidade. Andamos pela Hauptstraße até chegar em um restaurante chamado Perkeo (origem italiana – Perchè no?), que possui mitologia para sua criação e tudo mais. Comida ótima e razoavelmente barata, levando-se em conta a quantidade.

Voltamos para o alojamento.

Velho Continente – dias 7 e 8

Dia 7

Saindo do hotel, fizemos o mesmo itinerário do dia 3, quando fomos aos Deutsches Historisches Museum, mas dobramos à esquerda na Museuminsel e fomos ao Pergamonmuseum (18 € inteira, 15 € Student – preços do passeio completo, existem outras subdivisões do passeio por preços menores). Na lanchonete do museu, comi um Tiramisu. Aliás, esqueci de falar que na lanchonete do Berliner Dom (no dia 6) eu comi um Apfelstrudel. 🙂

Na entrada há uma exposição provisória em 360º com a imagem da cidade grega de Pergamon (atualmente Bergama, na Turquia). Dentro do museu, logo no primeiro salão após a entrada, está o templo original da cidade dedicado a Zeus (visto na atração anterior) com sua escadaria frontal, construída originalmente no século II AEC. No fim do passeio tem um vídeo que mostra o transporte de todo aquele material de Pergamon até o museu e o trabalho restauração dos materiais e de criação do painel externo. Nas seções seguintes está o Portão do Mercado de Mileto, colunas dóricas, jônicas e outras peças vindas da Grécia.

Passando para a parte de trás, temos a frente do Portal de Ishtar, construído por ordem de Nabucodonosor II e considerado uma das sete maravilhas do mundo antigo, antes de ser substituído na lista pelo Farol de Alexandria. Há também uma réplica, em tamanho natural, do Código de Hamurabi (o original está no Louvre). Na parte de cima, tapeçaria e outras peças da cultura Islâmica, inclusive a Fachada de Mshatta, um dos registros mais antigos da arquitetura muçulmana. É uma pena que a gente estude mais sobre Oriente Médio nas aulas de Religião que nas aulas de História no sistema de ensino Adventista.

De noite fomos a um restaurante italiano que conhecemos dois dias antes, quando nos desencontramos da Luciana, o La Serra. Ali, tivemos um retrato da globalização: 4 Brasileiros dos 4 cantos do país e um Austríaco, sendo servidos por um Palestino e um Turco, em um restaurante Italiano, na Alemanha, ao som de música Boliviana. Muitas piadas com os acontecimentos da semana.

Dia 8

No último dia de passeio por Berlim, ao sairmos do hotel, meia dúzia de flocos de neve caíram sobre os nossos casacos. Eram tão poucos e não deu nem tempo tirar foto. Rapidamente derreteram. Fomos, então, andar pelo Hackescher Markt, uma galeria de lojas e cafés de mais de 100 anos. Muita coisa chique, muita coisa bonita. Mas a única coisa que deu pra trazer de lá foram as fotos.

Saindo do Hackescher Markt, descemos pela Karl-Liebknecht Straße e paramos em uma doceria em frente à Berliner Fernsehturm (Torre de Televisão de Berlim), para comer um Krapfen e tomar Kakao.

Mais à frente, chegamos ao DDR Museum (Museu da Alemanha Oriental) (5 € inteira, 4 € Student). Esse, último do nosso itinerário, é bem interativo. Eles possuem roupas e uniformes, músicas, carros, aparelhos, filmes, e também a reprodução de um apartamento e de uma cela de cadeia da Alemanha Comunista.

Na sala do apartamento tinha uma televisão mostrando a programação da televisão: 4 canais – um seriado sobre os ideais do Partido, um “talk show” sobre os feitos do Partido, um jornal (apresentado por um jornalista bem nervoso e desanimado) falando sobre o último discurso do presidente no Palácio do Povo e um que apresentava algo como um documentário sobre a atuação da polícia do Partido. O áudio da vinhetas dos canais do Partido não saem da minha cabeça até agora. Não tive tempo de descobrir em qual dos quatro aparecia a apresentadora do exercício comunitário matinal e verspertino (cof… 1984… cof…).

As propagandas do Partido mostravam sempre uma Alemanha Oriental próspera e pujante, com pessoas felizes, fortes e saudáveis, mesmo que estudos mais minuciosos posteriores à queda do Muro tenham detectado uma expectativa de vida menor dos Orientais, devido, principalmente à alimentação pobre e excesso de açúcar, carne de porco e álcool.

