Azul

Em primeiro lugar, se você sofre de algum distúrbio que lhe acomete fanatismo em relação à preferência bovina (na verdade em relação a qualquer coisa, mas no caso desse post, em relação à preferência bovina), fique ciente, desde já, que a minha preferência é quando o boi está bem passado.

David Assayag

Dentro de instantes vai começar o Festival Folclórico de Parintins 2010. Estava dando uma olhada nas notícias sobre o festival (veja o Portal Parintins 2010, que apesar do fundo bizarro que atrapalha a leitura, até que ficou bonito) e soube que esta tarde David Assayag foi vaiado no bumbódromo durante seu ensaio, dessa vez, sob o estandarte do boi Caprichoso, depois de haver defendido o Garantido pelos últimos 15 anos.

Em Setembro de 2009, o Rodrigo Araújo falou sobre a mudança do cantor, contou algumas curiosidades e, de quebra, colocou a paródia que eu havia feito no Twitter, por ocasião do acontecimento, a ser interpretada com a melodia da toada “Vermelho“, a mais conhecida e bonita das melodias do Garantido.

AZUL

A cor do meu batuque
Tem o toque, tem o som da minha voz
Azul, azulaço, azulusco, azulante
Azulão

O velho capitalista se aliançou
Ao anil do manto de seu novo amor
O brilho do dinheiro muda o tom
E a expressão de sua cor
Azul! (2x)

(Meu coração!)
Meu coração é vermelho
Hei! Hei! Hei!
Mas dinheiro muda o coração
He Ho! He Ho!

Tudo é Caprichoso
Após o saldo azular
Tudo é Caprichoso
Após dinheiro receber

Azulou o curral
A ideologia foi pra…
Azulou a paixão
O fogo de artifício só é vermelho pra quem viu… (2x)

Continue acompanhando a cobertura do D24AM sobre o festival, observe a tag “humor” abaixo do post, e seja feliz.

O Woody nunca te abandona

Abril de 1996

Sentado de calção vermelho e sem camisa, no carpete verde-escuro do quarto dos pais, tirando uma fita VHS (tinha que rebobinar no final, lembra?) da embalagem de papelão com dois bonecos sorridentes, um cowboy e um astronauta, voando em frente a uma parede de fundo azul com nuvenzinhas, diante do olhar atônito de um dinossauro, um cachorro-mola, um porquinho, uma batata com olhos e uma pastora de ovelhas na capa.

Gargalhadas de criança a cada explosão de foguete ou desmontes do cabeça-de-batata. Já duvidava um pouco da existência do Papai-Noel (é, o tempo prova que certas coisas não mudam), mas imaginar que brinquedos legais pudessem ter vida parecia divertido.

Revi o filme trezentas vezes, ou quase isso. Criança parece que nunca enjoa das coisas, desde que não esteja com fome ou com sono. Mas quem era guri naquela época e teve a oportunidade de ir ao cinema ou conseguir uma fita, com certeza fez o mesmo.

Dezembro de 1999

– “Mãe! Vai passar toistori dois no cinema!”

E assim começava a empentelhar os pais para ir assistir ao segundo filme no cinema. Na época, o hoje em dia desprezado Severiano Ribeiro do Amazonas Shopping era o que havia de mais moderno e confortável na cidade.

O filme é legal, não apenas por dar um bom prosseguimento à história do primeiro filme, mas também, apresentando personagens novos e falando um pouco mais sobre a origem de cada um deles. Só achei meio chata a parte da história da Jesse.

Comprei o VHS desse e assisti outras trezentas vezes.

Junho de 2010

Andy vai para a faculdade…

A frase inicial da chamada para o terceiro filme mostra duas coisas: primeiro, que a proposta da história é algo um pouco diferente das anteriores, não apenas centrada nos brinquedos, mas também nas pessoas; segundo, o Andy envelheceu um pouco mais devagar que eu, que já estou prestes a sair da faculdade.

Woody

ALERTA DE SPOILERS

Quem ainda não assistiu Toy Story 3, pare a leitura aqui, vá assistir e volte depois. Não vou ficar adiantando as piadas e situações que acontecem no filme, que eu achei engraçadão, mas preciso contar sobre o seu desfecho.

Após recuperar seus brinquedos (mais uma vez) prestes a finalizar as malas para partir para a faculdade, Andy resolve dar todos os seus últimos brinquedos, por ideia de Woody, a uma garotinha que “brinca direito” (mote do fim do primeiro filme).

Andy vai até a casa da garotinha, filha de uma amiga da sua mãe, e começa a mostrar cada um dos brinquedos para ela, contando como ele os enxergava em sua imaginação quando criança, falando enfim, do Woody…

– “O Woody nunca te abandona…”

…e termina contando do valor que cada um dos brinquedos tinha para ele…

Naquele momento quem, durante a infância, teve aqueles filmes como preferidos, ou simplesmente qualquer pessoa que lembre de quantas histórias criou com seus brinquedos, e dê um salto no tempo até o momento em que percebeu que estava na hora de deixar os brinquedos de lado (ou passá-los a diante), deixar de ser criança, crescer, tornar-se adulto e começar a assumir responsabilidades, enfim, quem conseguir colocar-se no lugar do Andy, dificilmente não vai se emocionar.

Falta muita poeira a ser varrida

Na última terça-feira, dia 15 de Junho, aqueles jovens que informam sobre o trânsito de Manaus no Twitter estavam tendo bastante trabalho. Era dia do primeiro jogo do Brasil na Copa do Mundo e parece que todo mundo resolveu assistir ao jogo em algum lugar diferente de onde estava durante a manhã.

Obviamente, o caos instaurou-se e todas as principais vias da cidade contavam com quilômetros de engarrafamento em qualquer direção.

Mas isso não foi um caso isolado. Praticamente todas capitais do país e, principalmente, aquelas que serão sede da copa de 2014, enfrentaram problemas mais tensos e intensos. O país inteiro teve um panorama do quanto seu sistema viário carece de planejamento e organização, e uma prévia do que vai acontecer quando estivermos cheios de visitas em nosso país na próxima copa.

Vuvuzelas Apocalipticas

E parece que ninguém está lembrando que em 2013 já tem a Copa das Confederações, que é realizada no país-sede da copa seguinte, no caso, o Brasil. Sim o Brasil. Faltam três anos. E os governos tocando os prazos das obras de melhorias – na verdade criação (!) – da infraestrutura, transporte e estádios para horas antes da cerimônia de abertura, driblando licitações e cometendo faltas de atenção à lógica e de respeito com os contribuintes que nem uma rua sem buracos parecem ter direito, quanto mais um estádio e aeroporto novos, um metrô de superfície, uma cidade inteira renovada from the ground up.

Falta pouco tempo e muita poeira a ser varrida para debaixo do tapete. E as obras que vão gerar essa poeirada ainda nem começaram, e sabe-se lá se vão terminar a tempo.

Vindo para casa hoje para assistir ao próximo jogo do Brasil, voltando do sítio onde passei os últimos dias, as Sete Vuvuzelas do Apocalipse (capítulo 8) prenunciaram um período de trevas. E todas as principais vias da cidade só não contavam com quilômetros de engarrafamentos porque hoje é domingo.

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