Como Proceder: Transformando Água em Vinho

Em 2001 eu estava numa programação de jovens da igreja, onde aconteceram várias atividades lúdicas, dentre elas uma peça de que fiz parte do elenco. Na peça eu era, vejam vocês, Jesus, e nela eu realizei um milagre.

A peça tratava justamente do primeiro milagre de Jesus: quando foi convidado para um casamento onde o estoque de vinho não foi suficiente para a quantidade de convidados, sua mãe contou ao anfitrião de que seu filho era um menino prodígio e poderia resolver o problema. Jesus então pediu que trouxessem jarros cheios de água e ao despejá-los nos copos o conteúdo havia se transformado em vinho. (João 2:1-11)

Feita a introdução, passemos ao milagre de fato. Eu era Jesus, Elisa, minha mãe fictícia, contou ao anfitrião sobre meu currículo, disse que eu era fluente em Hebraico, Aramaico, Grego e estava estudando Latim e Persa, e que já tinha quase 30 anos e ainda morava com os pais, portanto, estava na hora de arranjar algo de útil pra fazer, ainda que fosse para ser sommelier de cerimônia de Khupah, Bar Mitzvah e Yizkor, junto com meus 12 seguidores, à época.

“Bodas de Caná”, por Gerard David.

O anfitrião aceitou a sugestão e me convidou a mostrar o que eu seria capaz de fazer para solucionar o problema. De frente à platéia (umas 200 pessoas) despejei um jarro de água cristalina dentro de outro, e com este outro servi o copo do anfitrião. Qual não foi a surpresa da platéia ao perceber o líquido que jazia então no copo do anfitrião, proveniente do segundo jarro era de um roxo notável. A água havia se transformado em vinho.

Mas como ele fez isso, Mr. M?

Vamos ver por outro ângulo. No fundo do segundo jarro havia xarope de suco de uva. Quando da colocação de água do primeiro jarro no segundo, levantei o primeiro o suficiente para que, quando caísse, a gravidade se encarregasse de misturar as duas partes de forma homogênea, realizando assim uma mágica. Ou melhor, um milagre, pois magia é coisa do capeta.

Enfim, você pode testar esse truque em casa, com os amigos ou até mesmo no trabalho, e com sabores de frutas diferentes.

Divirtam-se.

Memória

Não é a primeira vez que eu penso sobre memória, mas vou tentar ser menos bobo que da última vez.

Eu considero minha memória razoável, na medida em que consigo guardar várias coisas que preciso, mas ao mesmo tempo tenho, cada vez mais, dispensado a dispositivos eletrônicos parte dos dados que em outros momentos eu costumeiramente memorizaria.

Já tive vontade de ter uma memória mais capaz, mas à medida que os anos foram passando, fui percebendo que os benefícios nem sempre compensam as desvantagens. Palavra de quem guarda tantas coisas que fariam um psicólogo o encaminhar para o psiquiatra em menos de 15 minutos.

A memória que decora o telefone daquela menina bonita que eu conheci no cinema é a mesma que me traz à tona todos os erros que meu amigo já cometeu comigo e que me fazem nunca confiar plenamente nele de novo (e se ele tiver, de fato, mudado?…). A memória que decora aquela receita de canjica que a minha tia fazia pra mim na infância é a mesma que me faz ficar me remoendo por não ter aceito aquela proposta de emprego que um outro idiota qualquer pegou e hoje está melhor, financeiramente, que eu (e se ele estiver estressado, tendo problemas de saúde e tendo menos tempo pra família por conta da função?…). Let it be…

A memória me deixa preso demais ao passado e me impede de viver melhor, e de forma mais plena, o presente.

Da participação em sala de aula

A cena descrita abaixo é fictícia. Nenhuma das falas foi inspirada em personagens ou situações reais. O objetido do post é alertar para o perigo da distração causada pelo uso de dispositivos móveis e internet em sala de aula.

Professor: – Então Artemiso, diante da eluscidante leitura destes 75 artigos do Código Processual Dental, dê sua opinião a respeito.

Artemiso: – Não sei professor.

P: – Como assim, não sabe?

A: – É… não sei.

P: – Todos aqui que estavam acompanhando a leitura, sem ter morrido de tédio e puxado um celular para ficar no Twitter, Facebook, MSN ou joguinhos chegaram a alguma conclusão a respeito do assunto, não é mesmo?

(dois alunos e meio, numa turma de 60 balançam a cabeça afirmativamente, os outros estavam entretidos com algo mais interessante)

A: – Sim professor. Mas eu não sei o que comentar.

P: – E não tem nada que você gostaria de acrescentar a respeito?

A: – Ah, bem… Tem sim. Mas é muito pouco. É que a minha mente foi moldada por aulas e leituras medíocres ao longo destes anos de cursinho… digo… de curso. As provas que me foram aplicadas na sua infeliz maioria eram compostas por perguntas que visavam decair pontos de situações hipotéticas impossíveis em vez de análises de casos reais, pegadinhas onde uma rápida consulta ao Vade Mecum fundamenta a resposta errada para o professor. Tem também aqueles professores cuja aula é medíocre porém a prova é fuderosa (ou ainda, cheia de questões de um famoso exame, como se ele fosse o único e derradeiro motivo de estarmos aqui), com o objetivo de fazer o aluno cobrir o déficit abissal com o estudo por conta própria, assim se redimindo com Miguel Reale que está no Olimpo intercendo por nós diante de Ártemis. Por fim, tem gente idiota como eu que fica interferindo no andamento da sua aula com impropérios, com o único objetivo de receber atenção da turma…

P: – Realmente, espero que não aconteçam mais interrupções como esta. Dando prosseguimento à aula…

E nada mudou.

Da utilidade de ir à aula

Eu gostaria que as aulas fossem menos uma descrição de como as coisas são e mais uma explicação de como as coisas são como são.

Ainda que nós, enquanto alunos, sejamos os únicos responsáveis por buscar as explicações e fundamentações do conhecimento que precisamos ter nos livros e demais produções acadêmicas sobre o assunto, aulas que apenas descrevem como são as coisas são inúteis, uma perda de tempo, porque as mudanças são constantes e até que saiamos da academia muita coisa pode mudar, e se aprendemos apenas uma descrição das coisas como eram, tudo passa a ser um conhecimento inútil e desatualizado. Uma perda de tempo irreparável.

Os parágrafos anteriores foram genéricos propositadamente, para que possam ser moldados a qualquer ciência. Entretanto, trazendo o problema para o curso de Direito, seria melhor se os professores, em vez de tentar ler o Vade Mecum inteiro durante duas horas, coisa que os alunos poderiam muito bem fazer em casa ou na biblioteca, aproveitassem o tempo para explicar o motivo de as leis terem sido elaboradas da forma como foram, quais anseios os legisladores visaram contemplar com a elaboração das leis e que fundamentos foram utilizados para se chegar ao resultado final. Tratar também dos efeitos que as leis sancionadas causaram e, quem sabe, inquirir os alunos sobre que mudanças mais poderiam ser efetuadas.

Com isso passaríamos a ter discussões mais profundas e produtivas, além de adquirir uma bagagem de reflexões mais útil e adaptável à medida em que surgem novas normas. Isso seria um estímulo a vir à faculdade, visto que haveria algo a mais do que se pode adquirir estudando sozinho em casa.

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