Outra coisa que notei era a baixa qualidade dos produtos que os Orientais eram obrigados pelo Partido a usar, dada a proibição do uso de produtos do ocidente. Eletrodomésticos frágeis, carros de baixa potência e consumo excessivo de combustível, calças (utilizadas no lugar dos jeans) feitas com um material que parece a corina de revestimento de banco de ônibus.

Notei também que parece não haver certos tabus quanto à sexualidade por aqui, como há no Brasil. Principalmente depois da peça que vimos no Komische Oper e por ver no DDR Museum que na Alemanha Oriental era tradição todo mundo andar pelado na praia, e havia algumas praias restritas àqueles que quisessem usar alguma roupa. Com a queda do Muro, os Ocidentais, menos liberais nesse sentido tinham resistência quanto à prática, e com o tempo as praias de nudistas passaram a ter a obrigatoriedade do uso de roupa de banho, enquanto as antigas praias restritas aos usuários de roupas de banho passaram a ser freqüentadas pelos nudistas.

De noite fomos novamente ao La Serra ter o nosso último jantar e nos despedirmos de Berlim, que nos acolheu tão bem nos últimos 7 dias.

Velho Continente – dia 6

Geschichte

Voltamos ao Brandenburger Tor, para tirar fotos também durante o dia. Darth Vader, Berliner Bär, Soldados Americanos, Soviéticos e Franceses de mentirinha e mulheres pedintes vindas da Bósnia dividem as atenções dos turistas.

Caminhamos pela Praça 18 de Março e fomos visitar o Reichestag, o Palácio do Parlamento Alemão. A entrada é franca, mas descobrimos tardiamente que agora é necessário agendar previamente a visita pela internet e também passou a ser necessária a revista dos visitantes com o mesmo rigor de um aeroporto. Assim, apenas tiramos as fotos da entrada e voltamos para a Unter den Lindens para dar continuidade ao nosso itinerário histórico.

Visitamos o Berliner Museum (Museu de Berlim), que mostra a história da cidade desde o surgimento da vila no século XIII até a queda do Muro, com um foco interessante no papel dos primeiros Kaisers, em especial Frederico II, o grande, que transformou Berlim na capital da Prússia. Além, é claro, de tratar da história mais recente, mostrando as diferenças entre a República Democrática Alemã (DDR) e a República Federal da Alemanha (BRD).

O ingresso custa € 5, mas quem tem carteirinha de estudante internacional paga € 4. Curiosamente dois dias antes, no Deutsches Historisches Museum não houve nenhum desconto para carteirinha. Apesar de ser um museu pequeno as detalhadas explicações por áudio tornam o passeio bem maior e cheio de informações. Na saída tem uma lojinha, onde comprei um Reichestagzinho de gesso pra colocar na minha mesa. E alguns cartões postais.

Findo o museu, seguimos à pé até o final da Unter den Linden, e visitamos a Berliner Dom (Catedral de Berlim), uma igreja protestante construída no final do século XIX. A entrada, fora dos horários de culto, é € 7, custando € 4 para carteirinha de estudante. Achamos que a visita deveria ser de graça sempre, não por não valer a pena a vista, as informações e a história, com um bônus para a sepultura do Frederico II e outros kaiseres, mas pelo fato das igrejas na Alemanha já receberem uma fração dos impostos recolhidos e repassados pelo governo o que faz com estas não precisem pedir ofertas de seus fieis. Eu disse que não precisam, não que não o façam. A vela pra acender pro santo é € 1 (opcional, claro. Ainda, provavelmente). Comprei cartões postais e um broche de águia na lojinha da saída.

Tentamos então ir ao Berliner Fernsehturm (Torre de Televisão de Berlim), mas a fila para comprar o ingresso era grande e pra entrar, maior ainda. O ingresso custa € 11 e como eu não fui, eu não sei se tem desconto pra carteira de estudante.

Descemos mais uma vez a Unter den Lindens, pegando o ônibus errado, que nos levou até a frente da antiga e abandonada sede do governo da Alemanha Oriental. Andamos até a Französische Straße, compramos ingresso para uma peça no Komische Oper (€ 35 Inteira, € 27 Student). Pegamos o ônibus até a Alexanderplaz, engolimos um jantar no Alexa, pegamos o ônibus de volta pro Komische Oper. Em cartaz, uma leitura recente de “Carmen“. No corredor caras de terno e gravata comendo Brezel e tomando Champagne. A gente comendo bolacha e tomando Coca-Cola. Cada um se vira como pode.

Depois da peça, voltando para o hotel, no meio do caminho, a U7 estava em reforma, um aviso automático informou que haveria um ônibus na superfície esperando os passageiros para levar até a próxima estação, a partir de onde o metrô seguiu normalmente. Já no hotel precisei passar as fotos da câmera do celular para o iPad. As 614 fotos tiradas nos últimos 6 dias ocuparam toda a memória do bichinho.

