Espaço

Um cara comprou um sítio em frente ao do meu pai. Em um ano de trabalho ele pôs a baixo quase toda a floresta que havia no lugar. Não sei se a porcentagem de floresta preservada nos fundos corresponde ao determinado no código florestal, mas isso não vem ao caso. Alguns donos de sítios próximos fizeram o mesmo.

Não sei quantos neurônios esse pessoal tem, mas derrubar toda a floresta ao redor da casa – não apenas dar aquela margem de distância que evita de uma árvore cair e quebrar as telhas, mas derrubar todas as árvores –, estando a poucos metros de uma estrada de barro vai fazer o ambiente ficar absurdamente mais quente e estupidamente cheio de poeira, ainda que virtualmente mais ventilado. E ainda tem uns que em vez de usar uma cerca comum com arame farpado, gastam uma fortuna com um muro de tijolos, pra elevar a eficiência da estufa. Socorro arquiteta!

Derruba tudo, pra depois reclamar que não tem sombra e está quente…

O mesmo acontece na cidade. A pessoa mal pagou 5 das 600 suaves prestações da famigerada casa própria e já começa a comprar tijolo pra transformar o lote inteiro num cubo de concreto fervente, que vai exigir uns vinte milhares de BTUs para ser habitável e ainda leva a muito xingamento no Twitter. Nesse caso há também a questão de segurança na equação, posto que o Estado não provê com eficiência, então é melhor relevar.

Queria entender o motivo pelo qual as pessoas buscam constantemente ocupar todo espaço que tem disponível, como se estivessem perdendo dinheiro por não usar todos os recursos de uma vez. Ou talvez seja melhor não entender. Acho que já fui assim, na verdade, em relação a HDs, prateleiras e gavetas, mas tento pegar mais leve hoje em dia.

Nenhum recurso no Mundo é, com exceção da burrice humana, infinito.

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