Velho Continente – dias 4 e 5

Ou “Kaufen, Kaufen, Kaufen!”

Dia 4

Mais uma vez o sono me amarrou na cama e tentou me atrapalhar a tomar café da manhã. Tiramos o dia para fazer compras, e as mulheres gostaram bastante da ideia.

Começamos indo ao Gropius Passagen, pela U7 (Johannisthaler Chaussee), que segundo a placa que tinha por lá é o maior shopping de Berlim. Apesar de ter três andares e um anexo do outro lado da rua ele não me pareceu maior que o Manauara. Comprei uma caixinha de chocolate que serviu para dar energia durante a longa caminhada do dia.

Depois seguimos até a última estação da U7 (Rudow), para as mulheres comprarem alguns cosméticos e o professor comprar uma sombrinha. Voltamos um pouco pela U7 (Wutzkyallee) para ver um outro shopping menor, mas além de ser minúsculo, boa parte estava em reforma, então pegamos a U7 (sentido Rathaus-Spandau), baldeamos na Möckernbrücke para a U1 (sentido Kurfürstendamm), e saímos na Wittenbergplatz que é uma das estações mais antigas e bonitas da cidade.

Do outro lado da rua estava a KaDeWe, provavelmente a loja mais chique do mundo (não, não é, mas é quase isso). As mulheres ficaram doidas pela loja. Eu me interessei, pelo stand da Braun, mas não deu tempo ir ver os eletrônicos que tinha lá. Foi a fome, que começou a nos empurrar pra fora. Antes de sair comprei uma latinha de Berlim (que vem com chocolates dentro).

Voltamos para o Gropius Passagen, para jantar, dessa vez, num restaurante Tailandês. E então para o hotel, depois do dia que eu mais andei na minha vida (não, não foi, mas foi quase isso).

Dia 5

Mais uma vez quase perdemos a hora pro café. Na verdade eu acho que não, pois mesmo tendo saído do café do hotel quase uma hora depois do horário de encerramento, a moça ainda estava colocando comida nova nos balcões.

Tem a questão das 5 horas de diferença de fuso que nos faz ficarmos ligados até mais tarde e consequentemente acordando mais tarde.

Por conta das extensas andanças nos dois dias anteriores, ficamos descansando e conversando durante a manhã. Pelas 3pm saímos do hotel pela U7 (sentido Rathaus-Spandau), baldeamos na Hermannplatz para a U8 (sentido Wittenau), e saímos na Alexanderplatz, em direção ao Alexa, um shopping que fica bem no centro moderno da cidade, e com mais marcas boas e acessíveis (Gropius = poucas marcas – acessíveis; KaDeWe = muitas marcas – não muito acessíveis).

No Alexa comprei meu relógio novo que espero que tenha uma vida útil maior que o meu último, quebrado no primeiro post. Deixamos as mulheres no shopping e voltamos ao hotel para a buscar a Luciana, 5ª integrante do nosso grupo, que havia acabado de chegar a Berlim, mas não lembramos de deixar um recado escrito antes de sair, da dona do hotel, com quem falamos de manhã havia saído, e quando chegamos, a Luciana, sem ter recebido recado nenhum, saiu pro outro lado para procurar algo para jantar. Quando chegamos não havia ninguém.

Voltamos pro shopping andamos por mais algumas lojas. Entrei numa loja para ajudar a Ada a comprar uma camisa e no caixa consegui estabelecer algum diálogo com a vendedora. No final ela perguntou se eu falava Inglês (eu não fui suficientemente claro ao explicar que estava aqui para estudar Alemão, talvez) e… Scheiße! Eu disse que sim, mas não conseguia falar: me vinham à mente apenas palavras resultantes de uma mistura tosca de Inglês com Alemão. Arranhei algum Inglês com sotaque bizarro, terminamos as compras e saímos. Parece que a Luciana já havia me falado alguma vez que quando a gente está aprendendo Alemão e tentando praticar mais, tendo aprendido Inglês antes, os dois idiomas começam a se confundir na nossa mente. Se é verdade cientificamente comprovada eu não sei, mas aconteceu comigo. Wahre Geschichte!

Por fim, jantamos, todo mundo num restaurante natureba Tailandês, e eu num restaurante Italiano, só para poder dizer grazie na saída. E voltamos ao hotel, encontramos a Luciana e fizemos alguns planos para os próximos dias.

Willkommen Luciana!

Velho Continente – dia 3

Meus olhos piscaram às 7:30AM e curiosamente às 9:40AM logo em seguida. Aparentemente aconteceu a mesma coisa com o professor. Ter passado praticamente 3 dias ligados nos deixou realmente cansados e foi difícil levantar pra tomar café, mas por sorte o horário de serviço do café do hotel ia até mais tarde por conta do feriado.

Saímos do hotel pelas 11 da manhã e fomos conhecer o Deutsches Historisches Museum (Museu de História Alemã). U7 – Grenzallee > baldeação > U6 – Mehringdamm > U6 – Friedrichstraße. Saindo na Friedrichstraße, pegamos um bonde que levou até a Dorotheenstraße, e nos deixou mais ou menos atrás do museu. Originalmente ele dava a volta e chegava um pouco mais perto, mas o local está em obras.

Chegando na esquina com a Am Kupfergraben, vimos os imensos edifícios do Pergamon-Museum e o Neues Museum. Chegando mais próximo da esquina com a Unter den Linden, vimos o Altes Museum e o Berliner Dom.

Na entrada da primeira seção a placa: “Deutsche Geschichte von den Anfängen bis 1918” (A História Alemã do Princípio até 1918). Posteriormente na seção do andar inferior, uma placa semelhante anuncia a história de 1919 até os dias de hoje. Iniciando o passeio, altares para gênios de Centúrias e Deuses, totens sobre a orígem do povo germânico e infográficos animados sobre todas a movimentações étnicas conhecidas na Europa, norte da África e oeste da Ásia até o final do primeiro milênio E.C.

Máscaras e armaduras de guerreiros medievais, globos terrestres ainda sem as Américas, uma ilustração dividida em quatro partes representando as festividades da região em cada mês do ano, tabuleiros de jogos antigos, centenas de pinturas, moedas e bustos de reis, príncipes e princesas, guerreiros e diplomatas, um esquema de quadros sobrepostos dando ideia de profundidade datado de 1730 (Walt Disney patentearia uma tecnologia semelhante nos desenhos de seu estúdio quando produziram Branca de Neve no séc. XX), o tradicional chapéu, a espada e as esporas de Napoleão Bonaparte, as primeiras impressões das principais obras de grandes pensadores e cientistas como Kant, Mendelsohn, Adam Smith, um piano que foi usado por Mozart, os primeiros jornais a pregarem o socialismo, maquetes, lâmpadas, telefones, teares, máquinas datilográficas, primeiros aparelhos de raio-x, motores e outras invenções feitas ou aperfeiçoadas em solo alemão, propagandas, jornais e filmes socialistas, o surgimento do Partido Nacional Socialista, o projeto da Germânia (que sobrepor-se-ia no lugar de Berlim se os Russos não tivessem nos salvado de Hitler), vestígios do Holocausto, maquetes dos campos de extermínio, esculturas e retratos da dor e do sofrimento daqueles que foram perseguidos pelos Nazis, artefatos do recente progresso tecnológico e pedaços do Muro de Berlim original são algumas das coisas que consegui lembrar ou registrar em fotos.

Uma pena o museu precisar fechar mais cedo por causa do feriado, ao contrário do café da manhã do hotel.

Saímos do museu e fomos comprar nossa passagem de trem para Heidelberg, na Berlin Hauptbahnhof (Estação Central de Berlim), onde também jantamos. O atendimento do guichê do trem foi de uma brutalidade tão descomunal que até um austríaco se espantou. O mau humor da atendente, que ganhou de nós o carinhoso apelido de Frau Helga Nudeln, chegou ao ponto dela socar a mesa perguntando porque estávamos sorrindo.

Ao sair da Hauptbahnhof, levei o pessoal (aquele, que chegou ontem na cidade e acha que já conhece o mapa do metrô inteiro de cor) pela U-Bahn 55 até a última parada: o Brandenburger Tor (Portão de Brandenburgo). Finalmente pudemos chegar perto do monumento quase tricentenário que serviu de plano de fundo para alguns dos maiores acontecimentos da história europeia e mundial nos últimos séculos.

Pegamos a S-Bahn e depois a U-Bahn, seguida de algumas baldeações até chegarmos na U7, que nos trouxe de volta para o nosso hotel.

Comecei a tirar fotos das placas de todas as estações de metrô por onde passamos para futura comparação. Cada uma tem um estilo único.

Velho Continente – dia 2

Eu dormi tanto que pareceu que tinha viajado no espaço-tempo-contínuo. Dormi na costa cearense e acordei na Baía de Biscaia. As nuvens parecem mais densas e enquanto a temperatura externa média no Brasil era -40º C, aqui está em -61º C.

Meu teclado está dando problema nas teclas 4, 5, 6, 7 e 8 e comandos superiores (F3-F8). Não sei o que pode ter causado isso. Estou sem sorte com teclados (e relógios) nos últimos tempos. E nem adianta comprar outro na Alemanha, pois o Y e o Z são invertidos.

Finalmente ouvi alguém falando Holandês (co-piloto do avião) e fiquei com a impressão de ser Alemão falado por um Francês ou coisa parecida. Não entendi nada, na verdade. Quando ele repetiu em Inglês, deu pra saber que vai estar 7º C no destino.

Terceira etapa, AMS – Aeroporto de Amsterdã-Schiphol: o aeroporto também é bem grande, atravessamos quase todo até chegar na porta onde pegaremos o próximo vôo. Interessante que a língua principal é o Inglês e o Holandês é meio que secundário. Também é assim no Panamá (com o Espanhol).

No caminho, fiz minha primeira compra em Euro: um adaptador de tomada. Trouxe dois, mas nenhum funcionava na tomada que eu tinha a disposição. Em compensação o que comprei agora tem mais chances de ser compatível em todos os lugares que eu passar, Padrão União Europeia, é mais ou menos compatível com aquelas tomadas redondas que temos no Brasil.

Tinhas várias lojas com tamanquinhos de cerâmica holandesa, floriculturas, uma loja de doces com um globo de chocolate e outra com um Kinder ovo gigante. Devia mudar o nome para Erwachsen ovo.

A fiscalização aqui é chata como nos EUA. E um cara se atrasou para entrar num avião e mandaram um aviso no autofalante do aeroporto: “Senhor fulano de tal, o senhor está atrasando a partida do vôo tal. Apresente-se agora ou iremos jogar suas malas fora.”

A internet do aeroporto é limitada a 2 seções de 30 minutos. Gastei as duas antes de perceber que havia esta limitação. Aprendi que laranja em Holandês é sinaasappelsap. Exatamente.

Os problemas do meu teclado se agravaram. Descobri o motivo: descarregou. E eu não trouxe o carregador. Eu bem tinha lembrado de por o carregador na mala alguns dias antes da viagem, mas quando chegava em casa esquecia. Keine Probleme, vou continuar escrevendo usando o teclado touchscreen da forma como Steve Jobs desejava.

Quarta e última etapa, TXL – Aeroporto Berlim-Tegel: aeroporto pequeno! Descemos na pista. Pareceu o aeroporto da Ponta Pelada! De taxi fomos por uma Autobahn que corta a cidade em diagonal e vai direto do aeroporto até o distrito de Britz, onde nos hospedamos. Andar por uma Autobahn é conhecer o modelo que inspirou as interestaduais americanas.

O dia anoiteceu às 4pm e o povo lá fora já se empolgava em soltar fogos de artifício. Acontece que alguns faziam um barulho realmente alto e me faziam lembrar dos ataques Russos contra o 3º Reich em Berlim no filme A Queda (Der Untergang).

De noite saímos para conhecer a feira de Natal de Berlim e ver os fogos do ano novo. Comi um Brezel e tomei um Kakao. Depois uma coisa que parecia uma bruschetta. Caminhamos pela Postdam Platz rumo ao Brandenburger Tur (Portão de Brandenburgo) em meio a uma multidão de mistura étnica semelhante à Torre de Babel. Alemão, Francês, Italiano, Espanhol, Inglês, Russo, Polonês, Português, Húngaro, Holandês e Japonês, para citar alguns exemplos.

Descobri que os italianos são o povo mais bagunceiro da Europa, pelo menos quando estão na Alemanha, seguidos pelos ingleses. Não contive a gargalhada ao ouvir um inglês, bêbado, “reclamando” do metrô: “Damn, Germans, why are you so fucking efficient?

À meia noite, em meio a uma multidão multiétnica reunida à esquerda do Portão de Bandemburgo, choveu champanhe e alegria. Frohes neues Jahr!

Ao voltar para a estação da Postdam Plaz, pude ver (com a empolgação pelos fogos na ida não percebi) partes do Muro de Berlim, pichados, porém preservados em parte. 22 anos depois da minha mãe assistir à queda do muro comigo no colo, estava diante do que restou daquele pedaço da história. E tirei uma foto onde aparece o muro e os fogos ao fundo.

Havia muita sujeira pelo chão. Restos de fogos de artifício, garrafas e cacos de vidro, vômito, e até cascas de bala. Minha bota mostrou-se uma boa escolha. Perceberíamos no dia seguinte que menos de 6 horas depois não havia mais vestígios da bagunça pelas ruas do centro da cidade.

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